FHC Dagobah

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A crítica de Reinaldo Azevedo ao artigo de Fernando Henrique e um comentário

No último dia 4 de novembro o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou um artigo lamentável no Estadão, intitulado Hora de decidir. O jornalista Reinaldo Azevedo fez uma crítica severa ao artigo numa série de três posts em seu blog. Vamos reproduzir o artigo de FHC e as críticas do Reinaldo, fazendo em seguida um brevíssimo comentário.

Hora de decidir

Terá o PSDB cara renovada em 2018? Não precisa tingir os cabelos, mas a alma deve ser nova

Fernando Henrique Cardoso, O Estado de São Paulo, 4 de novembro de 2017

Depois da segunda negação pela Câmara dos Deputados de abertura de inquérito para investigar o presidente da República, é de presumir que esse capítulo esteja encerrado. Independentemente do juízo sobre o acerto da decisão da Câmara, a opinião pública cansou-se do tema. As pesquisas parecem apontar nessa direção e indicam certo ceticismo quanto aos resultados da Lava Jato e de outras operações de investigação, que não obstante continuam a contar com o apoio da sociedade.

O clima é de descrença e desânimo. Sendo assim, olhemos para o cotidiano e suas agruras. O governo se esforça para demonstrar que a economia está melhorando. Os dados confirmam a tendência, a mídia repercute e o povo, como disse Aristides Lobo quando da proclamação da República, “assiste bestificado” ao que acontece. Não nos iludamos, porém. Nas sociedades atuais, com a mídia social em constante evolução, um fio desencapado pode reavivar velhos rancores e esperanças. Só que isso é imprevisível.

Melhor, portanto, nos concentrarmos no que é provável que aconteça: as vistas políticas se voltarão para as eleições de 2018. Até lá, por mais alguns meses pelo menos, a pauta das reformas, por desnaturadas que sejam, continuará a ser importante, ocupará os partidos, a mídia e a opinião interessada. Assim como a carruagem da economia continuará a andar e embalará as discussões dos que dela entendem ou pensam entender. O povo, olhando de soslaio, verificará se a melhora proclamada bate em seu bolso e em suas expectativas.

Não nos enganemos: por mais que as estruturas de poder continuem ativas, as marcas do que aconteceu nos últimos anos serão grilhões nos pés de partidos e candidaturas. Nem o PT se livrará dos muitos malfeitos que cometeu e das ilusões que enterrou, nem o PMDB sacudirá a poeira de haver feito parte não só da onda petista, como de seus descaminhos, nem o PSDB deixará de pagar por ter dado a mão ao governo Temer e de tê-la chamuscada por inquéritos.

Falo dos principais, mas a história dos demais não é muito diferente da percorrida pelos maiores partidos. Apenas os mais radicais, posição que antes era domínio exclusivo da extrema esquerda e hoje é disputada pela extrema direita, talvez possam dizer: dessa água eu não bebi! Argumentos há para defender os que se juntaram no impeachment ao governo petista, como os há para os que apoiaram o intermezzo peemedebista. Melhor manter a coerência e sustentar as razões do apoio a ambos.

Daqui por diante, contudo, o capítulo é o futuro. É diante dele que os partidos terão de tomar posição. Falemos claramente: o PT está com a sorte colada à de Lula, a qual está nas mãos da Justiça. Não torço pela desgraça alheia. Não sou juiz, não quero e não devo opinar na matéria. Melhor é supor que Lula dispute as próximas eleições. Suas chances de vitória não são grandes. Derrotei Lula duas vezes quando ele já era um líder partidário de massas. Por que ganhei? Porque Lula e seu partido se isolaram no que imaginavam ser a classe trabalhadora, com seus porta-vozes intelectuais. Quando Lula ganhou minha sucessão foi porque ele e seu partido, com a Carta aos Brasileiros e outras ações mais, se aproximaram da classe média e saíram do gueto, alargando sua base de apoio original. Desenhada a vitória e alcançado o poder, o establishment se juntou aos vitoriosos, sem temor de ser prejudicado.

