in

Quem são os bolsonaristas e por que devemos resistir a eles

Atenção, pessoal. Não estou falando dos eleitores de Bolsonaro e sim de cerca de 10% dos eleitores de Bolsonaro. Também não estou falando do governo Bolsonaro (que é um bem público) e sim do bolsonarismo como força-política regressiva, reacionária e autocrática.

O quadro abaixo resumo uma espécie de anatomia macroscópica do bolsonarismo:

Para quem não está conseguindo ler o quadrinho. São sete núcleos:

NÚCLEO “ARQUIVO X” 

Combatentes antiglobalistas conspiracionistas e anticomunistas-macarthistas, trumpistas e bannonistas (como os olavistas)

Monarquistas tradicionalistas

Religiosos católicos ultraconservadores (tipo TFP)

Hierarcas ocultistas (maçons, teosofistas e outras seitas míticas, sacerdotais, autocráticas e templárias)

NÚCLEO “FANÁTICOS E ZUMBIS”

Jovens jihadistas de iPhone e tiazinhas do WhatsApp analfabetos democráticos que tomam a política como uma espécie de guerra religiosa

Fiéis evangélicos fundamentalistas

NÚCLEO “FAMILISTA”

Bolsonaro, seus filhos, sua mulher e agregados faz-tudo (tipo Fabrício Queiroz)

NÚCLEO “JACOBINO-RESTAURACIONISTA”

Membros do Judiciário, do MP, de forças policiais, antagonistas da antipolítica da terra arrasada (que instrumentalizam politicamente as operações de combate à corrupção e exploram o moralismo da população)

NÚCLEO “MILITARISTA-INTERVENCIONISTA

Oficiais linha-dura das Forças Armadas que decidiram tutelar e ocupar o governo pegando uma carona na candidatura Bolsonaro e dele fazendo seu Cavalo de Troia para contrabandear suas ideias i-liberais para a cena pública

NÚCLEO “REALPOLITIK”

Economistas liberais e políticos tradicionais que querem estar no poder (e não são necessariamente bolsonaristas)

NÚCLEO “VIGARISTA”

Bispos e pastores evangélicos espertalhões, políticos adesistas e outros oportunistas (que não são necessariamente bolsonaristas)

Jamais confundindo esses bolsonaristas com os eleitores normais de Bolsonaro e nem com o governo Bolsonaro, cabe dizer o seguinte.

A preocupação dos democratas de não ficarem subordinados à liderança petista da oposição não pode se exercer rejeitando a ideia de resistência democrática e sim mostrando que a resistência pretendida pelo PT é guerreira e, portanto, antidemocrática. Deve-se resistir, sim, à ocupação do governo pelo bolsonarismo e, sobretudo, ao avanço do bolsonarismo na sociedade.

Ao governo legitimamente eleito – que é um bem público e cujo desempenho afeta todas as pessoas – não devemos resistir e sim fazer a oposição normal que existe em qualquer democracia (e sem a qual não há democracia).

Todavia, às investidas de uma força política autoritária, como o bolsonarismo, devemos resistir. Resistir, neste caso, significa impedir ou dificultar a progressão de uma força maligna para a democracia. Isto é a resistência democrática: uma resistência à guerra, à perversão da política como uma continuação da guerra por outros meios (como querem fazer o bolsonarismo e o lulopetismo – e por isso devemos resistir a ambos).

Só porque o PT roubou a expressão (‘resistência democrática’) para deturpá-la, não podemos abandoná-la. Nem confundir uma coisa com outra.

Ao governo faremos, os democratas, oposição normal, institucional (como existe em qualquer país democrático do mundo). Ao bolsonarismo, porém, resistiremos, assim como resistiremos igualmente ao lulopetismo (que quer voltar ao poder para continuar implantando seu projeto de usar a democracia contra a democracia).

Por favor, meus amigos e amigas, usem a inteligência. Não se deixem emprenhar pelos juízos rasos e impressionistas de quem não entendeu da missa a metade. Parar com essa bobagem é a única maneira de não ser pautado (ainda que pelo avesso) pelo PT e também pelo bolsonarismo (que vai tentar desqualificar toda oposição como “terceiro turno” ou como não aceitação do legítimo resultado das urnas, identificando-a falsamente com a resistência petista, que não é democrática).


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário é um programa de introdução à democracia chamado SEM DOUTRINA. Para saber mais clique aqui

O nome de Deus usado para iludir, enganar, trapacear

Uma declaração de democratas brasileiros no dealbar de 2019