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É gravíssimo o que está acontecendo

Quem fizer um rápido passeio por sites, blogs, páginas do Facebook e canais de Youtube mantidos por pessoas que se dizem de direita (a maioria das quais olavista e/ou bolsonarista) ficará assustado, se tiver juízo. Verá coisas que assustariam até Winston Churchill, Ronald Reagan e Margaret Thatcher. Se esses três estadistas podem ser considerados de direita (para quem ainda pensa com base nessa divisão anacrônica), então a tal “nova direita” brasileira não pode. É outra coisa, a vibe é a mesma do fascismo nascente na Europa dos anos 20-30 do século passado.

Não, não se pode dizer que todos que apoiam Bolsonaro sejam fascistas, mas pode-se afirmar que o clima geral nos meios em que chafurda a sua militância (os bolsominions, os fanáticos que idolatram o bolsomito) é muito semelhante ao daqueles meios em que floresceu o fascismo italiano e alemão na primeira metade do século passado

Os democratas, ocupados em resistir ao projeto autocrático do PT durante a última década, não prestamos a devida atenção à coisa monstruosa que estava sendo gestada. Basta ouvir, por exemplo, um tal Allan dos Santos. Basta assistir os vídeo-aulas dos jovens-velhos do Brasil Paralelo. Parece que a velha TFP renasceu ou que agora é a Opus Dei que está no comando.

O problema não é mais apenas Olavo e Bolsonaro. Está se formando uma cultura retrógrada, moralista, punitivista, preconceituosa, excludente, intolerante e antidemocrática, que coloniza a cabeça de jovens sem experiência política e com pouco trato intelectual e se apoia em sentimentos de ressentimento social e vontade de revanche que, se sempre estiverem presentes na base da sociedade, nunca se expressaram em termos políticos (a não ser marginalmente). A candidatura Bolsonaro está sendo usada para promover esse salto de “desqualidade”, do “fundo do poço” para a arena política. É gravíssimo o que está acontecendo.

O BOLSONARISMO É MAIS PERIGOSO PARA A DEMOCRACIA DO QUE BOLSONARO

Sim, Bolsonaro não é o maior problema. O maior problema é o bolsonarismo. Bolsonaro negociará qualquer coisa. Se perceber que tem chance de passar para o segundo turno e, para tanto, precisar dizer o oposto do que sempre disse e trair seus seguidores fanáticos, fará isso sem qualquer pejo. É um oportunista eleitoreiro que certo dia descobriu que dava voto no Rio de Janeiro falar em matar bandidos. Nunca imaginou chegar onde chegou. O que queria mesmo era ter popularidade para eleger seus parentes.

Já o bolsonarismo é outra coisa. É um movimento real de opinião e de ativismo político (ainda que por enquanto mais digital) muito perigoso para a democracia se conseguir se transformar em força política com alguma coesão programática, estrutura organizacional e enraizamento social e se for capaz de expressar os elementos de ressentimento social e a vontade de revanche que estão decantados no que chamamos de “fundo do poço”, quer dizer, nos substratos mais sombrios da nossa cultura conservadora. Se isso acontecer, será uma força política tenebrosa, baseada em preconceitos anti-humanos e antidemocráticos, que pode fornecer a base social ideal para o florescimento de projetos fascistas.

Por enquanto o bolsonarismo só é realmente expressivo nas mídias sociais, mas se conseguir se consolidar como um dos pólos de uma acirrada polarização política, pode crescer também na sociedade e vir a ameaçar a estabilidade de qualquer governo saído das urnas de 2018.

No limite, pode até vencer o pleito, conquanto isso seja improvável. E mesmo que vencesse, logo desapontaria seus apoiadores, que ficariam enraivecidos quando descobrissem que um presidente não pode fazer quase nada do que prometeu sem apoio do Congresso – a não ser violando a Constituição, para o que, entretanto, não tem força real. Mas algumas hordas bolsonaristas já estão divulgando nas mídias sociais o seguinte lema golpista:

“Primeiro elegemos Bolsonaro e depois o general Mourão vai dar um jeito”.

Em qualquer caso, ao frustrar a turbamulta vil de seus seguidores, Bolsonaro será logo substituído por outro autocrata intervencionista e nacionalista (por exemplo, por um general da reserva que queira ocupar seu lugar ou por outro aventureiro qualquer com discurso incendiário e autoritário) e o mito (que tem pouca substância) se desmanchará.

Mas isso não resolverá o problema. Pois a força deletéria que o bolsonarismo representa pode continuar empesteando o ambiente político, espalhando inimizade no mundo e enfreando a democracia.

Nada disso ainda está plenamente configurado neste momento. Mas é bom tomar muito cuidado.


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