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Pesquisa no ato “PT Nunca Mais” na Paulista em 21 de outubro de 2018

Publicamos abaixo a íntegra do relatório da pesquisa feita pelo Núcleo de Etnografia Urbana / FESPSP e pelo Monitor Digital / USP. Pode-se sempre dizer que os pesquisadores são de esquerda, mas os resultados a que chegaram são coerentes com as observações e análises que eu e muitos – que não somos de esquerda – fazemos.

Chama a atenção na pesquisa as mudanças ideológicas dos participantes em menos de 20 meses. Cerca de 68% dos presentes à Paulista no dia 21 de outubro, também estiveram em manifestações pelo impeachment, ou seja, uma expressiva maioria (o que afasta a hipótese de tratar-se de outro público). As mudanças ideológicas entre março de 2017 e outubro de 2018 chegam a ser chocantes. Alguns exemplos:

No início de 2017, 70% não tinham preferência por partido nenhum, enquanto que no final de 2018, essa porcentagem é de apenas 34%. A rejeição a partidos (que são instituições da velha política) caiu pela metade. No mesmo período, a preferência pelo PSL subiu de zero para 44%.

Em março de 2017, 35% não se identificavam como de esquerda nem de direita. Em outubro de 2018 esse número passou a ser apenas 1%. Se 29% se diziam de direita em 2017, em 2018 essa porcentagem pulou para 72% (e os 11% que se diziam de esquerda desapareceram por completo).

Em 2017, 44% se diziam muito conservadores, enquanto que agora, em 2018, 74% assumem essa condição. Os que se diziam muito antipetistas eram 77% em 2017 e passaram para 91%.

Por último, em março de 2017, 56% se consideravam nada feministas. Essa porcentagem pulou para 70% em outubro de 2018.

Essas mudanças indicam que um acelerado processo de conversão ideológica – não apenas ao conservadorismo, mas ao reacionarismo antidemocrático, intolerante e guerreiro – ocorreu meio subterraneamente em apenas 19 meses. Claro que a adesão a Bolsonaro de grupos que convocaram o impeachment (sobretudo o MBL, mas também o Vem Pra Rua, na prática) deve ter tido um papel relevante nisso tudo. Grupos anticorrupção como o Nas Ruas, o Avança Brasil e um até agora pouco conhecido Despertar Patriótico já eram olavistas-bolsonaristas, alguns militaristas-intervencionistas, quer dizer, reacionários e autocráticos.

Segue abaixo a íntegra do relatório da pesquisa.

Pesquisa no ato “PT Nunca Mais” (21/10/18)

Monitor Digital, Pesquisa Ato PT Nunca Mais 21/10/18

Coordenação: Isabela Oliveira Kalil (Núcleo de Etnografia Urbana / FESPSP), Marcio Moretto (Monitor Digital / USP) e Pablo Ortellado (Monitor Digital / USP).

Tratamento estatístico: Leonardo Zeine

Este relatório apresenta os resultados da pesquisa realizada em 21 de outubro de 2018, na cidade de São Paulo, durante as manifestações PT Não/ PT Nunca Mais, último domingo antes do segundo turno das eleições. A pesquisa foi realizada entre 14 horas e 18 horas, na Avenida Paulista. Foram realizadas 432 entrevistas do questionário de natureza quantitativa e 20 entrevistas semi-estruturadas, além da observação de campo de natureza etnográfica. A manifestação foi convocada por diversos grupos antipetistas e de apoio a candidatura de Bolsonaro, entre eles grupos que se projetaram no movimento anticorrupção como MBL, Nas Ruas e Vem Pra Rua. Para as entrevistas do questionário quantitativo, fizemos abordagens aleatórias em toda a extensão da manifestação, das 14 às 17:30 horas. A pesquisa tem margem de erro de 5% com um intervalo de confiança de 95%.

