Candidatos Dagobah 3

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Em quem os democratas devem votar em 2018

Uma classificação do ponto de vista da democracia

Muitas pessoas estão perguntando em quem votar. Alguns, enfarados do PT, para dizer que não existe um nome bom, capaz de barrar a vitória de Lula (ou de alguém apoiado por ele) e… então, a saída seria tapar o nariz e votar em Bolsonaro. Há os que dizem isto sinceramente e outros apenas aplicando um truque: para fazer a campanha do capitão autocrático “é melhor jair se acostumando”.

Ainda não sabemos quem serão os candidatos e a escolha que devemos fazer não será hoje, nem amanhã e sim daqui a aproximadamente um ano. Mas, na verdade, o problema não é só a eleição e sim a campanha eleitoral, que já começou extra-oficialmente e vai começar oficialmente quando tivermos os candidatos.

Será muito ruim para a democracia uma disputa que fique aprisionada no campo autocrático, independentemente de quem vencer o pleito. Mas aqui enfrentamos dois problemas: o primeiro é que as pessoas não sabem bem o que é o campo autocrático (e ficam pensando em termos de esquerda x direita ou em temos de corrupto x honesto); o segundo é que elas acreditam que um nome fará toda diferença, isto é, que eleger um candidato a presidente resolverá tudo (ignorando que nenhum presidente poderá fazer nada sozinho, sem ter base parlamentar e sem negociar com o Congresso). Os malucos bolsonaristas acham que elegendo Bolsonaro está resolvido, depois o general Mourão (ou algum seu colega de farda) dará um jeito… Essa crença, por si só, já revela o que é campo autocrático, ou seja, aquele em que estão os agentes que não se importam com as regras democráticas.

Mas quando você argumenta assim, as pessoas perguntam novamente: qual o nome que pode evitar isso? A inexperiência política e a falta de trato intelectual dos que perguntam chega a ser exasperante, mas temos de aceitar tudo isso como um dado da realidade. Ninguém deixará de ser um analfabeto político (e muito menos um analfabeto democrático) em menos de um ano.

Por último, as pessoas não conseguem avaliar o mal que fará à democracia e à sociedade uma disputa capturada pelo campo autocrático.

cAMPO DEMOCRÁTICO X CAMPO AUTOCRÁTICO

Bem… como não adianta muito reclamar, vamos desenhar. Se os candidatos fossem estes que estão na imagem acima (alguns ainda não se sabe, por isso estão com uma interrogação), os que prezam a democracia deveriam:

1) impedir que se configure uma polarização entre candidatos do campo autocrático no primeiro turno;

2) consequentemente, não votar em ninguém do campo autocrático no primeiro turno;

3) impedir que se configure uma polarização entre candidatos do campo autocrático no segundo turno (sobretudo entre Lula ou alguém apoiado por ele) e Bolsonaro – o que seria o pior cenário para a democracia: o cenário do horror;

4) para impedir que este cenário do horror se configure no segundo turno, deve-se votar em algum candidato do campo democrático (qualquer um serve, mas atenção: é preciso votar não no candidato da nossa preferência e sim naquele que tem mais chances de ir para o segundo turno – não importa quem seja, desde que esteja no campo democrático);

5) caso passem para o segundo turno, um candidato do campo autocrático contra um candidato do campo democrático, deve-se votar no candidato do campo democrático (por mais antipatia que tenhamos por ele);

6) caso passem para o segundo turno dois candidatos do campo democrático, pode-se votar no candidato da nossa preferência;

7) caso passem para o segundo turno dois candidatos do campo autocrático, a saída é… pela fronteira ou ir para Dagobah.

No diagrama acima, como já foi dito, não se usa a classificação esquerda x direita (que não quer dizer nada do ponto de vista da democracia, posto que tanto Lula como Bolsonaro não a tomam como um valor), nem a classificação corrupto x honesto (que é apenas uma besteira moralista instrumentalizada pelos jacobinos que praticam a antipolítica da pureza e que também não significa nada para a democracia, de vez que podemos ter autocratas honestos e que a democracia não é um regime sem corrupção e sim um regime sem um senhor).

