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Como as democracias morrem – 3. A grande abdicação republicana

Estamos publicando, em capítulos, a tradução em português do livro How Democracies Die, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018), dois cientistas políticos da Universidade de Harvard, sobre como os líderes eleitos podem subverter gradualmente o processo democrático para aumentar seu poder. O livro estava na lista de bestsellers do The New York Times. A tradução – Como as democracias morrem – é de Renato Aguiar e foi publicada pela Zahar (Rio de Janeiro, 2018).

Já foram publicados:

Introdução

Capítulo 1

Capítulo 2

Segue abaixo o Capítulo 3.

3. A grande abdicação republicana

EM 15 DE JUNHO DE 2015, o incorporador imobiliário e estrela de reality show Donald Trump desceu de elevador até o saguão do seu próprio edifício, a Trump Tower, para fazer um comunicado. Ele iria concorrer à Presidência da República. Na época, ele era apenas mais um candidato azarão, que pensava que sua fortuna e celebridade poderiam lhe render uma chance ou, no mínimo, permitir que ele se aquecesse à luz dos holofotes durante alguns meses. Como seu colega empresário Henry Ford um século antes, Trump defendia algumas opiniões extremistas – sua experiência mais recente em política tinha sido como adepto do chamado “movimento birther”, que questionava se o presidente Barack Obama de fato nascera nos Estados Unidos. Até onde a mídia e figuras políticas mais importantes o levassem a sério, seria para denunciá-lo.

Contudo, o sistema das primárias abrira o processo de indicação presidencial como nunca antes na história dos Estados Unidos. E aberturas têm sempre dois lados. Nesse novo ambiente, uma gama mais ampla de políticos, de George McGovern a Barack Obama, podia agora concorrer seriamente à Presidência. Mas a janela também estava aberta para verdadeiros outsiders (1) – indivíduos que nunca exerceram mandato eletivo. Nos 23 anos entre 1945 e 1968, sob o velho sistema de convenções, somente um único outsider (Dwight Eisenhower) buscou publicamente indicação, considerando ambos os partidos. Em contraste, durante as duas primeiras décadas do sistema de primárias, de 1972 a 1992, oito outsiders concorreram (cinco democratas e três republicanos), uma média de 1,25 por eleição; e, entre 1996 e 2016, dezoito outsiders competiram nas primárias de um dos dois partidos – uma média de três por eleição. Treze desses candidatos eram republicanos.

O sistema de primárias pós-1972 era especialmente vulnerável a um tipo particular de outsider: indivíduos com fama ou dinheiro o bastante para passar ao largo da “primária invisível” (2). Em outras palavras, celebridades. Embora outsiders conservadores como Pat Robertson, Pat Buchanan e Steve Forbes não tenham conseguido superar os efeitos da primária invisível durante os anos 1980 e 1990, seu sucesso relativo deu indicações de como isso poderia ser feito. Forbes, um homem de negócios extremamente rico, era capaz de comprar o reconhecimento de seu nome, enquanto Robertson, um televangelista que fundou a Christian Broadcasting Network, e Buchanan, um comentarista de televisão (um defensor precoce do nacionalismo branco republicano), eram ambos figuras pitorescas com aceso à mídia. Embora nenhum deles tenha conseguido a indicação, todos usaram sua enorme riqueza e seu status de celebridade para se viabilizarem como competidores.

No fim das contas, porém, os outsiders celebridades sempre fracassaram. Então, naquela tarde de começo de verão no saguão dourado da Trump Tower, não parecia haver motivo para pensar que as coisas pudessem ser diferentes. Para ganhar a indicação, Trump teria que competir numa intricada rede de convenções e primárias contra dezesseis outros candidatos. Muitos dos seus rivais se gabavam do tipo de currículo que tinha sido a marca registrada de candidatos bem-sucedidos no passado. À frente do grupo estava o governador da Flórida, Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes. Havia outros governadores, como os do Wisconsin, Scott Walker, da Louisiana, Bobby Jindal, de Nova Jersey, Chris Christie, e de Ohio, John Kasich, além de várias estrelas republicanas ascendentes – políticos mais jovens, ligados à mídia, como os senadores Marco Rubio e Rand Paul, que esperavam replicar a via rápida de Barack Obama para a Presidência. O Texas, pátria de três dos oito últimos presidentes eleitos, apresentou mais dois candidatos: o senador Ted Cruz e o ex- governador Rick Perry. Além de Trump, dois outros outsiders entraram na disputa: a empresária Carly Fiorina e o neurocirurgião Ben Carson.

Trump não podia esperar ganhar o apoio do establishment. Não só ele não tinha nenhuma experiência política, como nem sequer era um republicano de toda a vida. Enquanto Bush, Rubio, Cruz, Christie, Walker e Kasich tinham todos raízes republicanas profundas, Trump havia mudado seu registro de filiação partidária várias vezes, tendo inclusive contribuído para a campanha de Hillary Clinton ao Senado.