Hoje Lula e seu partido voltaram para suas trincheiras originais. Incomodando sua sucessora, tentarão relembrar os dias gloriosos da bonança econômica para que o eleitorado se esqueça dos escândalos de corrupção, das desventuras a que levaram a sociedade e da recessão que produziram na economia. São competidores, portanto, derrotáveis. A depender, como sempre em eleições, de saber que partidos e líderes formarão os “outros lados”. Nestes poderão estar os que jogam “por fora” dos grandes partidos, como Marina Silva e, em sentido menos autêntico e mais costumeiro, candidaturas “iradas”, do tipo Ciro Gomes. Só que no momento desponta outra candidatura ainda mais “irada” e mais definida no espectro político, a de Bolsonaro. Dele sabemos que é “linha dura” contra a desordem e a bandidagem, mas pouco se sabe – ao contrário de Marina – sobre o tipo de sociedade de seus sonhos (e meus pesadelos…). Pode surgir um easy rider? Pode. Mas é preciso esperar para ver.

Sobra avaliar qual partido mais pode apresentar candidaturas válidas. O PMDB faz tempo que maneja o Congresso e sabe imiscuir-se na máquina pública, mas não parece ser um time pronto para disputar a pole position. O DEM, o PS ou o PSD e os demais não têm nomes fortes para a cabeça de chapa, embora possam pesar se ingressarem num conglomerado que seja “centrista”, mas olhe à esquerda, por mais que tal ginástica custe a alguns deles.

E o PSDB? Pode apresentar algum nome competitivo. Mas precisa passar a limpo o passado recente. Deveria prosseguir no mea culpa apresentado na televisão sob os auspícios de Tasso Jereissati, sem deixar de dar a consideração a quem quase o levou à Presidência. É hora de decidir, e não de se estiolar em “não decisões”. É hora também de juntar as facções internas e centrar fogo nos adversários externos. Não há como negar o apoio dado ao governo atual. A transição política exigia repor em marcha o governo federal, o que foi feito em áreas significativas. Politicamente, contudo, há um ponto crítico e alguma decisão deverá ser tomada: ou o PSDB desembarca do governo na convenção de dezembro e reafirma que continuará votando pelas reformas ou sua confusão com o peemedebismo dominante o tornará coadjuvante na briga sucessória.

Terá cara renovada em 2018? Os cabelos não precisam ser tingidos, mas a alma deve ser nova, para que a coligação que formar ganhe credibilidade e possa virar a página dos desastres recentes.

Agora a crítica de Reinaldo Azevedo, juntando os três posts de 7 de novembro:

O erro de FHC 1: O ex-presidente não percebe que Temer é o nome da solução, não do problema

Tucano está pautado, também ele, não por aquilo que aprendeu com Manuel Castells sobre a sociedade em rede, mas pelo alarido de milícias organizadas na Internet que se fazem passar por sociedade civil

Considero FHC o presidente mais importante da história do Brasil. “Nossa! Mais do que Getúlio Vargas?” Mais.

Há nisso, claro!, questões de gosto, ideologia, convicções etc. Getúlio nos ligou à modernização do atraso.  E não escolho palavras ao léu. Deu atualidade a nossas raízes patrimonialistas. FHC voltou a pôr o Brasil no mundo e teve de enfrentar aquela pesada herança do Estado Novo, que ainda está aí, de que o lulismo é desdobramento, com algum bolchevismo misturado com água benta. Dito isso, vamos ver: o erro de um homem inteligente, como é o ex-presidente, pode ter consequências mais dramáticas do que o erro de um estúpido. Sabem por quê? De algum modo, ele rebaixa também o pensamento.

FHC assinou no domingo um artigo lamentável no Estadão, em que defende o nome de Tasso Jereissati para a presidência do PSDB (não entro na economia interna do partido) e, por consequência, o rompimento imediato com o governo Temer. De algum modo, alimento a ilusão — nada secreta a partir de agora — de que não seja ele o autor. Na minha benevolência, anuiu com a costura malfeita de algum ghost writer. Mas isso é só afeto intelectual pessoal. Para todos os efeitos públicos, assinou, e o artigo é seu. E traz uma soma formidável de equívocos.

