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Foro de São Paulo se reúne hoje em Cuba para legitimar o massacre de Ortega na Nicarágua

Começa hoje, em Havana, a 24ª reunião anual do Foro de São Paulo. Representantes de partidos e organizações da esquerda latino-americana e caribenha buscam, a partir deste domingo, elaborar estratégias para combater o que chamam de direita e as elites.

É incrível. No final da segunda década do século 21, ditadores e protoditadores reunidos num país que é uma ditadura procuram caminhos para implantar novas… ditaduras! Gleisi Hoffmann (presidenta do PT) e Dilma Rousseff (presidenta deposta do Brasil), confirmaram presença.

Como dizia Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, referindo-se aos Bourbon, eles não aprenderam nada e não esqueceram nada. Não há como se converterem à democracia.

A turma que se reúne pode ser bem representada pela foto abaixo, tirada por ocasião das exéquias de Fidel, em Cuba, onde aparecem os assassinos Nicolás Maduro e Daniel Ortega (este último abraçando Lula e Dilma).

Na primeira fila, da esquerda para a direita: Wagner Freitas (Presidente da CUT), Lula, Daniel Ortega (presidente da Nicarágua), Dilma Rousseff, Raúl Castro, Nicolás Maduro (presidente da Venezuela) e Evo Morales (presidente da Bolívia). Segunda fila: Guillaume Long (chanceler do Equador), Guilherme Boulos (MTST), Fernando Morais (Nocaute), Monica Valente (secretária de Relações internacionais do PT) e Raúl Guillermo Castro (neto de Raúl Castro). Terceira fila: David Choquehuanca (chanceler da Bolívia), Olímpio Cruz Neto, João Pedro Stédile (MST) e Breno Altman (fundador de Opera Mundi). No alto, Miguel Diáz-Canel (vice-presidente de Cuba), Delcy Rodríguez (chanceler da Venezuela) e Bruno Rodríguez (chanceler de Cuba).

Esta foto vale por um tratado sobre a tirania. Vem a calhar agora, que temos um fato novo: o massacre na Nicarágua, que conta com o apoio de todos os presentes no macabro retrato.

Sim, pouca gente está falando disso, mas está havendo um verdadeiro massacre na Nicarágua. O país vive o pior banho de sangue desde a guerra civil. Protestos contra o Governo já deixaram um saldo de 351 mortos. São forças estatais de repressão e paramitares do mais novo ditador do continente, Daniel Ortega.

Conheci pessoalmente esse celerado no I Congresso Nacional do PT (em 1991, do qual fui o coordenador). Ele, Ortega, convidado de honra do evento, chegou logo no Hotel Pampa, em São Bernardo (onde os delegados estavam hospedados), pedindo aos funcionários do partido algumas prostitutas. O fato foi denunciado a Lula, que nada fez, apenas riu.

A decisão de colocar os irmãos Ortega (Daniel e Humberto) na cabeça do sandinismo de primeira geração (composto por vários grupos de esquerda que não se entendiam entre si) foi tomada em Havana, por Fidel. Foi, na verdade, imposta pela ditadura cubana. Como se diz, as consequências vêm depois. Agora estamos vendo os desdobramentos.

Ortega perdeu a eleição para Violeta Chamorro (contrariando o conselho do próprio Fidel, que o reprovou por realizar eleições) e voltou ao poder pela via eleitoral no sandinismo de segunda geração, neopopulista, na linha bolivariana. Seus passos principais foram controlar a imprensa, aparelhar o judiciário e revogar a rotatividade democrática para nunca mais sair do poder. Agora está reprimindo duramente opositores e assassinando pessoas comuns. A Nicarágua, hoje, já é uma ditadura. Precisamos ficar atentos e denunciar mais esse ataque frontal ao coração da democracia na América Latina.

Leiam abaixo matéria de El País.

351 mortos: o que está acontecendo na Nicarágua do esquerdista Daniel Ortega

País vive o pior banho de sangue desde a guerra civil. Protestos contra o Governo já deixaram um saldo de 351 mortos

EL PAÍS, São Paulo 14 JUL 2018

A Nicarágua terminou a semana mergulhada em uma nova onda de protestos contra o Governo de Daniel Ortega. Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para pedir a destituição do ex-guerrilheiro sandinista, que décadas atrás lutou para acabar com a ditadura da família Somoza, apoiada pelos Estados Unidos, e agora é acusado de querer se perpetuar no poder. O país está mergulhado em sua pior crise política desde o final da guerra civil de 1990. A repressão praticada pelo Governo de esquerda a manifestações contra seu mandato já deixou desde 19 de abril deste ano um saldo de 351 mortos, sendo 306 civis e 22 menores de 17 anos. Os dados da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPHD) também apontam que 261 pessoas estão, neste momento, desaparecidas ou sequestradas. Ortega nega as acusações e afirma que os protestos são uma cortina de fumaça para as intenções da direita, que quer tirá-lo do poder.