Mesmo depois que ele começou a crescer abruptamente nas pesquisas, poucas pessoas levaram sua candidatura a sério. Em agosto de 2015, dois meses depois de Trump anunciar sua candidatura, os agenciadores de apostas em Las Vegas davam a ele uma chance em cem de ganhar a corrida para a Casa Branca (3). E, em novembro de 2015, quando Trump estava no topo das pesquisas republicanas, Nate Silver, fundador do blog FiveThirtyEight, cujas previsões acuradas nas eleições de 2008 e 2012 lhe valeram fama e prestígio, escreveu um artigo intitulado “Querida mídia: Pare de viajar nos números de pesquisa de Donald Trump”. O artigo previa que a fragilidade de Trump entre os insiders do partido significaria o seu fim. Apesar da aparente ampla vantagem de Trump, nos garantiu Silver, suas chances de ser indicado eram “consideravelmente inferiores a 20%” (4).

Contudo, o mundo havia mudado. Os guardiões do partido eram apenas uma sombra do que tinham sido, por duas razões principais. Uma foi o aumento dramático da disponibilidade de dinheiro de fora, acelerada (mas não tanto causada) pela decisão “Cidadãos Unidos”, da Suprema Corte, em 2010 (5). Hoje, mesmo candidatos presidenciais periféricos – Michele Bach-mann, Herman Cain, Howard Dean, Bernie Sanders – podem levantar grandes somas em dinheiro, seja encontrando o seu próprio financiador bilionário ou através de pequenas doações via internet. A proliferação de candidatos bem- financiados nas primárias indicava um ambiente político mais aberto e fluido.

O outro grande responsável por diminuir o poder dos guardiões tradicionais foi a explosão da mídia alternativa, sobretudo noticiários de TV a cabo e redes sociais (6). Enquanto o caminho para o reconhecimento nacional de um nome passava antes por relativamente poucos canais estabelecidos, os quais favoreciam mais políticos do establishment que extremistas, o novo ambiente midiático facilita que celebridades alcancem o reconhecimento de seus nomes – e apoio público – praticamente da noite para o dia (7). Isso foi particularmente verdadeiro no lado republicano, no qual o surgimento da Fox News e de personalidades influentes em programas de rádio – o que o comentarista David Frum chama de “complexo de entretenimento conservador” (8) – radicalizou os eleitores conservadores (9), favorecendo os candidatos de ideologia extrema. Esse movimento impulsionou fenômenos como Herman Cain, ex-diretor geral da Godfather Pizza e apresentador de rádio que disparou para o topo das pesquisas republicanas no final de 2011, antes de fazer água por causa de um escândalo.

O processo de indicação estava agora inteiramente aberto. Embora não se possa dizer que as regras do jogo assegurassem a ascensão de figuras ao estilo Trump, elas já não eram mais capazes de impedi-la. Como num jogo de roleta-russa, as chances de um outsider extremista sequestrar a nomeação para concorrer à Presidência eram maiores do que nunca.

EMBORA MUITOS FATORES tenham contribuído para o sucesso político atordoante de Trump, sua ascensão à Presidência é, em boa medida, uma história de guarda ineficaz dos portões (10). Os guardiões do partido falharam em três momentos cruciais: a “primária invisível”, as primárias propriamente ditas e a eleição geral.

Trump acabou em último por larga margem na primária invisível. Quando a temporada das primárias de verdade começou, em 1o de fevereiro de 2016, no dia da convenção de Iowa, ele não tinha endosso entre os caciques republicanos. Com o apoio de governadores, senadores e representantes parlamentares, na convenção de Iowa Jeb Bush ganhou com 31 endossos. Marco Rubio ficou em segundo, com 27. Ted Cruz em terceiro, com 18, seguido por Rand Paul, com 11. Chris Christie, John Kasich, Mike Huckabee, Scott Walker, Rick Perry e Carly Fiorina ganharam mais endossos do que Trump (11). Por todo e qualquer padrão de sensatez, portanto, a candidatura de Trump era um desastre. Fosse a história realmente um guia, sua liderança nas pesquisas se dissiparia de maneira inevitável.

O desempenho de Trump na disputa no primeiro estado, Iowa – 24%, bom para um segundo lugar –, pouco fez para alterar as expectativas. Afinal, os outsiders Pat Robertson (25% dos votos em 1988), Pat Buchanan (23% em 1996) e Steve Forbes (31% em 2000) tinham acabado todos em segundo em Iowa, mas definharam logo depois.

Então, Trump fez algo que nenhum outsider tinha feito: ganhou com facilidade as primárias subsequentes em New Hampshire e na Carolina do Sul. Mesmo assim, ele foi mantido à distância pelo establishment do partido. No dia da vitória na primária da Carolina do Sul, Trump ainda não tinha um único endosso de nenhum republicano governador, senador ou congressista em exercício (12). Foi só depois de ganhar na Carolina do Sul que ele conquistou seus primeiros apoiadores: os deputados Duncan Hunter (Califórnia) e Chris Collins (Nova York). Mesmo quando seguiu desbaratando rivais republicanos nos locais de votação, Trump nunca conquistou um número substancial de endossos. Quando o período de primárias acabou, ele tinha 46 – menos de um terço do total de Marco Rubio e quase tantos quanto a campanha de Bush, já encerrada fazia tempo (13).

