Janot Flexado Dagobah

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Janot é o principal responsável

No dia 28 de agosto de 2017, portanto, 7 dias antes de sabermos das 4 horas de gravação da conversa entre os bandidos Joesley Batista e Ricardo Saud, da Friboi, escrevi no meu mural no Facebook:

JANOT É O PRINCIPAL RESPONSÁVEL

Janot será o principal responsável pelo fracasso da Lava Jato. E os procuradores da força-tarefa que o apoiaram vão dividir com ele essa culpa.

Estão desmoralizando a Lava Jato? Não adianta reclamar de Temer e Aécio que estão se defendendo da acusação absurda de serem os chefes da primeira e da segunda maiores e mais perigosas organizações criminosas do país (uma armação de Janot com Joesley, chancelada por Fachin e propagandeada pela rede Globo). Todos esses se envolveram no golpe sórdido, mas é preciso, em primeiro lugar, cobrar responsabilidade de Janot.

Afinal Janot não nos disse até agora: quem é o chefe da quadrilha de Joesley? E não disse porque não pode dizer. Porque violou a lei para perdoá-lo (como se sabe, chefe de organização criminosa não pode obter os benefícios da delação premiada). E Joesley era o chefe da sua própria organização. Ou será que somos otários para acreditar que ele era apenas um soldado das máfias de Temer ou de Aécio? Se alguém poderia ser considerado chefe dos Freeboys, esse alguém é Lula, que promoveu, com dinheiro do BNDES, um açougueiro de Anápolis a maior produtor de proteína animal do mundo, em tempo recorde aliás.

Está claríssimo que Janot faz política suja para o PT. Por que não tratou Renan como tratou Cunha? A resposta é simples. Porque o primeiro é aliado de Lula e o segundo inimigo.

Está claríssimo que Janot escolhe o timing de acordo com seus interesses, o que é um modo safado de fazer política. Por que não denunciou Dilma por Pasadena? Por que não denunciou Mantega? Por que não denunciou Mercadante (com gravação e tudo)?

Será um absurdo que uma pessoa como Janot saia impune disso tudo.

Pois é. Agora ficamos sabendo que a coisa era bem mais feia do que imaginávamos.

Janot montou uma conspiração com bandidos no coração do Estado brasileiro com objetivos políticos (de manipular a justiça e a opinião pública para salvar o PT, inventando que Temer e Aécio eram os chefes das duas maiores e mais perigosas organizações criminosas do país). Ademais, violou claramente a lei (repetindo: até hoje não disse quem eram os chefes dos irmãos Freeboy e não disse porque tal chefe não existe). Seja qual for a medida de sua culpa, por dolo ou irresponsabilidade, Janot não poderia ficar mais um minuto no posto. Se o STF quiser escapar da lama que vem por aí tem que anular todo o processo urdido por Janot com Joesley

Tudo isso já estava claro para quem tem um mínimo de experiência em análise política. Em 17 de junho de 2017, publiquei o artigo Revela-se, afinal, o objetivo da armação Janot-Fachin. Apesar dos mais de 11 mil compartilhamentos desse artigo, muitas pessoas ficaram em dúvida, tal o tamanho da orquestração que foi levada a efeito pela Globo para validar a armação de Janot com Joesley, chancelada por Fachin, que tinha por objetivo fazer Temer renunciar em 24 horas (antes mesmo de conhecer a denúncia contra ele).

Avisei aos meus amigos jornalistas (inclusive da Globo) que eles estavam correndo sério risco de perder credibilidade. Dito e feito. O golpe foi mal-sucedido. Agora, quase três meses depois, ficamos sabendo que houve de fato a montagem de uma armadilha para livrar a cara do PT (dizendo que PMDB e PSDB eram as maiores e mais perigosas organizações criminosas do país, é bom repetir sempre o objetivo dos vassalos do PT). E que isso foi feito dentro da Procuradoria Geral da República e com a cumplicidade de ministros lulistas e dilmistas do Supremo Tribunal Federal.

