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Até que enfim surge o esboço de uma articulação do campo democrático

Alvíssaras! Claro que esse tipo de iniciativa é correta. Só não chamaria de “centro”, mas vá-lá. Devem procurar se unir os que estão no campo democrático para evitar uma polarização entre dois candidatos do campo autocrático. Estão neste campo (autocrático) – não em razão de suas personalidades serem mais ou menos autoritárias e sim do papel que cumprem na atual configuração de forças – qualquer candidato apoiado pelo PT ou indicado por Lula, Manuela, Boulos, Ciro, Bolsonaro e Marina (esta última dependendo da sua decisão: se ela quiser se colocar na esquerda para ser uma Lula de saias, sim, permanecerá no campo autocrático, onde está boa parte de seu partido, Randolfe à frente).

É o que venho repetindo há muito tempo em numerosos artigos. O imperativo democrático da hora é evitar a polarização entre dois candidatos do campo autocrático, sejam quais forem. Em especial, é preciso barrar a volta do neopopulismo (lulopetista) e a aventura insana do populismo-autoritário (bolsonarista).

A iniciativa reportada hoje (17/05/2018) na matéria abaixo, de Pedro Venceslau, do Estadão, tem grandes chances de dar com os burros n’água se for transformada em comitê eleitoral de Geraldo Alckmin. Este é o maior perigo. O cabeça de chapa só pode ser definido mais adiante, a partir de uma análise da trajetória dos concorrentes.

E para dar certo, candidatos como o Amoedo, o Rocha e o Dias não podem ficar de fora.

Leiam a matéria reproduzida abaixo. Faço um breve comentário no final.

MANIFESTO PREGA UNIÃO DO CENTRO POR AGENDA REFORMISTA

Texto assinado por FHC fala em mobilização por ‘polo democrático’; grupo vê pré-candidato tucano como nome ideal para liderar bloco

Pedro Venceslau , O Estado de S.Paulo, 17 Maio 2018 | 05h00

Em uma tentativa de evitar a fragmentação dos partidos do “centro” na eleição presidencial, lideranças de PSDB, DEM, MDB e PTB uniram esforços para articular um palanque único na disputa. O movimento conta com a chancela do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) e o deputado Marcus Pestana (MG), secretário-geral do PSDB, são os primeiros signatários do manifesto intitulado “Por um polo democrático e reformista”, que será lançado em um evento na última semana de maio. O documento defende uma “urgente unidade política nas eleições”.

O projeto surgiu na semana passada, em um jantar na casa do deputado Heráclito Fortes (DEM-PI), em Brasília. Também participaram do encontro o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann (PPS-PE), o ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM-PE) e os deputados Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), Danilo Forte (PSDB-CE), José Carlos Aleluia (DEM-BA), Benito Gama (PTB-BA), além de Pestana.

O movimento surge no momento que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenta formar um bloco partidário para isolar uma possível aliança eleitoral entre o Palácio do Planalto e o ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

A maioria do grupo entende que Alckmin é, hoje, o nome com mais condições de liderar o bloco, apesar de patinar nas pesquisas de intenção de voto. A cabeça da chapa, porém, não será discutida em um primeiro momento.

“Depois do lançamento, vamos buscar em junho bilateralmente cada um dos candidatos. Esse campo vai dos liberais, como João Amoedo (Novo) e Flávio Rocha (PRB), passa por Paulo Rabelo de Castro (PSC), Rodrigo (Maia), Alckmin e Alvaro Dias (Podemos) – e, no limite, vai até a Marina Silva (Rede)”, disse Pestana.

Perigo. O manifesto, que foi obtido pelo Estado, afirma que essa eleição será a mais “complexa e indecifrável” desde a redemocratização. O texto alerta, sem citar nomes, para o risco de uma disputa polarizada entre um candidato de esquerda e o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que lidera as pesquisas de intenção de voto no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“À direita, se esboça o surgimento inédito de um movimento com claras inspirações antidemocráticas. À esquerda, um visão anacrônica alimenta utopias regressivas de um socialismo autoritário”, diz o documento. Em outro trecho, o texto afirma que a união das forças do “polo democrático” é essencial para que o futuro “não seja espelhado em experiências desastrosas como a vivenciada pelo povo venezuelano”.

O manifesto também prega reforma previdenciária, “descentralização radical”, com fortalecimento do poder local, e uma mudança estrutural no sistema tributário que promova o ajuste fiscal sem aumentar impostos.

Almoço. A bancada de deputados do PSDB participou nesta quarta-feira, 16, de um almoço na casa do presidente da Câmara. Na ocasião, o deputado Marcus Pestana apresentou uma planilha com os números do primeiro turno da eleição presidencial de 1989 para reforçar os riscos da fragmentação do centro. “Lula foi para o segundo turno com 16,6% dos votos. Brizola teve 16% e Mário Covas teve 11%”, disse o tucano.

Pestana argumentou que se os cinco candidatos com o mesmo perfil em 1989 – Guilherme Afif Domingos, Aureliano Chaves, Roberto Freire, Ulysses Guimarães e Mário Covas – tivessem se unido no primeiro turno, o resultado seria outro.

“Com mais 6%, Covas iria para segundo turno, teria grandes chances de ser eleito o presidente da República”, afirmou Pestana. Naquele ano, Fernando Collor de Mello derrotou Lula no segundo turno.

“Perguntei ao Rodrigo Maia e ao Alvaro Dias se vamos aprender com a história ou repetir os erros do passado”, afirmou Pestana.

Se a iniciativa não for bombardeada, inclusive pelo próprio Alckmin (que – no seu afã de ser presidente a qualquer custo – não quer aliados, mas cabos eleitorais) ou pelos apoiadores de candidaturas inovadoras, como a de Amoedo ou Rocha, pela esperteza (rude) de Álvaro Dias e, sobretudo, pela base militante de Marina (que continua tendo o marxismo como referência central), ela tem tudo para crescer e se afirmar como alternativa aos piores futuros políticos que se avizinham. Os cenários (do horror) que não podem se configurar, de jeito nenhum, são os seguintes no segundo turno:

Ciro x Bolsonaro

Ciro x Qualquer um do PT ou apoiado por Lula (incluindo Boulos e Manuela)

Bolsonaro x Qualquer um do PT ou apoiado por Lula (idem)

É claro que, a depender do posicionamento de Marina, os seguintes cenários de segundo turno também devem ser evitados:

Marina x Bolsonaro

Marina x Ciro

Marina x Qualquer um do PT ou apoiado por Lula

Do ponto de vista político, o problema está equacionado. Mas, evidentemente, não está solucionado. Tudo vai depender agora do bom senso e das convicções democráticas dos candidatos e dos seus apoiadores e do desempenho pré-eleitoral de cada um.


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