No momento em que Trump avançava para a vitória nas primárias da Super Terça em 1o de março, já estava claro que ele tinha arruinado a primária invisível, tornando-a irrelevante. Sem dúvida, seu status de celebridade influenciou. Contudo, a mudança no cenário da mídia foi igualmente importante. Desde o começo da campanha, Trump contou com a simpatia ou o apoio de personalidades da mídia de direita como Sean Hannity, Ann Coulter, Mark Levin e Michael Savage, assim como do cada vez mais influente site de notícias Breitbart News (14). Embora a princípio tenha tido uma relação contenciosa com a Fox News, Trump colheu os benefícios do cenário polarizado da emissora.

Trump também descobriu novas maneiras de usar a velha mídia como um substituto dos endossos do partido e das despesas tradicionais de campanha (15). “Candidato com qualidades singularmente talhadas para a era digital” (16), Trump atraía coberturas gratuitas da mídia convencional criando controvérsias. Segundo uma estimativa, as contas de Twitter de MSNBC, CNN, CBS e NBC – quatro meios que ninguém pode acusar de inclinações pró-Trump – mencionaram Trump duas vezes mais que sua rival nas eleições gerais, Hillary Clinton. Segundo outro estudo, Trump desfrutou de 2 bilhões de dólares de cobertura gratuita da mídia durante as primárias (17). Como líder absoluto na cobertura gratuita dos veículos tradicionais e filho preferido de grande parte da mídia alternativa de direita, Trump não precisou dos caciques republicanos tradicionais. Os guardiões da primária invisível não eram apenas invisíveis: em 2016, eles tinham abandonado por completo os portões.

Depois das vitórias de Trump na Super Terça, o pânico se instalou no establishment republicano. Insiders proeminentes e líderes de opinião conservadores começaram a apresentar argumentos contra Trump. Em março de 2016, o ex-candidato republicano Mitt Romney fez um discurso no Instituto Hinckley de Política que chamou muita atenção, descrevendo Trump como um perigo tanto para o Partido Republicano quanto para o país. Ecoando o discurso “Tempo de escolher” de Ronald Reagan em 1964, Romney declarou que Trump era uma fraude que não tinha “nem temperamento nem discernimento para ser presidente”. Outros veteranos do partido, como o senador Lindsey Graham e o candidato de 2008, John McCain, advertiram contra Trump. E publicações conservadoras de peso, entre as quais a National Review e a Weekly Standard, rejeitaram Trump em termos duros. Ainda assim, o movimento #NeverTrump sempre foi mais conversa do que ação. Na verdade, o sistema de primárias deixou os líderes republicanos praticamente desarmados para deter a ascensão de Trump. A torrente de ataques teve pouco impacto e talvez tenha exercido efeito contrário no local onde realmente importava: a cabine de votação.

A inefetividade dos líderes republicanos ficou evidente na Convenção Nacional em julho de 2016, em Cleveland. No período imediatamente anterior à convenção, havia se falado sobre impasses na votação, sobre convencer delegados comprometidos a votarem em outro candidato. No final de junho, um grupo chamado Delegates Unbound começou a divulgar uma propaganda de televisão em rede nacional dizendo aos delegados republicanos que eles não tinham um compromisso legal com Trump e instando-os a abandoná-lo. Grupos como Free The Delegates, Corageous Conservatives e Save Our Party lideraram uma campanha para que o Painel de Regulamentos de 112 membros do Comitê Nacional Republicano modificasse as regras que vinculavam delegados a candidatos, liberando-os para votar como faziam antes da reforma de 1972. Todos esses esforços deram em nada; na verdade, nunca tiveram uma chance.

A ideia de que a indicação pudesse ser tirada de Trump na convenção era pura ilusão. No sistema baseado em primárias que temos agora, a votação confere aos candidatos uma legitimidade que não pode ser facilmente contornada nem ignorada, e Donald Trump tinha os votos – quase 14 milhões de votos. Como disse Cindy Costa, membro do Comitê Nacional Republicano da Carolina do Sul: “Trump ganhou justa e honestamente.” Entregar a indicação para qualquer outro teria criado um “grandioso caos” (18). Os líderes republicanos foram obrigados a encarar a realidade: eles não tinham mais controle sobre a indicação presidencial do seu partido.

COM O DESLOCAMENTO do campo de batalha para a eleição geral, tornou- se claro que não se tratava de uma corrida comum. Muito simplesmente, Donald Trump não era um candidato comum. Não só era inexperiente de maneira singular – nenhum presidente dos Estados Unidos que não fosse um general bem-sucedido jamais fora eleito sem ter exercido um cargo eletivo ou de gabinete –, mas sua demagogia, suas visões extremistas sobre imigrantes e muçulmanos, sua disposição de violar normas básicas de civilidade e sua exaltação de Vladimir Putin e outros ditadores geraram constrangimento em grande parte da mídia e do establishment político. Teriam os republicanos indicado um aspirante a ditador? Era impossível saber com certeza. Muitos republicanos se apegaram ao dito segundo o qual os críticos de Trump o tomavam literalmente, mas não seriamente, enquanto seus apoiadores o tomavam seriamente, mas não literalmente. Sua retórica de campanha, segundo essa visão, era de “meras palavras”.