A onda de protestos começou no final de abril, quando multidões começaram a tomar as ruas contra as reformas impostas por decreto pelo sandinista para a Previdência Social. Eles se opunham à mudança que reduzia as aposentadorias em 5% e aumentava as contribuições das empresas e dos trabalhadores para resgatar o Instituto Nicaraguense de Seguridade Social (INSS). Após três dias de dura repressão aos atos, dez pessoas já haviam sido mortas pelas forças militares, policiais e paramilitares, grupos irregulares armados que defendem o Governo.

Ao longo dos dias, os protestos não davam sinais de que iriam recuar. E se juntavam ao descontentamento de nicaraguenses da região do Caribe, onde milhares de camponeses se opõem ao Governo por conta da entrega da concessão ao empresário chinês Wang Jing da construção um Canal Interoceânico, um projeto visto como ameaça a milhares de famílias da região. Igreja e empresários se juntaram aos pedidos da população e exigiam a revogação da reforma.

Em 22 de abril, após cinco dias de intensos atos, Ortega finalmente voltou atrás e cancelou a Reforma da Previdência. Ao menos 41 pessoas haviam morrido, segundo os dados da época do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos. Mas os protestos não recuaram. A forte repressão gerou um imenso mal-estar e desencadeou novas ações, que exigiam a paz no país e o fim do regime sandinista. Em 29 de abril, centenas de milhares de pessoas foram às ruas convocados pela Igreja. Ao lado dos bispos, marcharam feministas, homossexuais, familiares dos assassinados na repressão contra os manifestantes e milhares de camponeses.

Em 13 de maio, confrontos na cidade de Masaya, que começaram no bairro indígena de Monimbó, voltaram a levantar o terror da repressão. Moradores relatavam que os grupos paramilitares estavam armados com fuzis Kalashnikov e disparavam impunemente, apesar da presença da polícia. Em Manágua, capital do país, estudantes se entrincheiravam na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua e na Universidade Politécnica, mesmo depois de terem sido atacados por forças do Governo, num saldo de 2 mortos e pelo menos 16 feridos. A cifra de mortos já passava de 50.

Mais dispersos, os protestos continuaram. Até esta nova onda de protestos mais recente, em 10 de julho, Ortega intensificou a repressão e ao menos 17 pessoas morreram em 24 horas no país. Dois dias depois, o país mergulhou em novos protestos de grande magnitude. E a conta de mortos já atingia 365 pessoas, segundo Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPHD).

Ortega afirma que não deixará o poder e acusa os políticos de direita de orquestrarem os protestos para retirá-lo do poder. Para ele, os protestos contra seu Governo são um reflexo de que “o demônio está mostrando as unhas”. O esquerdista, por sua vez, é acusado pelos seus opositores de querer se perpetuar ao poder a qualquer custo. Ele está há 11 anos à frente do país, ao lado de sua mulher, que é vice-presidente. Sua última vitória, em 2016, foi contestada pela oposição, que a acusou de fraudulenta. Mas Ortega soube se segurar ao poder por meio de alianças pragmáticas. Se aproximou da Igreja ao encampar políticas “pró-família”, como leis rigorosas contra o aborto. E organizou uma agenda pró-mercado, para aproximar o empresariado. “Uma sofisticada estratégia — alimentada até recentemente pela farta ajuda econômica da Venezuela — que deixou a oposição dividida e desorganizada”, analisa Oliver Stuenkel, professor adjunto de Relações Internacionais na FGV em São Paulo.

Com o aumento da repressão, as forças que se aglutinaram a seu favor foram se rompendo ao longo do caminho. Ele recebeu sinais claros da Igreja de que deveria deixar o poder. Mesmo sinal que recebeu do empresariado. A Organização dos Estados Americanos (OEA) apoiou nesta semana um documento crítico à repressão no país em que se afirma que estão sendo cometidas “práticas de terror, com detenções em massa e assassinatos”, conforme adiantou o jornal Folha de S.Paulo. A ação se soma a um pedido feito no início deste mês pelo alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, para que o país ponha fim à violência e desmobilize os indivíduos armados pró-Governo. E também à sanções unilaterais já impostas pelos Estados Unidos. Novas sanções poderiam ser um peso muito grande para o país, de economia frágil e altamente dependente de uma Venezuela em crise.

Fim da matéria transcrita.

A reunião do Foro de São Paulo, que começa hoje, vai certamente legitimar o massacre que o neoditador Daniel Ortega está perpetrando na Nicarágua. Vão dizer que é coisa da direita, das elites ou, quem sabe, do imperialismo norte-americano e da CIA. E com o apoio do PT e das demais organizações de esquerda da América Latina e do Caribe, quer dizer, de todos os ditadores, protoditadores e candidatos a ditadores do continente.

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