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O governo brasileiro está certo em relação à Venezuela

É óbvio que o governo brasileiro está certo em relação à Venezuela. Só porque Bolsonaro é um boçal, não significa que não devamos reconhecer quando ele acerta.

E ele acertou por que?

Bem, em primeiro lugar porque não havia mais Estado democrático de direito na Venezuela. Era uma ditadura (militar) e um Estado fora da lei (legítima). Assim, a alegação – inspirada no legalismo – de que a forma adotada para depor Maduro foi ilegítima, não cabe. O que a oposição não pode fazer é guerra.

Os democratas atenienses do final do século 6 a. C. não convocaram uma guerra contra a tirania dos psistrátidas. Simplesmente declararam que não reconheciam mais o governo tirânico. Pacificamente. Este é o caminho democrático.

Foi este o caminho do democrata Vaclav Havel e dos signatários da Carta 77 na República Checa. Enfrentaram pacificamente a autocracia.

Foi isso que fez o jovem parlamentar venezuelano Juan Guaidó. Não conclamou o povo para uma insurreição armada. Simplesmente não reconheceu o governo ilegítimo de Nicolás Maduro.

A declaração do Grupo de Lima está certa

A declaração de Fernando Henrique está certa

A declaração de Macron está certa

Condenar Maduro e reconhecer um governo provisório que tenha por objetivo convocar novas eleições é a única atitude aceitável pelos democratas. Inclusive, neste caso, por razões humanitárias. A narcoditadura de Maduro está matando – não somente a tiros, mas de fome – sua população. É um governo anti-humanista. É um governo terrorista.

O governo brasileiro, portanto, está certíssimo neste caso. E não está sozinho. Diversos países cujos governos condenam o regime de Nicolás Maduro reconheceram Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela após o discurso em que o líder da Assembleia Nacional disse que tem o objetivo de estabelecer um governo de transição e organizar eleições livres. Veja abaixo quais são:

Estados Unidos

Argentina

Canadá

Chile

Colômbia

Costa Rica

Equador

Guatemala

Honduras

Panamá

Paraguai

Peru

Reino Unido

Infelizmente, o PT comete outro erro boçal ao continuar apoiando a ditadura venezuelana, alinhando-se à ditaduras e protoditaduras que ainda infelicitam o mundo, como:

Rússia

Cuba

Bolívia

Nicarágua

Turquia

China

Irã

Reiterando. Bolsonaro está certo ao condenar o governo de Maduro como uma ditadura. Pena que, para ele, ditaduras só são as de esquerda. Tanto é assim que ele elogiou a protoditadura húngara de direita de Viktor Orbán.

Por isso Bolsonaro e os bolsonaristas apoiam governos e forças políticas populistas-autoritárias e i-liberais mundo afora (consideradas de direita).  É o caso, já citado, de Orbán (na Hungria), mas também o de Kaczynski (na Polônia), de Matteo Salvini (na Itália), de Geert Wilder (na Holanda), de Hans-Christian Strache (na Áustria), de Jörg Meuthen e Alexander Gauland (na Alemanha) e, na Asia, de Rodrigo Duterte (das Filipinas); além, é claro, de Donald Trump (nos USA) e dos líderes do Brexit (como Nigel Farage, na Inglaterra).

P. S. Depois deste artigo estar publicado o Renato Jannuzzi Cecchettini fez um interessante quadro comparando os índices de democracia (score geral do Democracy Index 2018 da The Economist Intelligence Unit) dos países que apoiam Guaidó e dos países que apoiam Maduro. Vejam que interessante. Quem apoia Maduro são os países menos democráticos.


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Clipping de 23/01/2019 – Caso Bolsonaros-Milícias

Sobre a Tirania de Timothy Snyder e os livrinhos que ele pode inspirar