Sempre há incerteza sobre como um político sem histórico vai se comportar no cargo, mas, como foi observado antes, líderes antidemocráticos são muitas vezes inidentificáveis antes de chegarem ao poder. Mesmo antes de sua posse, contudo, Trump deu resultado positivo nos quatro parâmetros de nosso teste para autocratas.

O primeiro sinal é um compromisso débil com as regras do jogo democrático. Trump caiu nesse parâmetro quando questionou a legitimidade do processo eleitoral e deixou no ar a sugestão sem precedentes de que poderia não aceitar os resultados da eleição de 2016. Os níveis de fraude eleitoral nos Estados Unidos são muito baixos (19), e, como as eleições são administradas por governos estaduais e locais, é efetivamente impossível coordenar fraudes eleitorais em âmbito nacional. Porém, ao longo de toda a campanha de 2016, Trump insistiu que milhões de imigrantes ilegais e de pessoas mortas nos cadastros eleitorais seriam mobilizados para votar em Clinton (20). Durante meses, seu site de campanha declarou: “Me ajudem a impedir que a desonesta da Hillary fraude essa eleição!” (21). Em agosto, Trump disse a Sean Hannity: “É melhor nós termos cuidado, porque essa eleição vai ser fraudada… Espero que os republicanos estejam vigiando de perto, ou eles vão nos tirar a eleição” (22). Em outubro, ele postou no Twitter: “É claro que há fraude em larga escala no cadastramento antes e no dia da eleição!” (23). No último debate presidencial, Trump se recusou a dizer se aceitaria ou não o resultado da eleição se fosse derrotado.

Segundo o historiador Douglas Brinkley, nenhum candidato presidencial de peso havia lançado esse tipo de dúvida sobre o sistema democrático desde 1860. Só durante o período imediatamente anterior à Guerra Civil foi que vimos políticos de expressão “deslegitimando o governo federal” dessa maneira. Como formula Brinkley: “Essa motivação é secessionista, revolucionária. É de alguém que definitivamente está tentando virar a mesa” (24). E as palavras de Trump importavam – muito. Uma pesquisa da Politico/Morning Consult realizada em meados de outubro revelou que 41% dos norte- americanos e 73% dos republicanos acreditavam que a eleição pudesse ser roubada de Trump (25). Em outras palavras, três em cada quatro republicanos já não tinham mais certeza de que estavam vivendo sob um sistema democrático de eleições livres.

A segunda categoria em nossa prova dos nove é a negação da legitimidade dos oponentes. Políticos autoritários descrevem seus rivais como criminosos, subversivos, impatrióticos ou como uma ameaça à segurança nacional ou ao modo de vida existente. Trump também está em consonância com este critério. Em primeiro lugar, ele tinha sido um “birther” (26) questionando a legitimidade da Presidência de Barack Obama ao sugerir que ele tinha nascido no Quênia e era muçulmano, o que para muitos de seus apoiadores equivale a ser “não americano”, contrário aos princípios ou instituições do país. Durante a campanha de 2016, Trump negou a legitimidade de Hilary Clinton como rival, estigmatizando-a como “criminosa” e declarando repetidas vezes que ela “tinha que ir para a cadeia” (27). Em comícios de campanha, ele aplaudia apoiadores que cantavam “Cadeia nela!”.

O terceiro critério é tolerância ou encorajamento à violência. A violência sectária é com grande frequência um elemento precursor de colapsos democráticos. Exemplos proeminentes incluem os camisas- negras na Itália, os camisas-marrons na Alemanha e o surgimento de guerrilhas de esquerda no Uruguai. No último século, nenhum candidato presidencial democrata ou republicano jamais endossou a violência (George Wallace fez isso, mas era candidato de um terceiro partido). Trump rompeu com esse modelo. Durante a campanha, ele não apenas tolerava manifestações de violência entre seus apoiadores, mas por vezes parecia regalar-se com elas. Numa ruptura radical com as normas de civilidade, Trump abraçou apoiadores que agrediram fisicamente pessoas que protestavam contra eles. Ele se ofereceu para pagar os custos de defesa de um eleitor que atacou pelas costas com um soco e ameaçou de morte um manifestante num comício em Fayetteville, Carolina do Norte (28). Em outras ocasiões, ele respondeu a manifestantes que protestavam em seus comícios incitando a violência de seus apoiadores. Eis a seguir alguns exemplos, compilados pela Vox (29):

Se você vir alguém se preparando pra jogar um tomate, enfia a porrada, tá certo? Sério. Enfia a porrada, só isso. Eu prometo que pago a conta dos advogados. Prometo. (1o de fevereiro de 2016, Iowa)

