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Os desafios das eleições de 2018 para os democratas: um resumo em 7 pontos

1 – Parece que a maioria das pessoas ainda não entendeu essa história de primeiro e segundo turnos. Então muitos falam, tolamente: no primeiro turno vou votar no meu candidato preferido e no segundo vejo então o que fazer. Está errado. Como em 1989, quem votou, no primeiro turno, em Covas, Gabeira, Ulisses, Freire, foi para o segundo turno tendo que escolher entre Collor e Lula. No segundo turno já era.

2 – Se se estabelecer uma polarização no primeiro turno entre alguém do PT x Bolsonaro, entre alguém do PT x Ciro ou entre Ciro x Bolsonaro, já era. Por isso, só podemos votar, no primeiro turno, em um candidato do campo democrático que tenha condições reais de quebrar a polarização entre dois candidatos do campo autocrático.

3 – Quem são os pré-candidatos mais conhecidos do campo democrático? Álvaro Dias, João Amoêdo, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Paulo Rabello e Marina Silva (se ela quiser, é claro). A vitória de qualquer um destes será metabolizada pela democracia e a transição vai continuar, ou seja, nenhum deles, provavelmente, vai resolver os nossos principais problemas, mas pode ser uma ponte para um novo tempo.

4 – Quem são os pré-candidatos mais conhecidos do campo autocrático? Qualquer um do PT (que ainda será indicado por Lula), Ciro, Bolsonaro, Manuela, Boulos e Aldo Rebelo. A vitória de qualquer um destes será um desastre para a democracia. Não será ponte para lugar nenhum, mas um escorregador para o abismo.

5 – Portanto, não se trata de voto útil. Trata-se de voto democrático. Trata-se de escolher um candidato do campo democrático que tiver mais condições de quebrar a polarização entre dois candidatos do campo autocrático.

6 – Parece simples, não? Seria, se o eleitor-militante fosse um ser racional e não tivesse a mentalidade de torcedor. Assim, muitos, mesmo no campo democrático, lutam para afirmar o seu candidato do coração e para desqualificar os demais do mesmo campo. Não percebem que, com isso, podem estar não apenas tornando inútil seu voto, mas desqualificando-o como um voto democrático.

7 – É claro que o pior seria a vitória de um candidato do campo autocrático no primeiro turno, mas esta hipótese é mais improvável. Então o fundamental nestas eleições não é resolver todos os problemas do país (isso é impossível) e sim evitar os três cenários do horror no segundo turno: a) alguém do PT x Bolsonaro, b) alguém do PT x Ciro, ou c) Ciro x Bolsonaro. Mas isso se evita no primeiro turno, não no segundo. Ou seja, isso se evita apostando, no primeiro turno, no candidato do campo democrático que tiver mais chances de quebrar as polarizações maléficas para a democracia acima mencionadas. Ponto.


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