Formadores de opinião

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Quem são (e quantos são) os chamados “formadores de opinião”

São pouquíssimos os jornalistas e analistas políticos considerados “formadores de opinião”. Com exceção da chamada esquerda, é claro.

DE ESQUERDA

Então é até bobagem tentar citar um a um. Pois na esquerda temos legiões de ideólogos, de ideólogos disfarçados de jornalistas da grande imprensa ou da chamada rede suja de sites e blogs petistas (e assemelhados) e de ideólogos duplamente profissionais (marxistas por profissão: de fé e como emprego mesmo), que são os professores universitários (em especial nas áreas de humanas das universidades federais, mas não só) e que são milhares.

Para não deixar de lembrar alguns nomes (em certo sentido até meio caricatos) de ideólogos de esquerda, temos:

Boaventura de Souza Santos (que embora seja um professor português, dedicou-se a fazer a cabeça de militantes brasileiros).

Breno Altman (lugar-tenente de José Dirceu)

Frei Betto

Gregório Duvivier

Leonardo Boff

Leonardo Sakamoto

Luis Nassif

Mino Carta

Paulo Henrique Amorim

Tico Santa Cruz

Bernardo Mello Franco (e centenas de jornalistas na grande imprensa, muitos dos quais jamais se declaram de esquerda, podendo ser denominados de cripto-petistas ou cripto-lulistas)

E, como alguns dos já citados acima, “jornalistas” da rede suja de sites e blogs a serviço do PT e de partidos alinhados ideologicamente. Por exemplo: Brasil 247, Opera Mundi, Correio do Brasil, Revista Forum, Carta Capital, Pragmatismo Político, O Cafezinho, Plantão Brasil, Conversa Afiada, GGN, Rede Brasil Atual, Diário do Centro do Mundo, Viomundo, Brasil de Fato, Caros Amigos, Carta Maior, Tijolaço, Outras Palavras, Mídia Ninja e centenas de outros menores.

DE DIREITA

Na chamada direita temos poucos, mesmo que nesta categoria sejam, em geral, enquadrados tanto os liberais-econômicos (que não deveriam aceitar o rótulo, muito menos se orgulhar dele), quanto liberais-conservadores, conservadores, estatistas-militaristas, anticomunistas conspiracionistas religiosos e laicos (como os olavistas e os bolsonaristas). Uma lista (não-exaustiva) incluiria nesta banda:

Alexandre Borges

Ana Paula

Bia Kicis

Bruno Garschagen (e a turma do Instituto Mises Brasil)

Carla Zambelli (e a turma do Nas Ruas)

Claudio Tognolli

Danilo Gentili

Felipe Moura Brasil

Flavio Morgenstern (e a turma do Senso Incomum)

Jair Bolsonaro (e os bolsonaristas militantes)

João Amoêdo (e a turma do partido Novo)

João Pereira Coutinho

Joice Hasselmann

Kim Kataguiri (e a turma do MBL)

Lobão

Luciano Ayan

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (e a turma do Acorda Brasil)

Fábio Ostermann (e a turma do Livres-PSL)

Felipe Pondé

Maçons do grupo Avança Brasil

Marcelo Faria (e a turma do Ilisp)

Marcelo Reis (e a turma do Revoltados Online)

Olavo de Carvalho (e os olavistas)

Rachel Scheherazade

Rafael Rosset (e a turma do Implicante)

Reinaldo Azevedo

Renato Tamaio (e a turma do SOS Forças Armadas)

Ricardo de Aquino Salles (e a turma do Endireita Brasil)

Rodrigo Constantino (e a turma do Instituto Liberal)

Rodrigo da Silva (e a turma do Spotniks)

Roger Moreira

Silas Malafaia

Pessoal do Brasil Paralelo, Diário do Brasil, Folha Política, Socialista de iPhone e Caneta Desesquerdizadora e outros veículos ou páginas do Facebook.

NÃO ALINHADOS

Há também os não alinhados, no sentido de que não se declaram de esquerda ou de direita, como, por exemplo:

Augusto Nunes

Bolivar Lamounier

Demétrio Magnoli

Dora Kramer

Eliane Cantanhêde

Fernando Gabeira

Guilherme Fiuza

José Nêumanne Pinto

José Roberto Guzzo

Luiz Carlos Azedo

Nelson Motta

Ricardo Noblat

Ruy Fabiano

E dentre os não-alinhados, há os que ficaram mais-alinhados ao participarem da recente orquestração Fora Temer, como:

Diego Escosteguy

Diogo Mainardi

Marco Antonio Villa

Mario Sabino

Merval Pereira

Rogério Chequer (e a turma do Vem Prá Rua)

UM RÁPIDO BALANÇO

Um rápido balanço revela que os tais “formadores de opinião” são muito poucos – com exceção dos de esquerda, é claro: se somarmos os professores universitários e o pessoal dedicado a atividades artísticas e culturais, as turmas do movimento sindical e associativo, das ONGs e dos ditos movimentos sociais, os jornalistas, os profissionais liberais, os funcionários de organismos internacionais e os militantes partidários, é quase impossível totalizar a conta.