Eu adoro os velhos tempos. Sabe o que eles faziam com essa gente quando eles entravam num lugar como este aqui? Eles saíam carregados numa maca, pessoal. É verdade… Eu queria dar um soco na cara dele, posso garantir. (22 de fevereiro de 2016, Nevada)

Nos bons tempos, o pessoal o arrancaria daquela cadeira sem pestanejar. Hoje, todo mundo é politicamente correto. Nosso país está indo pro inferno sendo politicamente correto. (26 de fevereiro de 2016, Oklahoma)

Vai embora daqui. Cai fora. Fora! Isso é incrível. Divertido demais. Eu adoro. A gente não está se divertindo? Estados Unidos, Estados Unidos, Estados Unidos! Certo, botem esse cara pra fora. Tentem não machucá-lo. Se machucarem, eu banco a defesa no tribunal. Não se preocupem com isso… A gente tinha quatro caras, eles pularam em cima dele, aí ficaram batendo, socando. No dia seguinte, detonaram a gente na imprensa – dizendo que somos uns brutos. Dá um tempo. Vocês sabem como é que é, né? A gente não quer mais ser politicamente correto. Tá certo, gente? (4 de março de 2016, Michigan)

Nós tínhamos um pessoal, uns caras durões, bem como temos aqui agora. E eles começaram a reagir, a bater de volta. Foi bonito de ver. Quer dizer, eles começaram a reagir. Nos velhos tempos, isso não acontecia, porque eles os tratavam muito, muito mal. E, tendo protestado uma vez, sabe como é, não ia ser fácil eles protestarem de novo. Mas hoje, eles entram e levantam a mão e mostram o dedo médio pra todo mundo, e se safam sem o menor problema, porque viramos gente fraca. (9 de março de 2016, Carolina do Norte)

Em agosto de 2016, Trump deu um apoio velado à violência contra Hillary Clinton, dizendo a seus eleitores num comício em Wilmington, Carolina do Norte, que um indicado por Clinton para a Suprema Corte poderia resultar na abolição do direito de portar armas. E continuou: “Se ela chegar a escolher seus juízes, não há nada que vocês possam fazer, pessoal… Embora a Segunda Emenda, gente… talvez haja, não sei” (30).

O último aviso é uma tendência a restringir liberdades civis de rivais e críticos. Uma coisa que distingue autocratas de líderes democráticos contemporâneos é sua intolerância à crítica e a disposição de usar seu poder para punir aqueles que – na oposição, na mídia ou na sociedade civil – venham a criticá-los. Donald Trump exibiu essa propensão em 2016. Ele disse que planejava fazer arranjos para que um promotor especial investigasse Hillary Clinton após a eleição e declarou que ela devia ser presa (31). Trump também ameaçou reiteradamente punir a mídia hostil. Num comício em Fort Worth, Texas, por exemplo, ele atacou o proprietário do Washington Post, Jeff Bezos, declarando: “Se eu for presidente, ah, eles vão mesmo ter problemas. Eles vão ter problemas graves” (32). Dizendo que a mídia está “entre os grupos mais desonestos de pessoas que eu jamais conheci”, Trump declarou:

Vou ampliar o escopo de nossas leis de calúnia e difamação para que, quando eles escreverem artigos propositadamente negativos, horríveis e falsos, nós possamos processá-los e ganhar muito dinheiro… Para que quando o New York Times escrever matérias tendenciosas tentando mudar a opinião das pessoas, o que é uma desgraça total, ou quando o Washington Post… escrever uma dessas matérias, nós possamos processá-los… (33)

Com exceção de Richard Nixon, nenhum candidato democrata ou republicano jamais preencheu sequer um desses quatro critérios ao longo do último século. Como mostra a Tabela 2, Donald Trump cumpriu todos eles. Nenhum outro candidato presidencial decisivo na história moderna dos Estados Unidos, nem mesmo Nixon, demonstrou um compromisso público tão frágil com direitos constitucionais e normas democráticas. Trump era precisamente o tipo de figura que assombrava Hamilton e outros fundadores quando eles criaram a Presidência americana.

TABELA 2. Donald Trump e os quatro principais indicadores de comportamento autoritário

É a mesma Tabela 1 (já publicada, convertida em texto, no Capítulo 1 desta série)

Tudo isso deveria ter disparado os dispositivos de alarme. O processo de primárias tinha falhado em seu papel de guardião da democracia e permitido que um homem desqualificado para o cargo concorresse como candidato de um partido de expressão. Contudo, como poderiam os republicanos ter reagido nesse estágio? Lembrem-se das lições dos colapsos democráticos na Europa dos anos 1930 e na América do Sul nos anos 1960 e 1970: quando as instituições guardiãs fracassam, os políticos das tendências estabelecidas têm de fazer todo o possível para manter figuras perigosas longe dos centros de poder.

