Lula x Bolsonaro Dag

,

A equação eleitoral de 2018

Vamos examinar aqui os cenários eleitorais mais prováveis e também os mais desejáveis do ponto de vista da democracia.

Antes, porém, cabe uma consideração sobre o que é melhor para a democracia.

O QUE É MELHOR PARA A DEMOCRACIA

Deixando de lado o besteirol esquerda x direita (que só serve para empulhar e esconder o que está realmente em jogo) e o moralismo (que é imoral em política), estas são as opções:

qUADRANTES 2018

É claro que a melhor alternativa é o quadrante 4. Mas é preciso ver que, do ponto de vista da democracia, o quadrante 3 (embora pior do que o quadrante 4) é muito melhor do que o quadrante 1 e o quadrante 2. Sim, a democracia não é um regime sem corruptos e sim um regime sem um senhor.

Para quem não tem intimidade com a democracia, isso chega a ser incompreensível. Mas, como? Como se pode preferir corruptos a honestos? Pois é… vejam que falta que faz a alfabetização democrática. Os maiores ditadores (e genocidas) da humanidade, eram tidos por honestos (pelo menos nenhum deles ficou conhecido por ter batido a carteira de ninguém ou por ter cometido crime comum para enriquecer e se dar bem na vida).

Você duvida? Estude a vida de Lenin, Stalin, Mao e, até mesmo de Hitler (todos eles chegaram a ser acusados de cometer crimes políticos, mas não crimes comuns). No entanto… Péricles, o principal expoente da democracia ateniense, foi acusado pelo menos três vezes de corrupção e nepotismo. Um analfabeto democrático, entretanto, preferiria Leônidas, o espartano, cidadão completamente honesto (sem se importar muito com o fato de os espartanos terem financiado dois golpes contra a democracia nascente em Atenas).

A EQUAÇÃO ELEITORAL DE 2018

A disputa eleitoral de 2018 está praticamente equacionada. Repetindo (porque é preciso repetir isso mil vezes por dia): deixando de lado esse besteirol de esquerda x direita (que só serve para empulhar e esconder o que está realmente em jogo), teremos 5 ou 6 possíveis (ou mais prováveis) enfrentamentos, conforme mostra o diagrama abaixo:

Quadrantes 2018 candidatos

Examinemos com brevidade cada um dos cenários mais prováveis:

1 – O HORROR

Se a disputa ficar no campo autocrático, as chances de vitória de Lula (ou de outro candidato apoiado pelo PT) sobre Bolsonaro são maiores. Este é o pior cenário (o cenário do horror) porque, seja qual for o resultado do pleito, ele será drástico para a democracia brasileira. Crescerá no país uma corrente autocrática e o campo democrático ficará excluído da disputa.

2 – A INCERTEZA

Se a polarização for entre Lula (ou outro candidato apoiado pelo PT) e um candidato velho (ou seja, alguém que já disputou eleições presidenciais) do campo democrático, não se pode prever o resultado (e talvez haja uma leve vantagem para Lula se o candidato velho estiver envolvido em corrupção).

3 – O MAIS DO MESMO

Se a disputa ficar entre Bolsonaro e um candidato velho do campo democrático, provavelmente será vencida por este último. Mas será o mais do mesmo. Este cenário, entretanto, é improvável.

4 – O MELHOR CENÁRIO PARA A DEMOCRACIA

Se a disputa ficar no campo democrático, este será o melhor cenário para a democracia. Um candidato novo, não envolvido em corrupção, contra um candidato velho do mesmo campo, provavelmente resultará na vitória do primeiro. Mas seja qual for o resultado do pleito, ele será melhor do que todos os outros para a democracia (por impedir o crescimento do campo autocrático). Este cenário, infelizmente, não é muito provável.

5 e 6 – BONS CENÁRIOS PARA A DEMOCRACIA

Se a disputa for entre um candidato novo do campo democrático e Lula (ou outro candidato apoiado pelo PT), a vitória do primeiro é o mais provável. Se a polarização se estabelecer entre um candidato novo do campo democrático e Bolsonaro é ainda mais provável a vitória do primeiro (conquanto este cenário não seja o mais provável).

CONCLUSÃO

O fundamental, para a democracia, é impedir a polarização Lula (ou alguém apoiado pelo PT) x Bolsonaro (o cenário do horror); e, se possível, evitar também o segundo cenário (o cenário da incerteza). O centro da questão é impedir ou reduzir ao máximo ao chances de vitória e de crescimento do campo autocrático.

NOTA

O crescimento de candidaturas como a de Marina e Ciro (a não ser que apoiados pelo PT, diante do impedimento de Lula), assim como de outsiders como Luciano Huck ou Joaquim Barbosa não foram considerados cenários mais prováveis (o mesmo valendo para Álvaro Dias, com o tal Podemos). Claro que, em política, tudo pode mudar.


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário é um programa de introdução à democracia chamado SEM DOUTRINA. Para saber mais clique aqui

Deixe uma resposta

Loading…

Deixe seu comentário