Entre os “formadores de opinião” da chamada direita, temos apenas cerca de 30 pessoas mais conhecidas (que publicam diariamente ou regularmente matérias – artigos e vídeos – originais) – boa parte das quais admiradora de Donald Trump, de Olavo de Carvalho e eleitora de Jair Bolsonaro (supostamente para barrar a esquerda). É claro que se somarmos os seus colegas de trabalho, alunos e os seguidores que replicam suas publicações nas mídias sociais, esse número sobe consideravelmente. Mas nada que chegue perto do número dos ideólogos da esquerda. Talvez não chegue nem a 1% (o que apenas revela três décadas, no mínimo, de hegemonia cultural da esquerda). Mas a direita, ao contrário da esquerda, não está enraizada socialmente e o fato de ter navegado na onda interativa que se avolumou contra o PT é apenas uma eventualidade, não o resultado de uma identificação ideológica (como propagam os tolos que dizem que “o povo é de direita”: não é, não; e sim apenas conservador nos costumes, expressando uma cultura predominante que, como toda cultura, é conservadora).

MAS A CONTA NÃO É ESTA

Todavia, a conta não é esta. Como a opinião pública não é a soma das opiniões privadas e sim o resultado da interação das opiniões que são voluntariamente proferidas no espaço público e se sintonizam, dessintonizam, sinergizam, convergem, divergem e se polinizam mutuamente, num processo emergente, não é o número dos chamados “formadores de opinião” que determina a opinião pública.

Por exemplo, formou-se uma opinião pública, nas mídias sociais, nas ruas e em todos os lugares de convivência, trabalho, estudo e lazer, sobre a necessidade de apear o PT do governo, ainda que os chamados “formadores de opinião” que defendiam isso fossem amplamente minoritários (em relação aos que diziam que o impeachment era golpe).

Com o aumento da interatividade, as pessoas não formam suas opiniões apenas seguindo a opinião de algum conhecido “formador de opinião”. O processo depende de múltiplas e variadas interações, com parentes, amigos, vizinhos, colegas de trabalho e estudo, correligionários ou irmãos de credo (seja ele qual for) e… desconhecidos (até ontem). E, mais importante ainda, o processo depende cada vez mais de laços fracos, provenientes da interação fortuita, do que de laços fortes (parentais ou consanguíneos e funcionais-hierárquicos). É a nuvem interativa na qual alguém está imerso que determinará, em termos coletivos, o comportamento do emaranhado (e não suas convicções pessoais, sua filiação a uma corrente filosófica, sua adesão a uma doutrina ou a um credo laico ou religioso).

Nem a chamada esquerda, nem a chamada direita, entenderam isso. E por isso insistem em formar discípulos, seguidores, fiéis, militantes. Mas esses contingentes formados por laços fortes são extremamente fracos em comparação com as correntes de opinião que se conformam de modo espontâneo e que emergem de nuvens interativas. É isso, aliás, o que explica os swarmings (como os de junho de 2013, no Brasil e em vários países – sobretudo no Egito) e não o processo clássico de identificação e adesão a um conteúdo, clusterização e organização a partir de um centro aglutinador qualquer ou de uma liderança. A Irmandade Muçulmana no Egito tinha incomparavelmente mais recursos doutrinários e organizativos do que as pessoas descrentes e desorganizadas que, no dia 30 de junho de 2013, produziram a maior manifestação de rua da história humana (e que levou à deposição de Mohamed Morsi, aliás, eleito por maioria no ano anterior). Quem derrubou Morsi não foram os militares (eles assumiram o poder porque eram a única instituição nacional do Egito em condições de fazê-lo) e sim as pessoas comuns. Da mesma forma, mutatis mutandis, quem derrubou Dilma foram as pessoas comuns do Brasil, que não eram (nem nunca pretenderam ser) “formadoras de opinião”, que não seguiam nenhuma cartilha, que se jogaram de corpo e alma no fluxo interativo da convivência social, sem doutrina.

A base social da democracia (ou do processo de democratização) em uma sociedade-em-rede não é composta ou fabricada pelos codificadores de doutrinas, pelos ideólogos, e sim pelos processos de rede que acontecem nos subterrâneos da sociedade, quando miríades de opiniões se encontram gerando inumeráveis derivas harmônicas e desarmônicas, explodindo como uma ramada de neurônios.


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