A ABDICAÇÃO COLETIVA – a transferência da autoridade para um líder que ameaça a democracia – costuma emanar de uma de duas fontes. A primeira é a crença equivocada de que uma figura autoritária pode ser controlada ou domesticada. A segunda é o que o sociólogo Ivan Ermakoff chama de “conluio ideológico” (34), em que a agenda autoritária se sobrepõe à dos políticos das tendências predominantes a ponto de a abdicação ser desejável ou pelo menos preferível às alternativas. Porém, quando confrontados com um autoritário em potencial, os políticos do establishment têm de rejeitá-lo de maneira categórica para defender as instituições democráticas – mesmo que isso signifique juntar forças temporariamente com rivais acerbos (35).

Para os republicanos participantes da eleição geral de 2016, as implicações eram claras. Se Trump ameaçava princípios democráticos básicos, eles tinham que pará-lo. Fazer qualquer outra coisa poria a democracia em risco, e perder a democracia é pior do que perder uma eleição. Isso significava fazer o que para muitos era impensável: apoiar Hillary Clinton para presidente. Os Estados Unidos têm um sistema bipartidário; só dois candidatos tinham chance de ganhar a eleição de 2016, e um deles era um demagogo. Para os republicanos, isso pôs à prova a sua coragem política. Aceitariam eles o sacrifício político no curto prazo em nome do bem do país?

Como já mostramos, essa atitude tem um precedente. Em 2016, os conservadores austríacos apoiaram o candidato do Partido Verde, Alexander Van der Bellen, para impedir a eleição do radical de extrema direita Norbert Hofer. E, em 2017, o candidato conservador derrotado François Fillon convocou seus partidários a votar no candidato de centro-esquerda Emmanuel Macron, visando manter a candidata de extrema direita, Marine Le Pen, fora do poder. Em ambos os casos, políticos de direita endossaram rivais ideológicos (36) – irritando grande parte da base do seu partido, mas redirecionando números substanciais da sua votação para manter extremistas longe do poder.

Alguns republicanos de fato apoiaram Hillary Clinton com base na avaliação de que Donald Trump era perigosamente inadequado para o cargo. Como seus colegas conservadores austríacos e franceses, eles julgaram de importância vital colocar seus interesses partidários de lado em função de um compromisso compartilhado com a democracia. Eis aqui o que três deles disseram:

Republicano 1: “Nossa escolha nesta eleição não poderia ser mais clara – Hillary Clinton é uma forte e clara defensora dos interesses da democracia americana… Donald Trump é um perigo para a nossa democracia” (37).

Republicano 2: “Está na hora… de pôr o país à frente do partido e votar na secretária Clinton. Trump é perigoso demais e desqualificado demais para ocupar o cargo mais alto da nação” (38).

Republicano 3: “Isto é coisa séria e eu não vou desperdiçar meu voto em um candidato de protesto. Como o futuro do país pode depender de impedir Donald Trump de se tornar presidente, eu estou com ela [Clinton] neste novembro e insto os republicanos a se juntarem a mim” (39).

Tivessem essas declarações sido feitas pelo presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, pelo líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, pelo ex-presidente George W. Bush, ou talvez por um trio de senadores tão destacados como John McCain, Marco Rubio e Ted Cruz, o curso da eleição de 2016 teria mudado de maneira dramática. Infelizmente, elas foram feitas por William Pierce (40), ex-secretário de imprensa de Olympia Snowe, senadora aposentada do Maine (Republicano 1); Jack McGregor, ex-senador pelo estado da Pensilvânia (Republicano 2); e por Rick Stoddard, um banqueiro republicano de Denver (Republicano 3).

Políticos republicanos de grande alcance nacional como Paul Ryan, Mitch McConnell, Marco Rubio e Ted Cruz endossaram Donald Trump. As únicas figuras republicanas com alguma projeção que endossaram Hillary Clinton foram políticos aposentados ou ex-membros do governo – pessoas que não estavam planejando competir em eleições futuras e que, politicamente, nada tinham a perder. Na véspera da eleição, o Washington Post publicou uma lista de 78 republicanos que endossaram Clinton publicamente (41). Apenas um deles, o congressista Richard Hanna, de Nova York, era um representante eleito. E ele estava se aposentando. Nenhum governador republicano figurava na lista. Nenhum senador. E apenas um membro do Congresso (em vias de se aposentar).

Um punhado de líderes republicanos ativos, inclusive os senadores McCain, Mark Kirk, Susan Collins, Kelly Ayotte, Mike Lee, Lisa Murkowski e Ben Sasse, os governadores John Kasich e Charlie Baker e os ex-governadores Jeb Bush e Mitt Romney, se recusaram a endossar Trump. O ex-presidente George W. Bush permaneceu em silêncio. Nenhum deles, entretanto, se mostrou disposto a endossar Clinton.

