Lula se preparem

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Consequências trágicas de uma transição incompleta

Como se sabe, grande parte do nosso sistema político apodreceu. A abundante matéria putrefata serviu como meio favorável à incubação dos ovos petistas (e, assim, os embriões do projeto neopopulista continuaram se desenvolvendo).

A parte que não apodreceu, por não ter entendido a natureza do PT, acabou servindo ao projeto lulopetista. Nem mesmo Fernando Henrique entendeu, do contrário não teria dito, várias vezes, que Lula era uma liderança importante para o Brasil e que Dilma era uma mulher honrada (e tanto é a vontade de não-ver que ele ainda é capaz de repetir isso, mesmo depois da delação de Marcelo Odebrecht e do casal João e Mônica Santana).

Temer assumiu e não levou a cabo a sua tarefa mais importante: realizar a transição democrática pós-PT. Não houve uma despetização da política, do contrário a reforma política não estaria nas mãos de um deputado petista (que ameaça a democracia com propostas de lista fechada e de partidarização das indicações para os tribunais superiores).

Assim, em 2015 e 2016, o PT foi derrotado nas ruas, nas mídias sociais, no parlamento e nas urnas, mas continuou vivo, sua estrutura permaneceu praticamente intacta, pairando sobre nossas cabeças como uma ameaça bolivariana (ainda que à brasileira, na forma do neopopulismo lulopetista) real.

De certo modo, tanto os corruptos e os fisiológicos da atual base governista (a mesma base que governou com o PT), quanto as lideranças da ‘oposição que não houve’ na última década, concederam ao PT uma trégua e estão prontos para dar à Lula, tal como fizeram em 2006, a tábua de salvação do palanque de 2018.

Como a transição democrática não foi concluída, o PT tem chances reais de voltar ao governo.

13 de novo

13 PONTOS PARA ENTENDER POR QUE O PT CONTINUA PRONTO PARA VOLTAR AO GOVERNO

Sim, ao que tudo indica o PT, mesmo fora do governo, continua intacto, preparado e armado para atacar a democracia e para voltar no ano que vem ao governo. Se não, vejamos.

1 – A reforma política (com propostas antidemocráticas como a lista fechada) é comandada por um deputado petista (Vicente Cândido).

2 – O atual presidente da Câmara (Maia) foi eleito com o apoio dos petistas e o ex-presidente do Senado (Renan), respondendo a mais de uma dezena de inquéritos, foi protegido pelo PT para ficar no cargo até o fim mandato. Tal é o poder dos petistas no parlamento, que um simples e obscuro deputado petista (Zarattini) apresenta e acaba de aprovar tranquilamente, na Câmara, um projeto absurdo e regressivo que, na prática, acaba com o Uber.

3 – A base parlamentar que governa é a mesma base que governou o país, por mais de uma década, com o PT.

4 – O PT continua controlando os principais Fundos de Pensão. Os sindicatos e centrais sindicais, atuando como meros aparelhos partidários, continuam sem prestar contas, a qualquer instância pública, do dinheiro que recebem.

5 – As agências reguladoras continuam governamentalizadas e servindo aos interesses das empresas que deveriam fiscalizar.

6 – Os dois principais instrumentos de conquista de hegemonia inventados pelos assessores estratégicos de Lula – o PNDH 3 (Programa Nacional de Direitos Humanos, instituído pelo Decreto 7037) e o Decreto 8243 (que institui a Política Nacional de Participação Social) – continuam em vigor.

7 – O Decreto 5.298 (pelo qual, marotamente, o Consigliere Thomaz Bastos instituiu a Força Nacional de Segurança Pública como “um programa de cooperação federativa” subordinado ao Executivo e não como ente de Estado) não foi reformado.

8 – Milhares de petistas ainda continuam homiziados no aparelho de Estado.

9 – A atual direção do BNDES acoberta todos os crimes cometidos pelos petistas no banco durante mais de uma década.

10 – O PT continua com sua estrutura praticamente intacta. E continua dispondo de muito dinheiro, fruto dos crimes que cometeu, depositado em contas fantasmas, em nome de laranjas e offshores, no Brasil e no exterior.