Visão geral da manifestação

A manifestação ocorreu na Avenida Paulista, entre as avenidas Consolação e Alameda Joaquim. Ao longo da Avenida, foram posicionados seis carros de som, representando diferentes frentes e movimentos. Como a manifestação aconteceu durante um domingo, na avenida Paulista, que é lugar de passeio nos fins de semana, é difícil estimar o número de manifestantes, mas eles devem ter sido da ordem de dezenas de milhares.

Da Consolação em direção à Alameda Joaquim, os carros estavam identificados como 1) Nas Ruas 2) MBL (Movimento Brasil Livre) 3) Avanço Brasil 4) Vem pra Rua 5) Vem pra Rua 6) Despertar Patriótico. Três carros adicionais aguardavam na Avenida Consolação na expectativa de se posicionarem na Paulista.

Ao observar os discursos proferidos pelos carros de som, foi possível notar um gradiente das posições políticas, partindo de um discurso mais moderado no primeiro carro, até chegar em discursos e posições de maior radicalidade e agressividade no último carro. No primeiro carro, as falas defendiam o acolhimento das minorias sociais chegando a contar com intervenções de mulheres feministas e representantes LGBT. Também estavam presentes falas pedindo a solidariedade à população nordestina, lembrando a importância desta população na construção da cidade de São Paulo e apontando para o sofrimento de migrantes. O tom do primeiro carro era mais próximo da campanha presidencial oficial, com ênfase na figura de Jair Bolsonaro, especialmente ao tentar construir uma imagem mais “politicamente correta” do candidato.

Já os carros do MBL, do Vem Pra Rua, Avança Brasil (dos dois carros do Vem Pra Rua, um apenas replicava o áudio) estavam apoiando a candidatura de Bolsonaro, mas explicitando pautas próprias e com maior ênfase em uma posição contra o PT (Partido dos Trabalhadores). Estes carros contavam com um menor número de pessoas, em comparação com o primeiro. Já o último carro era o que expressava as posições mais agressivas contra o PT com o funk “Proibidão Bolsonaro” com a letra: “dou pra CUT pão com mortadela / e pras feministas, ração na tigela / as mina de direita são as top mais bela / enquanto as de esquerda tem mais pelo que cadela”. Outra música entoada pelos seguidores do último carro foi “tropa de elite é osso duro de roer / pega um, pega geral / também vai pegar o PT”.

O mesmo tom esteve presente nas falas de Jair Bolsonaro durante o evento. O candidato não esteve na Avenida Paulista, mas participou através de uma transmissão em vídeo em que saudava os manifestantes. O vídeo foi exibido em um telão da Avenida Paulista no caminhão de som do grupo “Nas Ruas”. Em sua fala: “Só que a faxina agora será muito mais ampla. Essa turma se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria. Nós acreditamos no futuro do nosso Brasil e juntos, em equipe, construiremos o futuro que nós merecemos. Temos o melhor povo do mundo, a melhor terra do planeta, e vamos com essa nova classe política construir realmente aquilo que nós merecemos. Estou aqui porque acredito em vocês e vocês estão aí porque acreditam no Brasil”.

Caracterização demográfica

A manifestação foi marcada pela presença das famílias, algumas com os filhos. A idade média foi de 44 anos, como nas manifestações pelo impeachment. A maior parte dos entrevistados se identificou como branca (67%), a escolaridade predominante foi o curso superior (71%). Comparando com a manifestação “Ele Não”, anti-Bolsonaro, de 29 de setembro, chama a atenção que essa, anti-PT, é menos escolarizada e com renda um pouco mais elevada.

