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Resistir à guerra

Vivemos, neste início de 2019, em um momento muito difícil. Principalmente nós, que tomamos a democracia como um valor e que não concordamos com os populismos (sejam ditos de direita, como o populismo-autoritário bolsonarista, sejam ditos de esquerda, como o neopopulismo lulopetista).

Os populismos só sobrevivem instalando na sociedade uma polarização e pervertendo a política numa espécie de guerra fria.

Nós – que temos paixão pela liberdade e amamos a paz – ficamos deslocados em meio a essa guerra de narrativas. Se você critica Bolsonaro é acusado de petista. Se critica o PT é acusado de bolsonarista. Somos assim incompreendidos pelos que não valorizam a democracia. Já éramos incompreendidos durante a campanha eleitoral quando dizíamos: “PT nunca mais, Bolsonaro jamais”.

Desgraçadamente, deu Bolsonaro e deu… PT. Sim, porque ambos queriam a guerra e agora vão continuar transformando a política num campo de batalha.

Ambos dizem que estamos em cima do muro, mas nos recusamos a aceitar que exista um muro separando os brasileiros “do bem” dos brasileiros “do mal”. O muro de Berlim caiu em 1989, mas essas pessoas querem reconstruí-lo. Nós não aceitamos isso, não queremos erigir muros que nos separem e sim promover o entendimento capaz de restabelecer o diálogo, a tolerância, o respeito-mútuo, a amizade e um clima de cooperação sem o qual dificilmente vamos conseguir viver em ambientes mais humanos.

Sabemos que esse estado de guerra é, em si, o mal. Por isso resistimos ao avanço do bolsonarismo na sociedade. Mas nossa resistência é democrática, é uma resistência sem guerra. E por isso também resistimos ao lulopetismo, que quer manter a guerra, torcendo para o novo governo dar errado e apostando no quanto pior melhor.

Na verdade, resistimos à guerra.

O que podemos fazer neste momento é promover oportunidades – mesmo que pequenas e reduzidas – para as pessoas comuns, que não concordam com a guerra, se reconhecerem, se conhecerem e, eventualmente, passarem a se relacionar, articulando suas próprias redes em prol da liberdade.

Algumas pessoas, que concordam com essas premissas, estão redigindo coletivamente uma carta sobre o tema. A minuta da carta está no link abaixo (e se você se interessa pelo assunto deve lê-la para ver se está de acordo com a linha geral).

Paixão pela liberdade, resistência sem guerra e inovação democrática

Que outras iniciativas semelhantes surjam.


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário é um programa de introdução à democracia chamado SEM DOUTRINA. Para saber mais clique aqui

Paixão pela liberdade, resistência sem guerra e inovação democrática

O movimento militar de 2018