11 – Emílio Odebrecht, chefe do braço empresarial do esquema criminoso, não revela o mapa das contas secretas no exterior, abertas para esconder o dinheiro sujo do PT, continua solto e livre para articular uma mega-operação cujo objetivo é enganar o país com a farsa de que tudo não passou de caixa 2 de campanha.

12 – Lula, o chefe político do esquema criminoso de poder, já identificado pelo Ministério Público como tal, continua solto e em franca campanha para disputar a presidência da República em 2018. Seus principais assessores estratégicos continuam soltos e seus aparelhos políticos (como o Instituto Lula) continuam funcionando. Okamotto, Vannuchi, Berzoini, Bargas, Freud Godoy, Lorenzetti – gente da cozinha de Lula – estão completamente livres para operar por baixo dos panos.

13 – As antigas “oposições” estão sempre a postos para salvar Lula e impedir que o registro partidário do PT seja cancelado.

Pois é. Alguém me perguntou, no Facebook, o que fazer. Lembrei na hora do famoso ЧТО ДЕЛАТЬ? de Lenin (1902), uma ironia, hehe, não propriamente minha, mas quem sabe da história (seja isso o que for).

O QUE FAZER?

A primeira medida é não acreditar em uma palavra do que dizem analistas políticos como Reinaldo Azevedo, juízes como Gilmar Mendes e dirigentes tucanos e demistas (sejam eles quais forem). Eles agora querem nos engrolar com a conversa de que lista fechada é (um mal) inevitável, já que não há outro jeito de financiar campanhas com financiamento exclusivamente estatal e com a história de que financiamento individual (que vigora hoje) vai entregar a política nas mãos do crime comum organizado (como se o crime político organizado já não tivesse tomado o Estado brasileiro a partir de 2003).

Reinaldo e Gilmar

A segunda medida é saber que se as instituições estão funcionando, nada garante que elas funcionarão a favor da democracia: se a sociedade não se converter em ator permanente da política, a única saída será o aeroporto. Sim, são “as instituições funcionando” que anteontem mantiveram a eletividade de Dilma (estuprando a Constituição), que ontem desfiguraram as 10 medidas contra a corrupção e que hoje estão prestes a aprovar a lista fechada e a lei de abuso de autoridade para manietar a Lava Jato. São “as instituições funcionando” que mantêm Emílio Odebrecht solto e livre para articular uma mega-operação de despistamento, que anularam a delação do comandante da OAS (Leo Pinheiro, velho financiador de Lula) e que não incomodaram o chefe da Andrade Gutierrez (Sergio Andrade).

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A terceira medida é manter ativas a resistência democrática ao projeto neopopulista e a oposição popular que exigiu nas ruas e nas mídias sociais o impeachment. Sem isso, o PT, que – mesmo fora do governo – continua intacto, preparado e armado para atacar a democracia, vai voltar no ano que vem ao governo.

Fim do PT

Caberá à resistência democrática e à oposição popular tentar barrar, em especial, cinco medidas que já estão na pauta e que detonam a democracia brasileira. Infelizmente, não se pode contar com os legalistas, com os social-democratas temporãos do PSDB ou com os ditos liberais do DEM para fazer isso.

RESISTIR ÀS 5 MEDIDAS QUE DETONAM A DEMOCRACIA BRASILEIRA

1 – Aprovação da Lista Fechada (que, juntamente com financiamento exclusivamente estatal de campanha e fidelidade partidária, substitui a democracia por uma partidocracia).

2 – Manutenção do Foro Privilegiado do jeito como está (garantindo a impunidade, na prática, de cerca de 33 mil políticos).

3 – Aprovação da lei de Abuso de Autoridade (para constranger a força-tarefa da Lava Jato).

4 – Aprovação de uma lei que anistie quem cometeu corrupção (disfarçada como Anistia para o Caixa 2).

5 – Desvirtuamento do projeto de lei das 10 Medidas contra a Corrupção.

Maquiavel 2

De certo ponto de vista, pode-se dizer que PT está vencendo afinal. Ao depositar seus ovos dentro da carcaça podre do velho sistema político, escondendo sua inédita corrupção com objetivos estratégicos (para financiar um projeto criminoso de poder) dentro da corrupção endêmica na política, o PT conseguiu levar os corruptos tradicionais a se converterem (por razões de sobrevivência) em agentes de autocratização da democracia brasileira. Maquiavel jamais teria pensado.

 

 

 

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