Sexo

Fem. Masc. Outros
57% 42% 1%

Idade

13 a 17 18 a 24 25 a 34 35 a 44 45 a 54 55 a 64 Mais de 65
3% 22% 36% 20% 12% 5% 3%

 Cor

Branca Parda Preta Amarela Indígena Outra
68% 20% 5% 3% 0% 4%

 Renda familiar

Até 2 S.M. 2 a 3 S.M. 3 a 5 S.M. 5 a 10 S.M. 10 a 20 S.M. Mais de 20 S.M.
8% 8% 21% 33% 20% 10%

*S.M.= Salários Mínimos

Escolaridade

Fundamental (comp. e incomp.) Ensino Médio (comp. e incomp.) Ensino Superior (comp. e incomp.)
4% 25% 71%

 Comparação de renda por faixa etária nas manifestações “Ele Não” e “PT Não”

Idade 35 a 54 Até 2 S.M. 2 a 3 S.M. 3 a 5 S.M. 5 a 10 S.M. 10 a 20 S.M. Mais de 20 S.M.
Ele Não 7% 5% 23% 35% 24% 6%
PT Não 5% 5% 17% 41% 21% 11%

 Comparação de escolaridade nas manifestações “Ele Não” e “PT Não”

Superior

(comp. e incomp.)

Ele Não 86%
PT Não 71%

Identidades políticas e histórico de mobilização

Buscamos também verificar a diversidade política dos manifestantes por meio de um questionário sobre identidades políticas (conservadora, feminista e antipetista), sobre preferência partidária e sobre participação em outros protestos. Há grande contraste entre a identidade política desta manifestação e a que medimos nas manifestações anticorrupção de 2015 a 2017 convocadas pelos mesmos grupos (MBL, Vem Pra Rua, Nas Ruas). Comparando com os dados da manifestação anticorrupção de 31 de março de 2017, vemos um deslocamento muito grande da identidade política, de “nada disso”, para direta; de “pouco conservador” para “muito conservador” e da preferência partidária em nenhum partido para o PSL de Jair Bolsonaro. Quanto ao histórico de mobilização, mais de dois terços participou das manifestações que pediram o impeachment de Dilma Rousseff e mais de um terço participou dos protestos de junho de 2013.

Preferência partidária

PSL Novo PSDB DEM Rede PT Outros Nenhum
44% 13% 2% 1% 1% 0% 6% 34%

 Identificação no espectro esquerda-direita

Esquerda Centro esquerda Centro Centro direita Direita Nada disso Não sei
0% 1% 2% %14 72% 9% 2%

 Conservador

Muito conservador Pouco conservador Nada conservador Não sei
74% 23% 2% 1%

 Feminista

Muito feminista Pouco feminista Nada feminista Não sei
Geral 8% 15% 70% 7%
Mulheres 9% 19% 70% 2%

 Antipetista

Muito antipetista Pouco antipetista Nada antipetista Não sei
91% 5% 3% 1%

Participação em outras manifestações

Junho de 2013 Contra aumento das passagens Pró impeachment Anti impeachment Parada LGBT Marcha da maconha
35% 18% 68% 1% 5% 1%

Evolução das identidades políticas 2017-2018 de manifestantes convocados por grupos anticorrupção

Mar 2017 Out 2018
Preferência partido nenhum 70% 34%
Preferência PSDB 11% 2%
Preferência PSL 0% 44%
Espectro esquerda-direita: nada disso 35% 1%
Espectro esquerda-direita: direita 29% 72%
Espectro esquerda-direita: esquerda 11% 0%
Muito conservador 44% 74%
Muito antipetista 77% 91%
Nada feminista 56% 70%

Motivação dos manifestantes

Investigamos também a motivação dos manifestantes. Tentamos medir entre diversas características atribuídas à campanha do PT, como o apoio a ditaduras, a corrupção no partido, sua incapacidade na gestão da política econômica, sua leniência no combate ao crime e o fato de Haddad ter distribuído o chamado “kit gay” nas escolas, quais tinham sido as mais determinantes para os manifestantes tomarem as ruas. O resultado mostra que a corrupção segue o tema mais relevante, mas também a má condução da política econômica e o apoio a ditaduras como na Venezuela foram relevantes.

