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Sete perguntas que os democratas não podem deixar de fazer à Marina Silva

Me perguntam: você votaria em Marina? Respondo na lata: sim, eu votaria se ela fosse a única possibilidade de quebrar a polarização entre um candidato do PT ou Ciro Gomes e Bolsonaro.

Isso não significa que eu concorde com os pontos de vista do seu partido. É preciso ver quem são os coordenadores da Rede de Marina. Alguns deles eu conheço de longa data: são de esquerda, são marxistas e até marxistas-leninistas (aliás, uma parte da militância marineira tem um comportamento muito parecido com o da militância petista ou psolista). Acho difícil alguém que não se desvencilhou da visão marxista do mundo aceitar a democracia como valor universal.

Mas entre ela, Marina, e alguém claramente situado no campo autocrático (como qualquer petista, Ciro ou Bolsonaro), é claro que os democratas devem tomá-la como preferível. No entanto, ainda está cedo para dar esse passo ou fazer essa escolha. A campanha ainda não começou. E não está configurada a situação descrita acima. As pesquisas espontâneas de opinião não colocam Marina claramente na frente de outros candidatos do campo democrático.

Ademais, Marina não poderá governar sozinha (sua Rede não elegerá senão alguns poucos congressistas). E aí entram as questões cruciais, que se traduzem em perguntas fundamentais que os democratas devem fazer a Marina:

1) Marina dará continuidade às reformas ou cederá diante das pressões das corporações, dos movimentos sociais e dos intelectuais de esquerda, para impedi-las?

2) Como Marina tratará as milícias políticas (travestidas de movimentos sociais que atuam como correias de transmissão do PT) como o MST, a Via Campesina e o MTST?

3) Marina chamará petistas para compor seu governo? Colocará o PT na sua base de apoio parlamentar?

4) Marina colocará seus esquerdistas radicais, como Randolfe Rodrigues (que defendeu Dilma com mais ardor do que os próprios petistas), em posições-chave no governo?

5) Marina continuará igualando os chefes da organização política criminosa (como Lula e Dirceu) aos demais corruptos da política tradicional? Prosseguirá declarando (como fez recentemente) que “a única diferença” entre Lula e Temer é que um está preso e, o outro, solto? Terá coragem de declarar que Lula não é um preso político e sim um político preso?

6) Marina está disposta a entrar na articulação de um polo democrático e reformista (não apenas a enviar um representante a uma reunião), aceitando interagir com os demais candidatos do campo democrático (como João Amoêdo, Paulo Rabello, Álvaro Dias, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Flávio Rocha), ou continuará querendo se destacar sozinha (afirmando-se como a única alternativa nova e condenando todos ou alguns desses como representantes da velha política)? Ou seja, ela vê a necessidade de construir uma unidade no campo democrático ou só quer apoio para vencer sozinha (mesmo sabendo que não poderá governar sozinha)?

7) Marina está disposta a responder publicamente as perguntas acima? Ou sairá pela tangente para não perder os votos dos eleitores de esquerda órfãos do lulismo?

Os democratas não podemos deixar de fazer essas perguntas.


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