Bolsonaro e Lula o pior

,

Lulismo e bolsonarismo: dois perigos para a democracia

O jacobinismo e os moralismos (instrumentalizados pelo primeiro) desembocarão, voluntária ou objetivamente, no bolsonarismo. O conservadorismo olavista, autocrático e religioso, também.

Há motivos para preocupação? Sim. Pessoas como Joyce Hasselman e Bia Kicis – com milhões de admiradores nas mídias sociais – são simpáticas ao olavismo. Antagonistas como Felipe Moura Brasil são olavistas de primeira hora (e, de uns tempos para cá, é incrível constatar o espaço concedido ao autocrata Bolsonaro nesse site de clipping e wikileaks da Polícia Federal e do Ministério Público, pelo menos dos novos “tenentes” – de toga ou chegados a uma toga – chamado O Antagonista). Danilo Gentili, campeão de número de seguidores nas mídias sociais (quase 13 milhões no Facebook e mais de 15 milhões no Twitter) é admirador de Olavo de Carvalho. E Olavo, por sua vez, já declarou seu voto em Bolsonaro.

Inicialmente esse pessoal adquiriu base social (que absolutamente nunca teve, em número expressivo) postando-se contra o PT, sendo que, alguns, ainda na vibe da guerra fria, o fizeram porque são anticomunistas e não em defesa da democracia (Franco, Salazar, Pinochet, Videla, Medici e Bordaberry também eram anticomunistas, assim como Bolsonaro – todos antidemocratas).

Depois do impeachment, sob o pretexto de realizar uma faxina geral da política na base de grandes vassouradas, querendo fazer política (sem política) com a polícia, o ministério público e a justiça, eles passaram, entretanto, a praticar a antipolítica da pureza.

Alguns, em seguida, aderiram ao Fora Temer (aquela bandeira petista a que o povo não aderiu, nem com toda a dedicação da Rede Globo) e abstiveram-se de criticar as armações de Janot com o dilmista Fachin (inclusive detratando os que faziam reparos ao flagrante fabricado e ao acordo insustentável com Joesley).

Não é preciso muita análise para ver onde tudo isso vai desembocar. Se Lula for candidato (o que até agora é o mais provável) e Bolsonaro passar para o segundo turno, tudo isso vai concorrer – queiram eles ou não – para a volta do PT ao poder.

Mas mesmo que nada disso aconteça (ou seja, que não entremos na pior bifurcação do mundo, tendo que escolher entre Lula e Bolsonaro), fortalecer uma corrente política autocrática (como o bolsonarismo) na sociedade brasileira é péssimo para a democracia, ainda que fosse sob o pretexto de impedir a vitória de Belzebu. Com isso não se brinca.

A democracia exige um fazer político com a política. Politics, por certo, não política feita com instituições de controle do Estado, quer dizer, não um fazer político com a polícia, o ministério público ou o judiciário.

A política, entretanto, não se reduz às eleições, ao governo e à atividade parlamentar. Ou seja, a política não se confina ao Estado e suas instituições. E nem mesmo às organizações centralizadas da sociedade que almejam conquistar o Estado ou privatizar a esfera pública, como os partidos e as corporações. A política é um tipo de interação que pode se exercer nas ruas, nas mídias sociais, nos locais de convivência, vizinhança, estudo, trabalho, devoção ou lazer.

São esses múltiplos modos de fazer política que estão faltando. Não apenas ter um candidato convertido à democracia (mesmo que à democracia eleitoral e ao Estado democrático de direito – o que, nas atuais circunstâncias, já é uma grande coisa). Mas voltar à prática política democrática – inclusive de resistência democrática a todos os autoritarismos – na sociedade.

Lulismo e bolsonarismo são dois perigos para a democracia. Os democratas devem resistir a ambos.

O primeiro porque quer bolivarianizar (ainda que à brasileira, quer dizer, lulopetizar) o nosso regime, alterando o DNA da democracia que temos (que, se não é grande coisa, pelo menos nos permite sonhar com as democracias que queremos). Basta ver a recente carta do PT apoiando o regime sanguinário do neoditador Maduro na Venezuela, que já matou mais de 100 pessoas e fez centenas de presos políticos, além de aparelhar e degenerar todas as instituições.

O segundo porque representa o que pode haver de pior para a democracia: um autocrata honesto (ou tido por honesto), com capacidade para colocar ordem na casa, expressando desejos profundos de uma legião de cortadores de cabeças, moralistas e analfabetos democráticos, ainda por cima com uma turbamulta vil de seguidores.


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário é um programa de introdução à democracia chamado SEM DOUTRINA. Para saber mais clique aqui

Deixe uma resposta

Loading…

Deixe seu comentário