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Lula é o candidato in pectore de boa parte dos velhos caciques políticos

O nome de Lula cai como uma luva para o velho e corrupto sistema político

A política no Brasil virou um meio de formar patotas para sugar os recursos do Estado e estabelecer caciquias locais e setoriais. Ficou, assim, aprisionada pelos donos dos partidos e corporações e pelos membros de uma espécie de condomínio dos que podem mandar e contratar, impor seu domínio sobre pessoas e organizações (transformando cidadãos em súditos), corromper e se deixar corromper e violar as leis impunemente.

Esse oligopólio político está agora ameaçado pelas movimentações cidadãs e pela incrível fermentação social característica de uma sociedade altamente conectada e interativa que está emergindo.

Adicionalmente, a ofensiva de setores do Estado no combate à corrupção, numa espécie de cruzada de limpeza ética, agravou a situação. Como a corrupção faz parte do funcionamento normal do oligopólio político, todos se sentem ameaçados. A rigor, poucos chefes políticos tradicionais escapariam de uma investigação minuciosa dos seus atos.

A continuidade dessas velhas práticas políticas, ou seja, a prorrogação do poder desses chefes territoriais e setoriais (e corporativos), a manutenção do oligopólio da política tal como se configurou há décadas (ou séculos), leva os políticos tradicionais a apostar desesperadamente em um novo governo capaz de garantir, autoritariamente, a sua sobrevivência. É por isso que muitos caciques políticos, em geral sem o declarar, estão apostando na vitória de Lula em 2018 (pelos mesmos motivos que os levaram – a Sarney, Collor, Jader, Renan e tantos e tantos outros – a apoiar Lula, sem grande hesitação, já a partir de 2003).

Porque avaliam que só alguém do ramo (do meio corrupto), cínico o suficiente para fazer um discurso para as massas que angarie amplo apoio popular (e votos) e, ao mesmo tempo, capaz de contemporizar e negociar com os velhos chefes locais, empresariais e corporativos (sem querer exterminá-los, pelo contrário: aninhando-os sob suas asas), seria capaz de virar o jogo, protegendo os políticos tanto da ira social, quanto da Lava Jato. O nome de Lula cai como uma luva. Por isso que Lula é o candidato in pectore de boa parte dos velhos caciques políticos. Até Eunício Oliveira, atual presidente do Senado, deixou escapar publicamente tal admiração interesseira.

O que eles não sabem (ou não querem ver) é que Lula também pertence a outro ramo de negócios políticos (dos agentes do projeto neopopulista, de caráter bolivariano) que usa a via eleitoral não apenas para enriquecer e mandar nos outros (como os velhos caciques), mas para violar a democracia: tomar o poder a partir do governo conquistado eleitoralmente, autocratizar o regime e para nunca mais sair do governo.

Bastaria olhar com atenção a foto que ilustra este artigo, tirada em Cuba, por ocasião das exéquias do ditador Fidel Castro, para ver o que os velhos políticos não veem (ou não querem ver). Mas, infelizmente, inteligência é um artigo bem raro nesta quadra em que vivemos no Brasil.

Até a tropa dos valentes cruzados da Lava Jato está contribuindo, objetivamente, para a vitória de Lula por falta de inteligência, por não conseguir ver (ou não querer ver) o que diz uma simples foto.


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