Em resumo, a maioria dos líderes republicanos acabou sustentando a linha do partido. Se tivessem rompido decisivamente com Trump, dizendo aos norte-americanos alto e bom som que ele representava uma ameaça para as apreciadas instituições de nosso país, e se, com base nisso, eles tivessem endossado Hillary Clinton, Donald Trump poderia nunca ter ascendido à Presidência. Na França, estima-se que metade dos eleitores do Partido Republicano de François Fillon, de tendência conservadora, seguiu o seu surpreendente apoio a Macron (42); cerca de um terço deles se absteve, restando por volta de um sexto dos simpatizantes de Fillon que votaram em Le Pen, fazendo uma enorme diferença, pode-se argumentar, na eleição. Nos Estados Unidos, não temos nenhuma maneira de saber como os eleitores republicanos teriam se dividido. Alguns eleitores da base, talvez até mesmo a maioria, poderia ainda assim ter votado em Trump. Contudo, um número bastante grande teria mudado de opinião à imagem dos dois partidos se unindo para assegurar a derrota de Trump.

O que aconteceu, tragicamente, foi muito diferente. Apesar de muita hesitação, a maioria dos republicanos cerrou fileira atrás de Trump, criando a imagem de um partido unificado. Isso, por sua vez, normalizou a eleição. Em vez de um momento de crise, a eleição se tornou uma disputa bipartidária padrão, com republicanos apoiando o candidato republicano e democratas apoiando o candidato democrata.

Essa mudança se mostrou altamente significativa em suas consequências. Uma vez que a eleição se tornou uma disputa normal, tratava-se essencialmente de um cara ou coroa, por duas razões. Primeiro, a intensificação da polarização partidária produziu um endurecimento do eleitorado nos anos recentes. Não só o país ficou cada vez mais dividido em republicanos e democratas, com poucos eleitores independentes ou de opinião flutuante, como republicanos e democratas se tornaram cada vez mais leais aos seus partidos – e hostis ao outro (43). Os eleitores ficaram menos flexíveis, tornando o tipo de eleição esmagadora que vimos em 1964 e 1972 muito menos provável. Pouco importa quais tenham sido os candidatos nos anos 2000, as eleições estavam fechadas.

Em segundo lugar, considerando o estado desequilibrado da economia e os índices de aprovação medianos do presidente Obama, quase todos os modelos de ciência política prediziam uma eleição apertada. A maioria previa a vitória por margem estreita de Clinton no voto popular, mas alguns previam a vitória apertada de Trump. Em todo caso, os modelos convergiam na previsão de uma corrida muito disputada (44). Em eleições do tipo cara ou coroa, as coisas podem ir para um lado ou para o outro. Elas giram em torno de acontecimentos contingentes – de acidentes da história. Nesse contexto, “surpresas de outubro” podem ter um ônus pesado. Portanto, quando um vídeo recém-divulgado pinta um candidato sob uma luz negativa ou uma carta de um diretor do FBI lança dúvidas sobre a credibilidade do outro candidato, meu voto pode fazer toda a diferença.

Tivessem os líderes republicanos se oposto publicamente a Trump, a dinâmica azul versus vermelho das quatro eleições anteriores teria sido rompida. O eleitorado republicano teria se dividido – alguns seguindo as advertências dos líderes do partido e outros fechando com Trump. Contudo, a derrota de Trump teria exigido a defecção de apenas uma fração dos eleitores republicanos. Em vez disso, a eleição foi normalizada. A corrida se estreitou. Trump venceu.

Notas

1. Com “outsiders” queremos dizer candidatos que nunca ocuparam um cargo eletivo ou posto de gabinete. Contamos todos os candidatos que ou bem participaram de uma primária ou cujo nome foi colocado em disputa numa convenção. Agradecemos a Fernando Bizzarro por sua assistência na compilação desses dados.

2. Para uma explicação detalhada de por que foi assim, ver Cohen, Karol, Noel e Zaller, The Party Decides.

3. James Ceaser, Andrew Busch e John Pitney Jr., Defying the Odds: The 2016 Elections and American Politics (Washington, DC: Rowman & Littlefield, 2017), p.69.

4. Nate Silver, “Dear Media: Stop Freaking Out About Donald Trump’s Polls”, FiveThirtyEight, 23 nov 2015. Disponível em:
<http://fivethirtyeight.com/features/dear-media-stop-freaking-out-about-donald-trumps-polls>.

5. Marty Cohen, David Karol, Hans Noel e John Zaller, “Party Versus Faction in the Reformed Presidential Nominating System”, PS (out 2016), p.704-5; Theda Skocpol e Alex Hertel-Fernandez, “The Koch Network and Republican Party Extremism”, Perspectives on Politics 14, n.3 (2016), p.681-99.

6. Ibid., p.705.

7. Ibid., p.703-4.

8. David Frum, “The Great Republican Revolt”, The Atlantic, 9 set 2015.

9. Ver Matthew Levendusky, How Partisan Media Polarize America (Chicago: University of Chicago Press, 2013); Cass R. Sunstein, #Republic: Divided Democracy in the Age of Social Media (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2017).

10. Ver John Sides, Michael Tesler e Lynn Vavreck, Identity Crisis: The 2016 Presidential Campaign and the Battle for the Meaning of America (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2018).

