Funaro

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Os procuradores, afinal, estão “provando” que o impeachment foi golpe

É inacreditável. Funaro disse que Cunha pagou 1 milhão pelo voto no impeachment. Logo… foi golpe!

Ao articular, licitar (sim, pasmem, houve licitação entre Cunha e Funaro), manipular e agora divulgar essa delação de Funaro, a PGR afinal arrumou um jeito de dizer que o PT estava certo. O impeachment foi uma fraude, um crime cometido pelas velhas elites corruptas contra Dilma Rousseff.

Quem não sabia que as armações de Janot, apoiadas pelos procuradores da Lava Jato, acabariam dando nisso? Muitos de nós, que analisamos a conjuntura do ponto de vista da democracia, alertamos para esse perigo inúmeras vezes.

Todo esse jacobinismo, essa antipolítica da pureza, essa tara de limpar o mundo dos corruptos de todos os partidos – confundindo Lula com Cabral, Dirceu com Cunha, Vaccari com Geddel, ou seja, o Hezbollah com o PCC – acabou, objetivamente, como um modo de lavar os crimes políticos do PT usando como sabão os crimes comuns cometidos pelos velhos políticos tradicionais.

O PT não conseguiria aliados melhores do que os procuradores da Lava Jato. Não por serem os mais inteligentes. Mas por serem os mais tontos.

Entenda-se bem. As delações premiadas são importante recurso de investigação. Isso é indiscutível. Mas elas, sozinhas, não podem mesmo servir como prova para condenar ou absolver ninguém.

Por que? Ora, porque é possível manipular delações, como vimos no caso de Joesley, Delcídio, Emílio, Azevedo, Machado, Funaro e vários outros. Quem escolhe os delatores? Quem decide o que será aproveitado em uma delação? Quem decide o momento de divulgar uma delação? Quem vaza as delações para a imprensa? Todas essas não são decisões de cunho processual, jurídico, mas políticas.

Se quem é responsável por celebrar uma delação tem objetivos políticos e se quem delata tem objetivos econômicos ou de manutenção de sua organização criminosa, as delações viram uma arma para derrubar adversários, uma arma pior do que qualquer outra porquanto legalizada pela justiça. As delações deixam de ser elementos de procedimentos jurídicos e passam a ser arsenal para a luta política.

Repararam que depois da delação premiada não há mais confissão? O investigado – em acordo com o Ministério Público – só entrega informações estrategicamente escolhidas e omite as demais. As delações são especialmente necessárias para investigar organizações criminosas. Mas até hoje a maior organização política criminosa da nossa história, aquela que dirige o PT, não foi desbaratada, nem sequer incomodada (e apenas um membro do seu núcleo duro continua preso em regime fechado: João Vaccari).

Quem delatou a única organização política criminosa em atividade no Brasil? Ninguém delatou? Janot, Dallagnol e Carlos Fernando não tiveram o menor interesse em articular isso, tão ocupados que estavam em derrubar Temer?

Não se está falando de organizações criminosas de políticos, que são muitas, mas de uma organização política criminosa mesmo, estruturada para bolivarianizar o nosso regime. Pois é… parece que o objetivo era esconder a existência dessa organização (que dirige de fato o PT e é comandada por Lula e Dirceu) por meio da profusão de delações contra organizações criminosas de políticos que se associam para cometer crimes comuns.

A PGR de Janot e os procuradores da Lava Jato prestaram (e continuam prestando) esse imenso desserviço à democracia. Lavaram os crimes políticos do PT usando como sabão os crimes comuns cometidos pelos velhos políticos tradicionais.

O saldo é sombrio. Pouquíssimos políticos estão condenados e presos. A organização política criminosa que dirige o PT não foi (e não será) desbaratada. Lula está solto e em campanha. Dirceu não voltou para a cadeia. Se todo mundo é corrupto e se toda corrupção é igual, então entre 20 a 30% do eleitorado preferem Lula, pois pelo menos se preocupa com os pobres. Se todo mundo é corrupto e se toda corrupção é igual, então 15 a 20% da população preferem Bolsonaro, que pelo menos é honesto.

O cenário futuro mais provável é o pior possível. Caminhamos para uma polarização entre Lula (ou alguém apoiado por ele) versus Bolsonaro, aprisionando a disputa política no campo autocrático. O que configura um cenário de horror.


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