O FHC que conheço, e cuja inteligência prezo, já teria percebido que Michel Temer é a solução, não o problema. Ocorre que o ex-presidente está pautado, também ele, não por aquilo que aprendeu com Manuel Castells sobre a sociedade em rede, mas pelo alarido de milícias organizadas na Internet que se fazem passar por sociedade civil. Essa gente, como a eleição irá demonstrar, é a falsificação da teoria. Daí que FHC tenha escrito, ou que alguém o tenha feito por ele, o seguinte: Nas sociedades atuais, com a mídia social em constante evolução, um fio desencapado pode reavivar velhos rancores e esperanças. Só que isso é imprevisível.” Bem, a conclusão evidencia que o raciocínio leva a… lugar nenhum.

As tais redes tiveram importância, sim, na queda de Dilma. Colaboraram para mobilizar as ruas. Mas um ex-presidente tem a obrigação de considerar em suas reflexões que foi a articulação política que pôs fim à desordem do governo petista. Dilma prestou um favor ao país ao cometer crime de responsabilidade. Redes sociais e ruas não realizam prodígios. Prodígios não existem.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) é mais efetivo, em casos assim, do que 80 milhões de “likes”. E assim é porque ele foi um conspirador??? Não! Porque foi um político. “Ah, mas o Ministério Público diz que…” Não trato desse assunto agora. Que os senhores procuradores apresentem suas provas e que os juízes julguem. O fato é que, dependesse de boa parte dos tucanos, Dilma ainda estaria no poder, e o país, no buraco. Ou alguém duvida? Se ela nos levou da planície para o fundo do poço, por que seria ela própria a nos levar do fundo do poço para, ao menos, a planície?

Ao defender o rompimento do PSDB com o governo Temer, FHC afirma que todos os partidos arcarão com o peso do que está em curso — a Lava Jato — e escreve um troço realmente lastimável:

“Nem o PSDB deixará de pagar por ter dado a mão ao governo Temer e de tê-la chamuscada por inquéritos.”

Epa! O passivo do PSDB com a sociedade, justa ou injustamente, antecede o governo Temer. A propósito: NÃO HÁ UM SÓ INQUÉRITO ENVOLVENDO O PARTIDO QUE DIGA RESPEITO AO PERÍODO EM QUE A LEGENDA ENTROU PARA A BASE OU QUE DERIVE DE ATOS DE SUAS LIDERANÇAS A SERVIÇO DESSA GESTÃO.

A história contada assim fica capenga. Também há no texto algo que não é digno do ex-presidente nem característico de sua trajetória: covardia intelectual e política. A única referência explícita à Lava Jato vem assim expressa:

“[as pesquisas] indicam certo ceticismo quanto aos resultados da Lava Jato e de outras operações de investigação, que, não obstante, continuam a contar com o apoio da sociedade.”

Nem uma miserável linha sobre desmandos que colheram, inclusive, a legenda a que ele próprio pertence.

Tucanos são bichos curiosos. O PT ataca o Ministério Público e a Lava Jato por maus e bons motivos. Seu candidato, com uma penca de inquéritos e uma condenação, lidera as pesquisas de opinião e seria eleito hoje presidente da República. O PSDB NÃO CRITICA o MPF nem por bons nem por maus motivos. Acoelha-se. Seus candidatos aparecem lá pelo quarto ou quinto lugar nas pesquisas; o partido enfrenta uma baita rejeição, e está em curso uma guerra não exatamente leal pelo comando da sigla. Das grandes legendas, é a que está mais desestruturada.

Aí o esperto, julgando que me pegou, pode dizer: “Ah, mas as respectivas situações de PT e PSDB nada têm a ver com a Lava Jato”. Bem, se não, mais um motivo para não refugar ao menos a luta em defesa do Estado de Direito. Que lhes parece?

O erro de FHC 2: Em lugar de atacar Temer, PSDB deveria se perguntar por que Lula está em 1º

Os ditos cabeças-pretas — o nome é patético — cismaram que têm uma agenda que não está contemplada pelo governo Temer. É mesmo? Qual é?

Ao se referir ao PT, FHC afirma em seu artigo que o partido não “se livrará dos muitos malfeitos que cometeu e das ilusões que enterrou”. É verdade! Mas o sociólogo que decidiu fazer um pouco de história, ainda que ligeira, está obrigado a lembrar, acho eu, que, hoje, depois de tudo e a despeito dos “malfeitos”, Lula seria eleito presidente da República. Ainda que a Justiça venha a pôr uma pedra no seu caminho, pesquisas indicam que teria condições de alçar um ungido seu no segundo turno.

