Decifra-me ou te devoro

,

Os 4 objetivos da Odebrecht

Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência política percebe que a Odebrecht industriou a relação de seus funcionários. Diante das evidências disponíveis, eles não teriam outra saída senão delatar. E já que tinham que delatar, armaram a delação.

Foi assim, infelizmente com a conivência da Procuradoria Geral da República e, quem sabe, do STF, que Emílio pode ficar solto para escolher, dentre os delatores, alguns dispostos a prestar um serviço especial à organização.

Basta ouvir o capo Emílio, todo sorridente, deitando falação sobre suas responsabilidades e preferências, para concluir que ele se move em um terreno cuidadosamente preparado para a operação. Como não podia esconder totalmente a verdade, Emílio e seus comparsas resolveram então mentir com a verdade. Nesse campo da mistificação, da plantação de “evidências” e do investimento na confusão, Emílio foi insuperável, mas deve-se prestar atenção ao que disseram alguns “delatores”, em especial Henrique Valladares, e também Alexandrino Alencar (em destaque na foto abaixo), Marcio Faria da Silva e Benedito Junior, para citar alguns exemplos.

Alexandrino em Cuba

Os quatro objetivos de Emílio parecem claros:

1 – Esconder o verdadeiro papel da Odebrecht de banco ilegal do projeto criminoso de poder do PT e de seus aliados ditatoriais e protoditatoriais (Angola e Cuba, Venezuela e países onde estão em curso projetos neopopulistas bolivarianos), vendendo a falsa versão de que é apenas uma empresa que (como tantas outras) entrou no jogo sujo da corrupção endêmica (porque era a regra do jogo), doando recursos não contabilizados para campanhas eleitorais (de candidatos de todos os grandes partidos) e, ao denunciar dirigentes de todas as agremiações, conjurar um circulo de cumplicidade que possa levar à impunidade (ou, pelo menos, consiga retardar o julgamento dos crimes cometidos empurrando-os até a sua prescrição).

2 – Esconder que a Odebrecht se associou ao projeto criminoso de poder do PT, cumprindo o papel de braço empresarial do esquema e de financiadora de um verdadeiro Estado paralelo no país, divulgando a narrativa verossimilhante, porém mentirosa, de que apenas pagava propina para obter contratos com o governo (como se faz no Brasil há mais de 30 anos, pois é a regra do jogo).

3 – Esconder o mapa das contas secretas, no exterior e no Brasil, em nome de laranjas e de offshores (inclusive as abertas pelo própria Odebrecht), para guardar o dinheiro do crime e destinado não propriamente a financiar campanhas eleitorais e sim o esquema como um todo.

4 – Esconder a parte estratégica do esquema (sobretudo os recursos roubados e os aparatos operacionais que foram construídos, como o Setor de Operações Estruturadas – cuja descoberta não derivou das delações planejadas e sim da inconfidência de uma secretária – e suas ramificações com empresas e bancos que ainda não conhecemos) até que a correlação de forças possa mudar (por uma reviravolta política, como, por exemplo, a volta de Lula em 2018) e, enquanto isso, obter um acordo de leniência (na verdade, de conivência) que lhe permita continuar funcionando como empresa e celebrando contratos públicos sob a direção da mesma famiglia Odebrecht.

Este último ponto é muito importante. Repita-se: o crime mais grave – a existência de um Setor de Operações Estruturadas – não foi revelado por nenhum dos “delatores” escolhidos da Odebrecht e sim pela inconfidência de uma secretária (Maria Lúcia Tavares). Como essa organização clandestina foi montada dentro da empresa? Quem transferiu para a Odebrecht a tecnologia de montar organizações clandestinas? Quais suas relações com outras empresas no Brasil e no exterior? Quais suas relações com governos aliados do PT? Por meio de quais bancos brasileiros e estrangeiros essa organização operava financeiramente e quem eram os gerentes dessas contas? Se não investigarmos tudo isso vamos cair no conto do vigário Emílio.

Como é possível que Janot, Fachin, a força-tarefa da Lava Jato e Moro não consigam ver isso? De duas uma: ou eles não veem mesmo, por falta de experiência política, ou eles (ou alguns deles) fingem que não veem em nome de outros propósitos.

Nota – Não há nenhuma teoria da conspiração aqui. A Odebrecht, simplesmente, se associou ao projeto político criminoso do PT. Ponto.


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário já está disponível e começa a funcionar no próximo dia 30 de agosto de 2017. Clique no banner abaixo para saber mais.

Deixe uma resposta

Loading…

Deixe seu comentário