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O adversário mais temido pelo PT é Alckmin, não Bolsonaro

Por isso todas as orações dos petistas são para um segundo turno Haddad x Bolsonaro

Os votos do PT se concentram em regiões com maior número de assistidos por programas de transferência de renda do Estado e nos clusters de analfabetos funcionais (com escolaridade primária). É gente tradicionalmente arrebanhada por velhos caciques da política regional, que nunca deixaram de apoiar Lula porque sabem que ele é a melhor chance de manter tudo como está.

Esse pessoal vota, mas não sai em campo para defender nada. Não são agentes políticos proativos. Para o dia a dia da política, o PT sabe que não pode contar com eles. Precisaria de parlamentares e governadores (já que tem pouquíssimos prefeitos e vereadores). Mas concentrados como estão, os eleitores do PT não vão compor uma grande bancada parlamentar federal petista.

Pensando friamente, interessa ao PT, se seu candidato não for eleito, um presidente com fraca base congressual, como Bolsonaro. O que o PT mais teme é um presidente que tenha maioria no Congresso. Por isso, o principal adversário do PT não é Bolsonaro e sim Alckmin.

Ademais, num segundo turno Haddad x Alckmin, este último pode levar (com o voto, inclusive, dos bolsonaristas antipetistas radicais).

Por isso, o PT quer passar para o segundo turno contra Bolsonaro. Tanto porque é mais fácil ganhar de Bolsonaro no segundo turno (sabe que terá, para isso, parte dos votos de Alckmin, de Marina, de Ciro e de Álvaro), quanto porque, se perder, se transformará na principal força de oposição contra um presidente fraco, tendo mais chances de provocar um impeachment ou tomar de volta o governo em 2022 no primeiro turno (como se sabe, tucanos – por um defeito, talvez, genético – nunca fazem oposição de verdade).

Bolsonaro, entretanto, por suprema ironia, está fazendo o contrário do que pretende.

Ao aglutinar boa parte dos revoltados com o PT, retirando votos de uma alternativa democrática, o bolsonarismo está sendo, objetivamente, responsável por levar o PT ao segundo turno e, por conseguinte, novamente ao governo (porque, num segundo turno, Bolsonaro perde para qualquer um).

Bolsonaro está roubando votos não-petistas que seriam de Alvaro Dias, de Geraldo Alckmin e até de João Amoedo, notadamente no Sul, no Sudeste (inclusive no interior de São Paulo) e no Centro-Oeste. Qualquer um destes três que passasse para o segundo turno teria grandes chances de derrotar o candidato do PT. Mas, num segundo turno contra o PT, quem tem grandes chances de ser derrotado é Bolsonaro. Bela obra!

Resultado possível. O anticomunismo temporão, tipo guerra-fria, vai acabar entregando o poder aos dinossauros marxistas-leninistas que ainda dirigem o PT (ou vocês acham que os trinta dirigentes do núcleo duro do Partido Interno, com Dirceu e os assessores estratégicos de Lula à frente, se desvencilharam do marxismo-leninismo?)

Qual é o erro boçal nisso tudo? O erro é tentar combater a esquerdopatia com a direitopatia (para usar expressões do Reinaldo). A esquerdopatia só pode ser remediada com mais democracia, nunca com outra autocracia.


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