Analfabetismo

,

Apesar da Lava Jato, nosso analfabetismo democrático aumentou

Há anos venho publicando e republicando este quadrinho. A despeito dos recentes acontecimentos na Venezuela, constato – com profunda tristeza – que hoje está mais difícil de as pessoas entenderem isso do que há 2 anos, do que há 4 anos, do que há 6 anos… Devemos agradecer esse desserviço à democracia à turma da limpeza, aos jacobinos que querem varrer o mundo de toda sujeira, curvatura e imperfeição, aos adeptos da antipolítica robespierriana da pureza, a O Antagonista, aos procuradores da República (como Deltan e Carlos Fernando), ao Janot e ao Fachin e, é claro, à rede Globo.

Eis o quadrinho, que chegou a ser bloqueado pelo Facebook várias vezes, durante a campanha eleitoral de Dilma em 2014:

A estratpegia Face - Cópia

Agora vejo surgir um texto neste sentido, enviado por Conchita Wurst (pseudônimo) para uma lista de amigos por e-mail e reproduzido no Facebook por Alessandro Gagnor Galvão:

Conchita Wurst

“Eu acho muito ruim a desatenção e a negligência que observo em pessoas do meu convívio sobre as tentativas que foram cometidas no Governo do PT para solapar as bases das instituições democráticas-liberais, que são aquelas que garantem o grau de liberdade, historicamente inédito, que gozamos no Brasil. Essas tentativas tomaram algumas vezes a forma de balões de ensaio, de ações dissimuladas, como maneira de testar a sua viabilidade, mas elas ocorreram sim. Houve três tentativas de criar instâncias de censura para a imprensa; houve esta tentativa aí embaixo de corroer a legitimidade do Congresso Nacional por meio da criação de instâncias de representação popular controladas pelo partido, idêntica à estratégia de Maduro ao convocar a tal Assembleia Constituinte; houve uma tentativa ousadíssima do Ministro Jacques Wagner de passar para si, na qualidade de Ministro da Casa Civil de Dilma, a atribuição de promover oficiais de alta patente nas Forças Armadas.

Não foi, aqui no Brasil, tão fácil como foi na Venezuela, pois nossas instituições democrático-liberais são mais sólidas do que as do país vizinho. Porém, tentou-se avançar por um caminho análogo, em vários sentidos. Não tivemos, tampouco, ainda bem, um líder carismático como Hugo Chávez, um marxista. Lula, que foi nosso líder carismático e fiador do Governo Dilma, é apenas um demagogo e comunicador de talento que está mais interessado em forrar os bolsos do que promover a revolução socialista.

O apoio explícito do PT, e dos partidos de esquerda brasileiros, ao Governo ditatorial de Maduro é coerente com as tentativas feitas pelo PT, aqui, de passar por cima de algumas instituições democráticas fundamentais para a nossa liberdade.

No momento atual, nada melhor do que lembrar do decreto 8.243/2014, que Dilma emitiu para criar os “conselhos populares” e solapar o Congresso.

O decreto criava a Política Nacional de Participação Social (PNPS).

No discurso, diziam que o objetivo era “consolidar a participação social como método de governo” que determinaria aos órgãos governamentais, inclusive as agências de serviços públicos, a promoção de consultas populares.

No fundo, essa é a política dos sovietes, pela qual coletivos não eleitos são vitaminados com verbas estatais por um governo socialista para se tornar um quarto poder.

Em resumo, é um dos meios mais eficientes para consolidar uma ditadura.

A Constituinte de Maduro está repleta de posições ocupadas exatamente por esses coletivos não eleitos.”

Aliás, uma correção. A tentativa de Jacques Wagner de nomear oficiais de alta patente ocorreu quando ele era Ministro da Defesa no Governo Dilma. Depois de deixar esse cargo é que ele foi nomeado Chefe da Casa Civil. Ele nomeou como secretária-executiva do Ministério da Defesa Eva Chiavon, casada com uma das principais lideranças do MST, o Chicão do MST. Juntamente com ela, Jacques Wagner, aproveitando a ausência de um general importante do ministério, tentou aprovar um decreto arrogando para si a atribuição de nomear oficiais. A tentativa não vingou. Não deu certo. Mas que tentaram, tentaram.

Deem mole para essa turma. Mas vão preparando a bundinha, é o que eu digo. E a perspectiva de viverem em um país autoritário, atrasado e sem perspectivas de desenvolvimento; um país em que as pessoas vão ter medo de falar.

Ah, América Latina! Por que você está sempre lá atrás, quando o mundo já está lá na frente?! Que praga! Que destino!”

Pois é… Mas foi montada uma formidável operação para diluir tudo – toda a estratégia de autocratização do nosso regime político planejada e executada (em parte) pelo PT – dentro da corrupção tradicional da política, o que confundiu a cabeça das pessoas, que passaram a ver como grandes perigos fantasmas construídos como Cunha e, depois, com a ajuda da dupla Janot-Joesley, Temer e Aécio, que seriam, nesta ordem, os chefes das maiores e mais perigosas organizações criminosas do país. E a Lava Jato não ajudou muito para o esclarecimento, pelo contrário.

Vejam que retrocesso em termos democráticos foi causado por essa operação psicossocial de esconder o caráter autocrático do PT, lançando uma cortina de fumaça tão espessa que as pessoas mal conseguem ver que havia uma estratégia de poder em curso, cujo objetivo era bolivarianizar (à brasileira, quer dizer, lulopetizar) o país, alterando o DNA da nossa democracia.

Algum dia, espera-se, os responsáveis por essa manipulação da opinião pública, terão de responder pelo crime político que cometeram contra a democracia brasileira.


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário já está disponível e começa a funcionar no próximo dia 30 de agosto de 2017. Clique no banner abaixo para saber mais.

Deixe uma resposta

Loading…

Deixe seu comentário