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As avaliações erradas sobre Bolsonaro e seu governo e as fake news bolsonaristas

Bolsonaro teve até agora a vantagem de contar com avaliações erradas sobre o seu caráter e a natureza do seu governo. E também porque ninguém lhe cobrou para valer as mentiras que pregou para se eleger e continua cometendo para governar (se é que podemos chamar o que ele faz na presidência da República de governo).

Vamos ver abaixo os erros de avaliação e também as fake news propagadas durante a campanha e nestes primeiros quase três meses de governo.

ERROS REPETIDOS NÃO SE TORNAM VERDADES

Não devemos repetir as avaliações erradas, sobre Bolsonaro e seu governo, que são costumeiras, inclusive na imprensa

Bolsonaro é conservador. Errado. É reacionário.

Olavo é conservador. Errado. É retrogradador.

O bolsonarismo é de direita. Errado. É de extrema-direita.

Guedes é liberal. Errado. É apenas um liberal-econômico, mas nunca foi um liberal político.

Bolsonaro é liberal. Errado. É nacionalista, quer dizer, estatista.

Bolsonaro em campanha foi uma coisa, no governo será outra. Errado. Ele continua em campanha há mais de 80 dias no governo.

Bolsonaro é contra a velha política. Errado. Como parlamentar ele sempre fez a velha política corporativa durante 30 anos e, no governo, está se mostrando contra a política.

O establishment vai domesticar Bolsonaro. Errado. O bolsonarismo é anti-establishment e Bolsonaro é bolsonarista.

Guedes e os Generais vão controlar Bolsonaro e afastá-lo da influência dos seus filhos. Errado. Erigiu-se uma familiocracia impenetrável e ela é bolsonarista.

Depois de um período inicial de adaptação Bolsonaro vai acabar aprendendo o que é ser presidente. Errado. Bolsonaro não é uma entidade capaz de aprender.

AS MAIORES FAKE NEWS BOLSONARISTAS DURANTE A CAMPANHA

Quem votou em Bolsonaro, engoliu direitinho…

Bolsonaro é liberal. Era fake. Ele é (sempre foi), como já foi dito acima, um nacionalista e, portanto, um estatista no sentido político termo.

Bolsonaro não tem nada a ver com a velha política. Era fake. Ele passou quase 30 anos no baixo-clero do Congresso e cerca de 10 anos no PP – o partido de Paulo Maluf – uma das agremiações mais corruptas da base parlamentar de Lula.

O ministério da Educação distribuiu um kit gay para crianças. Era fake. Isso nunca aconteceu.

As escolas ensinam ideologia de gênero. Era fake. A maioria esmagadora das escolas, de ensino fundamental e médio, nunca fez isso.

Os petistas estão distribuindo mamadeiras com bico de piroca para bebês. Era fake. Simplesmente uma mentira inventada, sem qualquer base na realidade.

Há uma ameaça comunista. Era fake. Não havia e não há comunismo nenhum, há muito tempo, nem aqui, nem na China (um regime ditatorial que adota o capitalismo de Estado). O que havia era um partido neopopulista (dito de esquerda) no governo (entre 2003 e 2016). O governo Temer, que lhe sucedeu, não tinha nada ver com comunismo, nem mesmo com esquerda.

Todos os partidos (menos os que apoiam Bolsonaro) são de esquerda. Era fake. Apenas alguns partidos, da coalização petista, diziam-se de esquerda. A maioria dos partidos jamais reivindicou tal condição (e nem apresentou ideias ou comportamentos que permitissem essa caracterização).

O Brasil está a um passo de virar uma Venezuela. Era fake. O Brasil sempre esteve muito distante de virar uma Venezuela, seja pela complexidade da sociedade brasileira, seja porque o lulopetismo é outro tipo de bolivarianismo (diferente do chavismo), seja porque o PT foi apeado do governo pelo impeachment.

A facada desferida por Adélio Bispo em Bolsonaro foi um atentado político, terrorista, organizado a mando dos comunistas, dos petistas e psolistas. Era fake. Todas as investigações conduzidas pela Polícia Federal, sob o comando de Sérgio Moro, mostraram que não se tratou de um atentado político e sim de um atentado contra um político e não se conseguiu encontrar qualquer evidência de que Adélio agiu a mando de qualquer organização.

Há uma conspiração para fraudar as urnas eletrônicas. Era fake. Como, aliás, o resultado eleitoral mostrou.

Toda a imprensa é comunista e ataca Bolsonaro porque sabe que a fonte de recursos públicos vai secar. Era fake. Isso só se aplicaria aos veículos da rede suja do PT, não aos grandes órgãos de imprensa. E, mesmo assim, esses veículos apoiavam uma alternativa populista, não comunista.

AS FAKE NEWS BOLSONARISTAS DURANTE O GOVERNO

Os que apoiam Bolsonaro continuam acreditando…

Toda a imprensa é comunista, em especial a Folha de São Paulo e o Grupo Globo. É fake. Os motivos são os mesmos já apontados acima.

O dinheiro depositado por Queiroz (amigo de Bolsonaro, funcionário de Flávio Bolsonaro, ligado aos milicianos) na conta da primeira dama Michele foi a devolução de um empréstimo informal feito por Jair. É fake. Se não fosse fake, Bolsonaro já teria apresentado alguma evidência da existência da transação.

Articulação significa negociação espúria, velha política, troca de votos por cargos ou dinheiro. É fake. Sem negociação não há política democrática.

O Congresso ameaça não aprovar as reformas porque está querendo aprisionar e enlamear Bolsonaro com a velha política do toma-lá-dá-cá. É fake. Pelos mesmos motivos apresentados acima. Ademais, negociação de cargos e emendas parlamentares não tem nada de errado em si e fazem parte do jogo político em qualquer democracia do mundo.

Convenhamos, uma pessoa que mente tanto assim não pode ocupar o cargo de chefe de governo e de Estado. Infelizmente, ele se aproveita da falta de oposição e da falta de clareza das pessoas – jornalistas e analistas políticos incluídos – sobre seu verdadeiro caráter e sobre a natureza do seu governo.


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