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As cinco opções eleitorais dos democratas

Desnecessário dizer, para quem toma a democracia como um valor universal e o principal valor da vida pública, que não podemos votar em Haddad-Lula, Bolsonaro, Ciro, Boulos, Daciolo, Vera Lúcia, João Vicente ou Manuela, pois esses candidatos não estão no campo democrático (nem em Eymael, que é uma piada velha). Passemos então aos candidatos do campo democrático.

Em ordem alfabética:

1 – Se Alckmin tiver chances de quebrar a polarização PT x Bolsonaro no primeiro turno, sim, sem dúvida, deveremos apoiá-lo. Se ele não tiver chances reais de fazer isso, não. Não importa para nada que ele tenha o apoio dos políticos fisiológicos do chamado “centrão”. Apoio eleitoral não é necessariamente servidão a interesses escusos. Só critica apoio eleitoral (dos outros) quem não tem apoio eleitoral (para sua própria candidatura). Ou será que evitar as alianças (chamadas de “promiscuidade” pelos puristas) é mais importante do que evitar que seja eleito um candidato autoritário?

2 – Se Álvaro Dias tiver chances de quebrar a polarização PT x Bolsonaro no primeiro turno, sim, sem dúvida, deveremos apoiá-lo. Se ele não tiver chances reais de fazer isso, não. Não importa para nada se ele está querendo pegar uma carona na Lava Jato e tentando capitalizar em cima da credibilidade do juiz Sergio Moro para surfar na indignação popular contra a corrupção. É meio abusivo e oportunista, mas é do jogo. Ou será que evitar o oportunismo é mais importante do que evitar que seja eleito um candidato autoritário?

3 – Se Amoedo tiver chances de quebrar a polarização PT x Bolsonaro no primeiro turno, sim, sem dúvida, deveremos apoiá-lo. Se ele não tiver chances reais de fazer isso, não. Há algo em jogo em 2018, muito mais importante do que fazer o nome de alguém para 2022 ou 2026. Ou será que investir num nome novo e com boas propostas, para o mercado futuro da política é mais importante do que evitar que seja eleito no presente um candidato autoritário?

4 – Se Marina tiver chances de quebrar a polarização PT x Bolsonaro no primeiro turno, sim, sem dúvida, deveremos apoiá-la. Se ela não tiver chances reais de fazer isso, não. Não importa para nada que se diga que elas saiu do PT, mas o PT não saiu dela ou que seus seguidores são ainda, em grande parte, militantes de esquerda. Nestas circunstâncias não apoiar Marina porque, supostamente, ela não se desvencilhou da mentalidade esquerdista, nos levará à volta do banditismo de Estado do PT ou à ascensão de um maluco autoritário como Bolsonaro. Ou será que evitar que seja eleita uma candidata com ideias ditas de esquerda (mas que não pertence à quadrilha petista) é mais importante do que evitar que seja eleito um candidato autoritário?

5 – Se Meirelles tiver chances de quebrar a polarização PT x Bolsonaro no primeiro turno, sim, sem dúvida, deveremos apoiá-lo. Se ele não tiver chances reais de fazer isso, não. Não importa para nada que se diga que ele é banqueiro ou é rico. Amoedo tem patrimônio maior do que o dele e isso não desqualifica nem um, nem outro. Ou será que evitar um candidato de perfil mais técnico, só porque serviu aos governos Lula e Temer na equipe econômica, é mais importante do que evitar que seja eleito um candidato autoritário?

A eleição não é amanhã, nem depois de amanhã. Temos cerca de 6 semanas para verificar quem – dos mencionados acima – tem mais condições de cumprir o imperativo democrático da hora presente: PT nunca mais, Bolsonaro ou Ciro, jamais.

MAS COMO SABER QUEM TEM MAIS CONDIÇÕES?

Daqui a 6 semanas não será difícil ver quem terá – no campo democrático – mais condições de quebrar a polarização entre dois candidatos do campo autocrático. Não será só pelas pesquisas, pela propaganda, pelo sucesso nos debates, pelos apoios, pelo volume de campanha, por nenhum desses indicadores isoladamente. As ondas de opinião, quando crescem, são perceptíveis.

Mas não se pode deixar nada para o segundo turno. Tudo se decide no primeiro turno. Porque, se passarem para o segundo turno dois candidatos do campo autocrático (tipo Haddad x Bolsonaro), aí já era. Sempre lembrando isso, quem quiser fazer campanha para seu candidato(a) – seja porque acha que é o(a) mais preparado(a), o(a) mais honesto(a), o(a) mais novo(a), o(a) mais empático(a), o(a) que tem o melhor programa, o(a) que tem a melhor ideologia etc.) – deve fazer. Só não pode esquecer que, no segundo turno, a vaca já pode ter ido pro brejo.

Sei que este artigo é absolutamente inútil para quem não tem a mínima noção do que é democracia. As pessoas que têm dificuldades de compreender a democracia não entendem que não se trata de escolher o melhor e sim de evitar o pior. A democracia, desde que surgiu pela primeira vez, sempre foi um processo de desconstituição de autocracia.

Oremos.


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