Algumas pessoas, que já estão em campanha para seus candidatos, perguntam qual o critério utilizado para colocar alguns candidatos no campo autocrático e outros no campo democrático. É simples: comportamento observado ou ações praticadas e declarações proferidas, oralmente ou por escrito.

MARINA

Outras pessoas ficam indignadas ao ver Marina no campo autocrático. Explica-se. Por dois motivos: o primeiro é que Marina saiu do PT, mas o PT não saiu dela (ao contrário, por exemplo, do que ocorreu com Gabeira ou Eduardo Jorge). O segundo motivo é que os articuladores do partido de Marina no Senado (Randolfe, um submarino psolista na Rede) e na Câmara (Molon, um petista disfarçado de redista) defenderam Dilma com mais ardor do que os próprios petistas. E não é crível que Marina não estivesse sabendo nada do comportamento dos representantes do seu partido.

CIRO

E Ciro? Bem, Ciro é representante do velho nacionalismo que, como todo nacionalismo, é estatista (e, como sabemos, todo estatismo, seja dito de esquerda ou de direita, é autocrático).

LULA OU OUTRO PETISTA QUALQUER

Sobre Lula ou qualquer outro petista (como Haddad) não há o que explicar. O lulopetismo é uma variante do bolivarianismo, o neopopulismo latino-americano apoiador de regimes autocráticos (para comprovar basta ver a posição do PT em relação à ditadura de Maduro).

BOLSONARO

Bolsonaro não merece considerações. Basta conhecer suas declarações nos últimos vinte anos. É um autocrata boçal. E está estimulando, junto com o malfeitor ideológico Olavo de Carvalho, o surgimento de um movimento de fanáticos, ditos de direita, perigosíssimo para a democracia.

BOULOS

Por último, no campo autocrático, temos Boulos: o pior de todos os petistas (mesmo que saia candidato pelo PSOL). Um típico exemplar da esquerda revolucionária do século passado, marxista-leninista, mestre em agitprop, manipulador de massas e instrumentalizador de movimentos sociais que atuam como correias de transmissão de um partido (como seu assemelhado Stedile, do MST). Boulos não tem a menor chance, mas, se tivesse, seria uma alternativa da esquerda no impedimento eventual de Lula.

QUALQUER UM DO CAMPO DEMOCRÁTICO

No campo democrático não há muito o que explicar. Estão aí todos os que se declararam (ou foram cogitados) candidatos que não querem usar a democracia contra a democracia, que não deram declarações contra a democracia e nem demonstraram, com seu comportamento, pendor para regimes autoritários. Atenção: não estão no campo democrático os teóricos da democracia: é bem possível que nenhum deles tenha clareza suficiente sobre os pressupostos e princípios da democracia. Mas não importa. Eleições não são bancas examinadoras: o que vale é o comportamento adotado e as opiniões proferidas.

De que serve um diagrama como este (provisório, por certo, pois não sabemos ainda quem serão os candidatos e as eleições só vão ocorrer daqui a um ano)? Serve para dizer o seguinte: podemos votar em qualquer um do campo democrático que seja capaz de impedir uma polarização entre candidatos do campo autocrático. Vejam que não se trata de votar no melhor, no candidato de nossos sonhos. Trata-se de votar em qualquer um com condições reais de impedir, no primeiro turno, uma polarização do tipo Lula x Bolsonaro e, caso algum autocrata passe para o segundo turno, com chances reais de impedir sua vitória.

EM TERMOS PRÁTICOS

Vamos dar alguns exemplos. Amoedo (do Partido Novo) pode ser muito bom, mas se não tiver chances de barrar a polarização entre dois candidatos do campo autocrático, não serve.

Alguém pode odiar o Alckmin, mas deve votar nele se for o candidato com mais condições de quebrar uma polarização Lula x Bolsonaro (ou outra semelhante). O mesmo vale para Dória ou Huck ou Dias.

O que está ocorrendo no Brasil é gravíssimo e não se pode ficar escolhendo o candidato de nossos sonhos (que, aliás, não existe e não vai aparecer), como se fosse um joguinho de “escolha o melhor”. A democracia brasileira corre sério risco neste momento. Quem preza a democracia não pode brincar com isso.


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