Quais aspectos da atuação do PT foram mais determinantes para ir à manifestação

É o partido mais corrupto Afundou a economia Apoia ditaduras Não é duro na punição a criminosos Distribuiu kit gay nas escolas
Muito determinante 98% 98% 82% 87% 68%
Pouco determinante 2% 2% 13% 8% 19%
Nada determinante 0% 0% 5% 5% 13%

Em seguida, perguntamos entre as cinco características, qual foi aquela mais determinante para a decisão de ir à manifestação:

Entre os cinco aspectos, qual o mais determinante

É o mais corrupto Apoia ditaduras Afundou a economia Distribuiu o kit gay nas escolas Não é duro na punição a criminosos
60% 18% 14% 5% 3%

Confiança na imprensa

Por fim, investigamos o grau de confiança em três veículos da chamada “grande imprensa” e três sites da imprensa alternativa de direita que tem grande difusão no Facebook. Os resultados mostram um grau bastante baixo de confiança na grande imprensa e um grande desconhecimento dos sites alternativos – provavelmente seu grande alcance se deve mais ao conteúdo da manchete do que à marca. Apesar do alto índice de desconhecimento, os sites alternativos tiveram um índice de confiança superior ao dos grandes meios.

Veículos da grande imprensa

Folha de S. Paulo Globo Veja
Confia 7% 10% 14%
Não confia 93% 90% 82%
Não conhece 0% 0% 4%

 Sites alternativos

Notícias Brasil Online Política na Rede Imprensa Viva
Confia 18% 15% 11%
Não confia 20% 25% 15%
Não conhece 62% 60% 74%

Entrevistas semi-estruturadas

Nas entrevistas semi-estruturadas procurou-se responder a duas questões: 1) Qual seria a maior ameaça contra o Brasil hoje? 2) Qual seria a solução? As 20 entrevistas foram realizadas em diferentes carros de som, buscando manter a diversidade de idade, sexo, raça e identidade de gênero.

Dentre as percepções, uma entrevistada transexual afirmou que Bolsonaro não representaria um risco às pessoas trans e que não imagina que haverá redução nos direitos, citando especificamente os tratamentos hoje oferecidos pelo SUS para redesignação sexual. Outro entrevistado apontou a necessidade de que os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) sejam “concursados” e não escolhidos pelos presidentes. De acordo com esta perspectiva, o STF estaria sendo “conivente com a corrupção petista”.

Um dos elementos mais comuns entre os entrevistados foi a defesa do voto em cédula. Outro elemento presente nas falas da maior parte das pessoas ouvidas foi a percepção de que elas “foram de graça” em referência às denúncias de que empresários apoiadores de Bolsonaro teriam pago de forma ilegal por uma série de disparos de mensagens pelo WhatsApp durante a campanha. Este sentimento também foi expresso a partir de falas e cartazes “eu sou o caixa 2 de Bolsonaro”. Estas posições estavam em consonância com os discursos dos carros de som apontavam que o PT estaria culpabilizando o WhatsApp por uma eventual derrota eleitoral.

Dentre as ameaças, aquelas mais apontadas são “o Brasil se tornar uma Venezuela”, criminalidade e corrupção. Algumas pessoas expressaram medo de redução no salário para um eventual aumento de impostos pelo PT, outras falaram sobre o medo de ter que dividir suas casas com pessoas estranhas. Foram apontados também receio de cortes no SUS (Sistema Único de Saúde) pelo PT, riscos da doutrinação marxista (especialmente no ambiente escolar) e riscos do comunismo. Um entrevistado apontou como ameaça uma eventual reação dos “petistas” nas ruas, caso Bolsonaro seja eleito. Esta ameaça é expressa pelo receio de que os militantes de esquerda possam tomar as ruas com manifestações ou atos de vandalismo. Para isso, de acordo com o entrevistado, a solução seria aumentar o policiamento para evitar a atuação política da esquerda e dos movimentos sociais nas ruas.

