01 Dagobah Lula Chavez Jaduroo

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Chegou a hora de enfrentar o PT no terreno político

O PT e seus aliados de esquerda precisam ser enfrentados no campo político. Não basta torcer para que Moro e os tribunais condenem Lula e outros chefes autocráticos. Torcida não é política.

Também não basta combater o PT porque ele é corrupto. Todos os velhos partidos, em alguma medida, são corruptos. Uma cruzada moral para limpar a política de toda a corrupção vai acabar nos levando para uma bifurcação em 2018, na qual teremos de escolher entre o corrupto dito do lado do povo e o supostamente honesto considerado contra o povo; ou ficaremos na sinuca de ter de votar no menos corrupto. Isso rebaixa a política e acaba levando água para o moinho do populismo: pois se todos são corruptos, por que não Lula que, pelo menos, está preocupado com o pobre?

Chegou a hora de abandonar essas coisas e nos concentrarmos no que realmente importa: a democracia. A democracia não é um regime sem corrupção (nunca foi em nenhuma época ou lugar do mundo onde foi experimentada). A democracia é um regime sem um senhor. seja Maduro, Putin ou Erdogan (os mais novos ditadores da humanidade).

O apoio explícito e reiterado, político, moral, financeiro e operacional, dado pelo PT à ditadura assassina da Venezuela de Chávez e Maduro deve vir para o centro do debate político. Ninguém vai trazê-lo, senão nós, da oposição popular que se formou nas mídias sociais e nas ruas exigindo o impeachment de Dilma.

Se há alguma clivagem útil é esta: os que são a favor da democracia e os que apoiam ditaduras e protoditaduras. A resistência democrática deve preparar um dossiê público com todas as manifestações e notícias do engajamento dos chefes da verdadeira organização política criminosa (Lula e Dirceu, que comandam de fato o PT) e do PCdoB, PSOL, PDT e outros aliados ideológicos, como Molon e Randolfe da Rede da Marina, que contribuem para violar a vontade democrática das populações em países como Angola, Venezuela, Cuba, Nicarágua, Bolívia, Equador, El Salvador, Rússia etc. E os chamados movimentos sociais, que funcionam na verdade como correias de transmissão do PT, também fazem parte da estratégia autocratizante dos inimigos da democracia entre nós. Basta ver a foto, tirada em Cuba, por ocasião dos funerais do ditador Fidel Castro:

Cuba

Aí vai ficar mais claro a diferença entre os que querem fazer a revolução pela corrupção, para alterar o DNA da democracia brasileira – bolivarianizando (ou lulopetizando) o nosso regime – e os que se corromperam para se dar bem na vida. Ou alguém já viu Cunha e Sérgio Cabral, Temer e Aécio, fazendo isso (ou seja, desviando nosso dinheiro, da Petrobrás, do BNDES e de outras estatais, para financiar regimes antidemocráticos)?

Se o centro do debate político for este, desfaz-se a mistificação (infelizmente alimentada por procuradores da Lava Jato, como Deltan Dallganol e Carlos Fernando) de que toda corrupção é igual – a qual, ao fim e ao cabo, só favorece a volta de Lula ou a ascensão de algum autocrata de esquerda ou de direita (alguém com fama de honesto para colocar ordem na casa, igualmente maltratando a democracia). Não, não basta ser honesto. É necessário tomar a democracia como um valor.

No dia 18 de janeiro de 2008 (portanto, há quase uma década) publiquei na página 3 da Folha de S. Paulo o artigo Lula, o “venezuelano”, mostrei que são os bolsões de pobreza que garantem a eleição de populistas e que Lula, na verdade, não quer acabar com a pobreza, senão mantê-la e administrá-la, gerando uma imensa clientela de pré-cidadãos Estado-dependentes. Mostrei ainda que Lula é um “venezuelano” que quer, mas não pode se comportar como Chávez. Se tentasse “chavecar” por aqui, o problema estaria resolvido. Nossa sociedade, bem mais complexa, rejeitaria de pronto o tiranete. Lula é o Chávez possível nas condições do Brasil.

Leiam o artigo. Contribui para o esforço de levantar o comprometimento histórico do PT com as ditaduras. Naquela época Venezuela ainda era uma protoditadura, mas avançou rapidamente para se converter em uma ditadura assassina com o apoio de Cuba e do PT e seus aliados.

Reproduzo abaixo alguns trechos do artigo:

Lula, o “venezuelano”, acha que democracia é o regime da maioria (e não o das múltiplas minorias). Não sou eu que estou dizendo.

No dia 20/4/2005, Lula discursou em um congresso de trabalhadores: “É importante saber o que nós éramos há três anos e o que nós somos agora… O que aconteceu no Brasil… o que aconteceu no Equador, o que aconteceu na Venezuela, que foi já um pouco mais para frente (sic), e o que pode acontecer na evolução política de outros países do continente…”.

No dia 29/9/2005, em outro discurso, este no Palácio do Planalto, disparou: “Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela. Um presidente que ganha as eleições, faz uma Constituição e propõe um referendo para ele mesmo; faz um referendo e ganha as eleições outra vez. Ninguém pode acusar aquele país de não ter democracia. Poder-se-ia até dizer que tem excesso”.

No dia 7/6/2007, numa entrevista a esta Folha, na embaixada do Brasil em Berlim, Lula disse: “O fato de ele (Chávez) não renovar a concessão (da RCTV) é tão democrático quanto dar. Não sei por que a diferença entre dois atos democráticos”.

E no dia 14/11/2007, em outra entrevista, no Itamaraty, ele reafirmou: “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não é”.

Seria preciso dizer mais? Muita atenção, porém: Lula é um “venezuelano” que quer, mas não pode se comportar como Chávez. Se tentasse “chavecar” por aqui, o problema estaria resolvido. Nossa sociedade, bem mais complexa, rejeitaria de pronto o tiranete. Lula é o Chávez possível nas condições do Brasil.

Dizendo de outro modo, o Brasil não é uma ditadura – nem mesmo uma protoditadura como a Venezuela [na época da publicação do artigo] -, mas uma democracia formal parasitada por um regime neopopulista manipulador, em que um grupo privado que ascendeu ao poder pelo voto, com base na alta popularidade de seu líder, tenta permanecer no poder sem violar abertamente a legalidade democrática, mas pervertendo a política e degenerando as instituições para manipular a opinião pública e as leis a seu favor.

Não ter entendido a natureza desse governo e o caráter do seu líder foi a desgraça das nossas oposições. 

Pois é. Não há como esconder esta natureza ditatorial do PT. É hora de mostrar tudo isso à população vis-à-vis ao massacre de pessoas pacíficas que Maduro está cometendo na Venezuela.


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