11. “The Endorsement Primary”, FiveThirtyEight, 7 jun 2016. Disponível em:
<https://projects.fivethirtyeight.com/2016-endorsement-primary>.

12. Idem.

13. Idem.

14. Entre republicanos, em comparação com os apoiadores de candidatos republicanos rivais, mais que o dobro de apoiadores de Trump arrolou a Breirbart News como a sua principal fonte noticiosa. Ver Pew Research Center, “Trump, Clinton Voters Divided in Their Main Source for Election News”, 18 jan 2017, p.3, 5.

15. Ver Sides, Tesler e Vavreck, Identity Crisis, cap.4.

16. Nathaniel Persily, “The 2016 U.S. Election: Can Democracy Survive the Internet?”, Journal of Democracy, abr 2017, p.67.

17. Idem.

18. “Why the Never Trump Movement Failed at the Republican National Convention”, ABCNews.com, 20 jul 2016.

19. Sobre fraude eleitoral nos Estados Unidos, ver Richard L. Hasen, The Voting Wars: From Florida 2000 to the Next Election Meltdown (New Haven, CT: Yale University Press, 2012) e Lorraine C. Minnite, The Myth of Voter Fraud (Ithaca, NY: Cornell University Press, 2010). Sobre a ausência de fraudes na eleição de 2016, ver Jessica Huseman e Scott Klein, “There’s No Evidence Our Election Was Rigged”, ProPublica, 28 nov 2016.

20. Darren Samuelsohn, “A Guide to Donald Trump’s ‘Rigged’ Election”, Politico, 25 out 2016.

21. Idem.

22. Jeremy Diamond, “Trump: ‘I’m Afraid the Election’s Going to Be Rigged’”, CNN.com, 2 ago 2016.

23. “U.S. Election 2016: Trump Says Election ‘Rigged at Polling Places’”, BBC.com, 17 out 2016.

24. “Donald Trump, Slipping in Polls, Warns of ‘Stolen Election’”, New York Times, 14 out 2016.

25. “Poll: 41 Percent of Voters Say Election Could Be Stolen from Trump”, Politico, 17 out 2016.

26. “14 of Trump’s Most Outrageous Birther Claims – Half from After 2011”, CNN.com, 16 set 2016.

27. Lisa Hagen, “Trump: Clinton ‘Has to Go to Jail’”, The Hill, 12 out 2016.

28. “Donald Trump Says He May Pay Legal Fees of Accused Attacker from Rally”, New York Times, 13 mar 2016.

29. “Don’t Believe Donald Trump Has Incited Violence at Rallies? Watch This Video”, Vox, 12 mar 2016. Disponível em:
<https://www.vox.com/2016/3/12/11211846/donald-trump-violence-rallies>.

30. “Donald Trump Suggests ‘Second Amendment People’ Could Act Against Hillary Clinton”, New York Times, 9 ago 2016.

31. “Trump: Clinton ‘Has to Go to Jail’”, CNN.com, 13 out 2016.

32. “Donald Trump Threatens to Rewrite Libel Laws to Make It Easier to Sue the Media”, Business Insider, 26 fev 2016.

33. Idem.

34. Esta definição de “abdicação coletiva” e a discussão subsequente se baseiam no importante estudo de Ivan Ermakoff sobre a Alemanha e a França entreguerras, intitulado Ruling Oneself Out: A Theory of Collective Abdications (Durham, NC: Duke University Press, 2008).

35. Linz, The Breakdown of Democratic Regimes, p.37.

36. Para dados eleitorais que suportam este ponto sobre a eleição presidencial francesa de 2017, ver “French Election Results: Macron’s Victory in Charts”, Financial Times, 9 mai 2017. Disponível em:
<https://www.ft.com/content/62d782d6-31a7-11e7-9555-23ef563ecf9a>.

37. Ver <https://www.hillaryclinton.com/briefing/updates/2016/09/29/number- of-prominent-republicans-and-independents-backing-hillary-clinton-grows>. Acesso em: 20 mai 2017.

38. Idem.

39. Idem.

40. Idem.

41. “78 Republican Politicians, Donors, and Officials Who Are Supporting Hillary Clinton”, Washington Post, 7 nov 2016.

42. “French Election Results: Macron’s Victory in Charts”, Financial Times, 9 mai 2017 (ver diagrama “How Allegiances Shifted from the First to the Second Round of Voting in the French Presidential Election”).

43. Alan Abramowitz, The Polarized Public? Why American Government Is So Dys-functional (Nova York: Pearson, 2012); “Partisanship and Political Animosity in 2016”, Pew Research Center, 22 jun 2016. Disponível em: <http://www.people- press.org/2016/06/22/partisanship-and-political-animosity-in-2016>.

44. John Sides, Michael Tesler e Lynn Vavreck, “The 2016 U.S. Election: How Trump Lost and Won”, Journal of Democracy 28, n.2 (abr 2017), p.36-7; Sides, Tessler e Vavreck, Identity Crisis, cap.2.

Continua no Capítulo 4


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