Como explicar a situação em que se encontra o PSDB, ainda que acumule muito menos “malfeitos”?

FHC trocou Castells por galos que cantam alhures. O voto não esquerdista, de protesto, anti-establishment, que atinge Temer na mesma faixa e frequência em que atingirá qualquer candidato do PSDB, estará com Jair Bolsonaro. Esse mesmo impulso, com sinal ideológico invertido, vai buscar Marina Silva (Rede). E assim será não porque o PSDB integra a base do governo Temer, mas porque se deixou tragar, sem resistência, pela ação deliberada dos que decidiram destruir a política junto com os políticos, não distinguindo e hierarquizando a qualidade dos “malfeitos”.

A única resposta das forças democráticas sensatas seria investir numa candidatura de centro, liberal, não hostil ao governo, que pudesse contar com o apoio dos principais partidos da base. Nesse particular, a leitura que João Doria fez do quadro estava correta. A minha restrição ao que disse há dias está na motivação. Assim deve ser não por causa de Lula ou Bolsonaro, mas em defesa dos valores essenciais do regime democrático.

O que querem FHC e os que pensam como ele? Empurrar, por exemplo, o PMDB para uma escolha que exclui os tucanos, pulverizando votos que deveriam estar unidos?

A agenda necessária no governo Temer, apesar de tudo, avançou mais do que a do segundo mandato de FHC. Os tucanos deveriam, isto sim, é fazer praça de decisões corretas e essenciais tomadas por este governo, que contaram com o apoio do partido. E ser a vanguarda da modernização da economia no tempo que falta. Mas não! Os ditos cabeças-pretas — o nome é patético — cismaram que têm uma agenda que não está contemplada pelo governo Temer. É mesmo? Qual é? Fico cá a me perguntar se os cabeças pretas de miolo mole não querem desertar, como costuma ocorrer, por covardia, não por coragem. Fogem, assim, das reformas e ainda afetam superioridade política, intelectual ou moral. Diante de quem?

Trata-se de um erro brutal. Ao contrário do movimento em curso, as forças políticas responsáveis deveriam é estar empenhadas em ajudar o presidente Temer a fazer as reformas, muito especialmente a da Previdência. Quem terá a coragem de tocar no assunto em 2018 ao enfrentar o PT? Este, sim, partirá com tudo na jugular do presidente. O que os tucanos esperam? Disputar um lugar na fila da impostura?

Sendo como é, destaque-se:

a: quem disputar a eleição negando a reforma nem terá como tentá-la caso eleito, certo?

b: quem disputar a eleição fingindo que o problema não existe também estará proibido de tocar no assunto se vitorioso — a menos que queira ser deposto.

A máquina de denúncias que colheu Aécio Neves deixou o PSDB sem comando e sem leitura da realidade. Perde-se hoje no eleitoralismo sem imaginação.

Sim, Rodrigo Janot e seus bravos, que FHC se nega a criticar, respondem em larga medida pela falácia de que todos os partidos são iguais. Mas os tucanos precisaram cometer erros em série (como o voto de parte da bancada na Câmara para depor o presidente) — e FHC comete outro agora — para que o peso do petrolão tenha conduzido o partido à desordem e levado o PT, de novo, à condição de favorito.

Não parece que as coisas tenham se dado assim porque o partido e seus sábios tenham lido direito a história.

O erro de FHC 3: Ex deveria se perguntar por que ficou fora das campanhas de 2002, 2006 e 2010

Tucanos pisaram na cabeça de Aécio Neves e defenderam até a sua expulsão do partido quando Janot mobilizou a sua máquina contra o senador, nas condições conhecidas. E ele nem réu é ainda. O PT elegeu a ré Gleisi Hoffmann presidente da legenda

O FHC de agora deveria se lembrar do presidente de 2002. Todas as pesquisas indicavam, então, que associar o candidato do PSDB ao governo era garantia de derrota. E ele ficou longe. Com derrota garantida! Por causa disso? A minha resposta é “não”. Então que participasse.

