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Agora é tarde, camarada Deltan

Toma, que o filho é teu!

Deltan Dallagnol declarou em entrevista na Folha de São Paulo de hoje (04 de outubro de 2018):

“A Lava Jato pode incentivar, sim, os brasileiros a buscar candidatos mais íntegros. Mas também pode ter o efeito contrário. De pintar a classe política inteira como corrupta — e, quando todos são corruptos, a integridade deixa de ser um critério de escolha.”

Não diga? É óbvio que a instrumentalização política da Lava Jato reforçou a antipolítica robespierriana da pureza, investiu no jacobinismo antagonista da terra arrasa e serviu de plataforma de lançamento para um candidato que se diz (falsamente) “antissistema”. Alguém duvida?

Uma evidência disso é que mais de 90% de todos os grupos que se formaram nas mídias sociais para combater a corrupção e apoiar a Lava Jato, para exaltar a tal “República de Curitiba” e para idolatrar Sergio Moro, para ser porta-vozes do próprio Deltan e de seu camarada Carlos Fernando, viraram comitês eleitorais de Bolsonaro.

Me desminta, quem puder. Não é questão de opinião, é fato. Posso provar.

Como é imprevisível o que poderá ocorrer num eventual governo Bolsonaro, mais adiante, na mesma entrevista, Deltan tentou se precaver:

“Se quebrar o sistema significa quebrar o sistema democrático, republicano, estabelecido pela Constituição, isso seria absurdo, um imenso retrocesso”.

Novamente, devemos perguntar: não diga?

Querendo ou não Deltan, Bolsonaro só chegou onde chegou, em parte, a partir da instrumentalização política da Lava Jato. Como operação jurídico-policial do Estado de direito, a Lava Jato é correta. Deveria, aliás, ser permanente. Como tentativa de fazer a revolução francesa sem povo e com duzentos anos de atraso, não! Agora não adianta reclamar que nosso Napoleão atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro.

Em termos políticos, Bolsonaro é produto direto de três fatores:

1) da revolta da boa parte da população com a sanha petista pelo poder e com os abusos que praticou durante mais de uma década,

2) da vacilação, leniência e conivência do PSDB, que jamais fez oposição para valer ao PT (e sempre protegeu Lula) e

3) da instrumentação política da Lava Jato.

Agora é preciso dizer ao procurador-militante Deltan: toma que o filho é teu.


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