Dizer o que? Repetir que eu avisei? Não adianta nada fazer isso. O importante é não aceitar mais qualquer tipo de armação. E cobrar as responsabilidades de quem cometeu tais barbaridades: sim, não é só a dupla Joesley e Wesley que merece ir para a cadeia. Os que manipularam tão vergonhosamente a justiça e a opinião pública devem, mais cedo do que mais tarde, pagar por seus erros.

Tudo isso foi feito, porém, com a ajuda de certos meios de comunicação, que resolveram fazer jornalismo-militante.

Jornalismo militante não é bom jornalismo. Claro que, numa sociedade-em-rede, todos (que quiserem) podem fazer jornalismo e não apenas, como era antes, os proprietários dos chamados meios de comunicação e seus empregados. Inclusive militantes podem fazer jornalismo. Mas jornalismo engajado em campanhas políticas para desmoralizar alguém acaba, ele próprio, se desmoralizando.

Recentemente surgiram no Brasil – excluídas as postagens em mídias sociais – dois tipos nefastos de jornalismo, ambos militantes: a chamada rede suja de sites e blogs a serviço do PT (que era financiada, em grande parte, com dinheiro público e com dinheiro do crime), montada para vender falsas versões para lavar a reputação do partido e detratar seus inimigos e sites jacobinos (e picaretas) como O Antagonista, que fazem cruzadas de limpeza – na base da antipolítica robespierriana da pureza – adotando uma fórmula simples (mas bem sucedida, posto que retroalimentada pelo moralismo e pelo analfabetismo democrático reinantes). A fórmula é: WIKILEAKS (veículo de vazamentos seletivos, no caso, fornecidos por policiais federais e procuradores envolvidos no combate à corrupção) + CLIPPING COM PEÇONHA (a cada pequena chupada de notícias da grande imprensa, acrescenta-se uma ou duas frases maldosas e destinadas a desconstruir ou desmoralizar os que o veículo toma como alvos da sua militância destrutiva).

A estes se deve acrescentar outro modo sujo de fazer política, mas usando um grande complexo tradicional de comunicação: as organizações Globo (que – tal como O Antagonista – se envolveram, por alguma razão, na até agora mal-sucedida armação de Janot e Joesley, chancelada por Fachin, para depor um presidente constitucional).

Alguma coisa muito séria deve estar em jogo para levar a Globo a cometer esse erro boçal. O maior complexo de comunicação do país está desmoralizando o jornalismo.

NOTA DE 06/09/2017

Este post foi editado para corrigir ou precisar algumas informações que estavam no seguinte penúltimo parágrafo, retirado do texto acima:

É fato! Não teve Plantão Globo ontem (dia da bomba da revelação da gravação Joesley-Saud). Hoje (05/09/2017) também não vai ter? Lauro Jardim e O Globo não vão divulgar desta vez o conteúdo dos áudios de Joesley que comprometem a PGR e o STF? Quer dizer que quando era contra Temer, divulgação imediata dos áudios. Mas agora, que a turma de Janot e o STF estão na mira, sigilo? Seria o caso de perguntar: vocês não têm vergonha?

1 – Houve um plantão da Globo (em 04/09/2017), nada parecido, entretanto, com aquele carnaval de plantões quando da primeira denúncia de Josley (aquela da golpe aplicado em Temer).

2 – Ao que se saiba não houve plantão da Globo ontem (04/09/2017), mas apenas repetição ad nauseam, feita por jornalistas e comentaristas de política da Globo e da Globo News, de que a revelação da segunda gravação (as quatro horas de conversa entre Joesley e Saud) não invalidaria as provas já colhidas em maio a partir dos flagrantes armados por Joesley em conluio com Janot.

3 – Lauro Jardim, de fato, não deu furo nenhum neste caso (da segunda gravação), nem revelou detalhes do conteúdo da gravação.

4 – Não houve divulgação imediata dos áudios (da segunda gravação) e de seus conteúdos, como ocorreu em junho de 2017, na primeira bomba das revelações de Joesley. Mas vários trechos foram vazados para a imprensa ao longo do dia 5 de setembro de 2017.

5 – Fachin suspendeu o sigilo da segunda gravação no dia 05/09/2017.


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