As percepções sobre as possíveis soluções para as ameaças apontadas pelos entrevistados apontam ainda para a necessidade de serem tomadas medidas para superar o que é definido como instituições enfraquecidas. As respostas variam entre perspectivas que apontam para o endurecimento das penas para os cidadãos comuns visando reduzir a criminalidade e a corrupção até mudanças no próprio código penal. Em várias entrevistas e de formas variadas, foram apresentadas críticas ao poder judiciário brasileiro. Em uma das falas, foi enfatizado que no Brasil a Constituição Federal tem “muitos direitos e pouco deveres, é preciso inverter”. Esta percepção é reforçada e encontra respaldo em um dos cantos presentes na manifestação: “o PT é imoral, não a CF [Constituição Federal] nacional”. A referência seria uma crítica à possibilidade de que o PT pudesse vir a alterar a constituição federal, o que para determinados grupos seria um risco ao Estado de direito.

Especificamente sobre como os entrevistados avaliam a figura de Bolsonaro, para parte das pessoas ouvidas, o candidato não é visto como a solução para todos os problemas. Bolsonaro é visto como uma solução para recuperar o “patriotismo” perdido do brasileiro. Bolsonaro também é apontado como uma figura importante na defesa da “família tradicional” e uma espécie de barreira contra pautas consideradas fora da moralidade e, portanto, da “ética e a moral”. Bolsonaro é visto como o representante do “novo”, o início de um processo mais amplo de mudança no país. Desta perspectiva, o PT é visto como uma ameaça à Constituição Federal e à democracia e Bolsonaro é visto como uma primeira solução contra o PT, o primeiro passo de uma série de mudanças.

Em uma das entrevistas, Israel é apontada como a “nação escolhida por Deus” e o Brasil poderia se tornar também a “terra de Deus”. Na manifestação foram visíveis em diferentes carros de som e com transeuntes a bandeira do estado de Israel. Também estavam presentes a bandeira monarquista, a bandeira da Liga Cristã Mundial, a bandeira dos Estados Unidos, além das bandeiras do Brasil e do estado de São Paulo. Várias pessoas usavam máscaras de papel com o rosto de Bolsonaro. Uma dos adereços mais usados foram as camisetas com estampas diversas em apoio ao candidato, tanto camisetas pretas com o rosto do candidato até aquelas com as cores verde e amarela como os dizeres “Meu Partido é o Brasil” com a indicação da facada sofrida por Bolsonaro.

Estavam presentes em campo repertórios vistos nas manifestações de junho de 2013 e nas manifestações pelo impeachment, em 2016. No primeiro caso, slogans como “O gigante acordou” ou “o Brasil acordou” foram as referências retomadas das manifestações de 2013. De 2016, a perspectiva do “Meu Partido é o Brasil”, expressa em um dos cartazes com os dizeres de “não só o PT / são todos os partidos / por isso pedimos intervenção já” um sentimento contra todas as instituições políticas e seus representantes, presente nas manifestações de 2016. Em uma das falas entre os carros de som, a referência a 2016 foi “São Paulo libertou o Brasil com o impeachment da Dilma e vai libertar o nordeste da necessidade do Bolsa Família”.

Equipe de pesquisadores que aplicaram os questionários quantitativos

Camila Monteagudo, Nathalia Kaiya, Luiza Farias, Letícia de Oliveira, Marcelo Saito, Julia Jorge, Gabriella Paiva, Marina Passafaro, Lianda Alves, Alexandre Gitti Junior, John Riley, Yanka Silva, Henrique Magalhães, Letícia Carvachio, Yasmin Pinhera, Carolina da Silva, Maria Clara de Oliveira e Elisa Premazzi.

Equipe de pesquisadores que conduziu as entrevistas qualitativas

Álex Kalil, Felipe Paludetti, Gabriela Melo, Weslei Pinheiro.


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