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As mentiras dos idiotas que se dizem “de direita”

Sobre as farsas de que não houve ditadura militar no Brasil, de que ela foi uma “ditamole” ou de que ela foi necessária para evitar uma ditadura comunista 

Fico indignado com artigos que muitos idiotas têm escrito e reproduzido sobre a ditadura militar no Brasil (1964-1984). Vejamos as três principais alegações revoltantes que estão circulando.

1) Alguns dizem que nem houve ditadura, o que equivale, mais ou menos, a negar que houve o holocausto. Sobre isso, posso dar o meu depoimento pessoal. Se não houve ditadura militar no Brasil devo ter contraído uma doença mental grave, tipo aquela que acometeu a mente brilhante de John Forbes Nash Jr. Sem nunca ter aderido à luta armada, vivi anos achando que era perseguido, sendo preso várias vezes, sobrevivendo clandestinamente. Era tudo delírio.

2) Outros dizem que a ditadura no Brasil foi uma “ditamole” quando comparada às ditaduras da Argentina, do Chile e do Uruguai. Ou, pior, quando comparada às ditaduras implantadas pela esquerda, como os regimes cubano, coreano do norte, soviético ou chinês.

Este é um argumento insano, típico dos tolos que, sem saber, engoliram a baba da esquerda (comprando o esquema interpretativo esquerda x direita como universal e eterno) e resolveram se dizer de direita. O fato das ditaduras ditas de esquerda terem sido mais violentas do que as ditaduras ditas de direita, elide o principal: as forças que implantaram esses regimes autocráticos eram igualmente estatistas. É verdade que as ditaduras da chamada esquerda (dos que se diziam comunistas) matou mais (mais até do que os ditadores que se diziam nazistas ou fascistas), mas o que tem o U a ver com a ALÇA? Ditaduras, sigam os seus próceres as doutrinas que quiserem, são atentados mortais à democracia. Usar o termo “ditamole” é uma ofensa à democracia e uma ofensa grave a pessoas que, como eu, foram perseguidas pela ditadura. Mesmo que não tivesse ocorrido nem uma morte, teria sido uma ditadura. As ditaduras não são feitas para matar pessoas (um efeito colateral) e sim para matar a rede. Para reduzir liberdades civis e direitos políticos, por menores ou mais básicos que sejam (começam sempre com pequenas proibições ou restrições ao fluxo interativo da convivência social). Analfabetos democráticos não entendem que nenhuma ditadura pode ser boa e que as restrições às liberdades não podem ser medidas pelo número de cabeças cortadas. Que a perfeição do controle é atingir um estágio supostamente “pacífico” ou “harmônico” em que as pessoas nem mais precisem ser mortas, porque passam a pensar sob comando.

3) Por último, há os que dizem que houve ditadura, sim, mas que foi o único meio que os patriotas militares encontraram de evitar uma ditadura marxista ou comunista e que foi bem feito ter perseguido, prendido, exilado, torturado, ferido e matado terroristas.

Mentira. Não havia condições objetivas para a implantação imediata de uma ditadura marxista (ou comunista) no Brasil. O perigo não era iminente. Havia grupos que queriam isso, sim, porque fazia parte do programa inspirado por sua ideologia (que previa a ditadura do proletariado como uma etapa de transição para a sociedade sem classes). Mas eram muito poucos os seus contingentes e, mesmo assim, sem força político-militar e sem apoio de parcelas expressivas da população, muito menos da maioria. Outro ponto a considerar é que, conquanto qualquer violência seja condenável, assassinatos promovidos pelo Estado (que deveria ser público) não podem ser comparados a crimes semelhantes cometidos por grupos (privados) que não têm em suas mãos o aparato estatal (financiado pela sociedade).

Para concluir. Os ditadores brasileiros não perseguiram, prenderam, torturaram, exilaram, feriram e mataram apenas aqueles que pegaram em armas. Todos os que nos opusemos, mesmo pacificamente – como eu, por exemplo – à ditadura, sofremos as consequências da sua atuação ilegal (segundo suas próprias leis fajutas) e ilegítimas (do ponto de vista democrático). O Estado brasileiro no período 1964-1984 era um Estado fora-da-lei (do ponto de vista democrático). Não tínhamos nenhum dever ético-político de obedecê-lo.


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