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Um novo vocabulário político

Este é o quinto artigo de uma série chamada Novos Pensadores. O primeiro foi intitulado É tempo de novos pensadores. O segundo Seja um novo pensador. O terceiro Um roteiro de investigação para novos pensadores. O quarto Quem são os novos pensadores.

Partimos da ideia de que novos pensadores pensam sobre as novas visões emergentes do mundo no dealbar deste século 21, do ponto de vista das redes e da democracia. Novas visões da humanidade, da história humana, da civilização, da cultura, da sociedade, da comunidade, da política, da sabedoria, da inteligência humana, da criatividade e da inovação, da educação, da filosofia e da ciência.

Novas visões exigem novas palavras e ressignificação de antigas palavras. Por exemplo, um vocabulário político adequado ao tempo em que vivemos – na antessala de uma sociedade-em-rede – usa novas e velhas palavras que expressam novos conceitos, sobretudo conceitos da nova ciência das redes.

Como exemplo (não exaustivo) dessas novas palavras e das velhas palavras que estão sendo ressignificadas, podemos esboçar uma lista (tipo índice de um glossário ou vocabulário político) com pouco mais de 100 verbetes:

Anarcocapitalismo

Anarquismo

Anticomunismo

Aprendizagem democrática

Assembleísmo

Autocracia

Bolivarianismo

Capital social

Capitalismo

Castrismo

Centralização

Chavismo

Civilização

Civilização Ocidental Cristã

Cloning

Clustering

Cognitivismo

Colaboração

Commons

Competição

Comunismo

Comunitarismo

Conflito

Conservadorismo

Conspiracionismo

Corrupção endêmica

Corrupção sistêmica

Crunching

Democracia

Descentralização

Desigualdade

Desliberdade

Desobediência

Direita

Distopia

Ditadura

Doutrina

Eleitoralismo

Ensinagem

Esoterismo político

Esquerda

Estado

Estado de direito

Estatismo

Eurasianismo

Fascismo

Fórmula-inversa de Clausewitz-Lenin

Globalismo

Glocalismo

Guerra

Hegemonismo

Hierarquia

Homofobia

Individualismo

Inteligência democrática

Interativismo

Intervencionismo

Islamismo

Jacobinismo

Jihadismo

Ladismo

Legalismo

Liberal-conservadorismo

Liberalismo

Liberalismo político

Liberalismo-econômico

Liberdade

Libertarianismo

Limpeza ética

Localismo

Looping

Lulopetismo

Marxismo

Meritocracia

Militarismo

Miscigenação

Monarquismo

Moralismo

Multiculturalismo

Nacionalismo

Nazismo

Neoeurasianismo

Neoliberalismo

Neopopulismo

Opinião

Opinião pública

Oposição

Padrões autocráticos

Participacionismo

Partidocracia

Patriotismo

Paz

Peer-to-peer

Perturbação no campo social

Platonismo

Pobreza

Política

Populismo

Pós-verdade

Progressismo

Publico

Putinismo

Racismo

Realismo

Rede

Rede social

Resistência democrática

Retroalimentação de reforço

Reverberação

Revolução

Robespierrianismo

Social

Socialismo

Sofistas

Swarming

Terrorismo

Tradicionalismo

Trumpismo

Utopismo

Violência

Viral

Pensamos com palavras (que expressam conceitos). Os desentendimentos que dificultam a conversação, como mostramos no artigo Um roteiro de investigação para novos pensadores, são em geral motivados por diferenças de sentidos atribuídos às palavras. Assim, se uma pessoa fala rede social e a outra entende mídia social (como Facebook ou Twitter), eis um desentendimento importante que pode inviabilizar a compreensão do que está sendo dito. O mesmo acontece se uma pessoa fala espiritualidade e a outra entende religião; ou se uma pessoa fala democracia e a outra entende eleição; ou, ainda, se uma pessoa fala sociedade e a outra entende país (ou Estado-nação).

As construções intelectuais mais complexas, que são feitas com palavras, também permanecem imunes à polinização mútua com outras ideias capazes de desenvolvê-las se os sentidos atribuídos às palavras não se sintonizam (e, consequentemente, não se sinergizam). Ideias (ou conceitos) expressas por palavras “crescem” (ou se desenvolvem) “namorando” outras ideias. Palavras são fertilizadas por palavras, mas, para isso acontecer, é preciso que elas se reconheçam.

Por exemplo, se você diz que o sentido da política não é a igualdade, mas a liberdade e a pessoa entende que você está justificando a desigualdade, isso introduz um ruído na comunicação que é capaz de inviabilizar o entendimento necessário para a continuidade do processo de criação de novas construções intelectuais a partir da interação. O mesmo ocorre se você fala que a democracia valoriza igualmente, em princípio, qualquer opinião e a pessoa acha que você está desvalorizando o saber.

Um roteiro de investigação para novos pensadores deve ser uma espécie de programa de match (como os dos sites de namoro) para as palavras e seus sentidos, ensejando que buscadores também possam ser polinizadores.

Se você ficou interessado no assunto deixe um comentário abaixo.

E se você quiser saber mais, clique nos links:

É tempo de novos pensadores

Seja um novo pensador

Um roteiro de investigação para novos pensadores

Quem são os novos pensadores


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário é um programa de introdução à democracia chamado SEM DOUTRINA. Para saber mais clique aqui

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