Aquele que venceu Lula duas vezes no primeiro turno (1994 e 1998) ficou fora também das campanhas de 2006 e de 2010. Saibam que, no governo do doutor, havia 5 milhões de famílias atendidas por múltiplos programas de assistência, que Lula reuniu depois sob uma só rubrica: “Bolsa Família”. Incluiu mais cinco milhões e reivindicou a autoria de 10 milhões. O PT venceu mais três eleições. Em 2002, o PSDB tinha vergonha do que considerava assistencialismo…

Lula não teve medo de ser feliz ou de anunciar a felicidade alheia.

Como se nota, FHC conheceu precocemente os efeitos da receita que ele mesmo recomenda agora. Sinal de que, estivesse em lugar distinto em 2002, 2006 e 2010, teria agido da mesma maneira com um presidente tucano que, por virtuoso que fosse, não era lá muito popular — e não é até hoje, diga-se, o que é de uma injustiça fabulosa.

FHC tem, para citar um seu amigo, “uma certa herança marxista”. Mas marxista não é. Conhece Weber e Durkheim. Talvez devesse refletir a respeito do peso que têm a lealdade e a coragem na política, ainda que tais virtudes possam estar presentes também entre os nem tão puros. Sabemos como pureza não é um traço distintivo de seus adversários petistas.

Vai aqui uma dica a um sábio — e é claro que não se trata de uma ironia.

Tucanos pisaram na cabeça de Aécio Neves e defenderam até a sua expulsão do partido quando Janot mobilizou a sua máquina contra o senador, nas condições conhecidas. E ele nem réu é ainda. O PT elegeu a ré Gleisi Hoffmann presidente da legenda. Não estou propondo que tucanos tratem tucanos à moda como petistas tratam petistas. Não acredito que os companheiros sejam um exemplo virtuoso.

Se os tucanos, no entanto, conseguirem não se comportar como petistas no trato com outros tucanos e aliados, acreditem, já seria um grande passo. Mas isso é lá com eles. Não me meto na economia interna dos partidos. O que me impressiona é que um intelectual da envergadura de FHC embarque nessa canoa furada.

Sim, ele já venceu Lula duas vezes no primeiro turno, antes de o PT aprender o caminho objetivo da roça. Depois disso, os tucanos já tomaram quatro surras eleitorais. E tomariam uma quinta se as eleições tivessem sido antecipadas, como chegou a sugerir FHC.

Erros de pessoas inteligentes. Napoleão achou que era uma boa ideia invadir a Rússia. Acreditou no seu Exército e não acreditou no inverno, tão prosaico por aquelas bandas…

[Fim da transcrição]

UM COMENTÁRIO

É claro que o PSDB é um partido vacilante, covarde e viciado na loteria do calculismo eleitoreiro. Não digo isso de hoje. Em dezenas de artigos, publicados na Folha de São Paulo, de 2005 a 2012, alertei para as consequências desastrosas desse comportamento. E disse também, não uma, mas várias vezes, que a queda do PT viria junto com a queda do PSDB – de vez que esses partidos formaram um par enantiodronômico perfeito.

FHC está emprestando sua reputação para tentar salvar o que não pode ser salvo pelo caminho escolhido: voltar à presidência da República. Mas não foi o PSDB que chegou ao poder em 1995 e sim ele, Fernando Henrique, nas asas do Plano Real. Os tucanos jamais venceram uma disputa presidencial. E o mais provável – embora tudo possa acontecer em política – é que percam novamente em 2018 (a menos, talvez, que o candidato seja Dória, que não é um tucano típico – mas isso não é o mais provável segundo as avaliações deste momento).

Pena que Fernando Henrique tenha manchado sua biografia com um artigo tão pedestre, incorreto, injusto e, além de tudo, pouco inteligente.

Sobre FHC já disse tudo o que tinha a dizer num post do ano passado, intitulado Fernando Henrique. Sobre os tucanos… não há também muito mais a dizer. Tucanos não têm noção do ridículo. Querem sair do governo Temer só porque as eleições estão chegando. E não têm nem vergonha de dizer isso. Mas, se é assim, por que entraram e permaneceram tanto tempo no governo? Durante todo esse tempo em que ficaram no governo estavam enganando o eleitor ou enganarão o eleitor durante a campanha de 2018, fingindo que estão fazendo oposição a Temer?


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