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Sobre o mega-esquema de segurança para a posse de Bolsonaro: segurança coisa nenhuma!

Esses exageros com esquemas de segurança para a posse de Bolsonaro não têm a ver propriamente com segurança. Têm um propósito, digamos, psicossocial. É uma perversão baseada na construção de um inimigo imaginário.

É como se eles estivessem nos dizendo:

“Atenção! Os comunistas, os globalistas, os ateus e os inimigos da família, da pátria, da civilização e do verdadeiro deus (o de Trump), continuam aí, prontos para nos destruir”.

Se você não entendeu nada, fique tranquilo: Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo vão lhe explicar direitinho (e se até Eduardo Bolsonaro entendeu, você também entenderá).

A facada desferida por um desequilibrado ao candidato Bolsonaro em Juiz de Fora dá ares de verossimilhança à pantomima (e contra esse tipo de ataque outros esquemas de segurança – modestos e eficazes – que, aliás, Bolsonaro desprezou, seriam mais úteis, não sendo necessária a montagem de gigantesco aparato militar).

Mas o triste evento será trabalhado eternamente para manter viva a dúvida de se o crime não foi cometido a mando do PT ou da esquerda.

E abre caminho para o delírio distópico. Imaginar que haveria alguém disposto a perpetrar um ataque aéreo contra o presidente – seriam aeronaves pilotadas por médicos cubanos, por corruptos venezuelanos ou adquiridas no narcotráfico pelo PSOL? – é uma maluquice, mas tem método.

Lê-se no G1 de anteontem (28/12/2018):

Segurança da posse de Bolsonaro terá mísseis antiaéreos com alcance de 7 km; veja detalhes

Parte da Esplanada será cercada por arame farpado com lâminas. Cerimônia terá maior esquema de segurança da história, diz governo.

De vez em quando (mas ao que tudo indica calculadamente) os serviços militares de inteligência vazam para a imprensa histórias de que estão sendo detectadas articulações terroristas para matar Bolsonaro (da Al Quaeda, do Isis ou dos militantes LGBTQIAP+ que querem alimentar nossas crianças usando mamadeiras com bico de pênis?)

O bolsonarismo como manifestação psicossocial é uma perigosa alucinação, mas que não nasceu tão espontaneamente assim. Como estamos vendo, foi cuidadosamente articulada por malfeitores, civis e militares, religiosos e laicos, que a partir de agora terão influência no núcleo duro do novo governo.

Esses malucos – com destaque para os militaristas e para os novos cruzados da civilização ocidental cristã – continuarão gerando terror a partir do Estado.

Não há terrorismo no Brasil? Ora, isso é apenas um detalhe. Vamos criá-lo. A ameaça é necessária: para gerar mais-ordem temos de imolar um pouco de liberdade no altar da segurança e da defesa.

A manobra é manjada. Foi usada por todos os autocratas em todos os lugares e em todas as épocas da história (desde que existem autocratas).

É um sinal preocupante.


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Agora, sim, nós vamos falar do Deus de Trump

Adeus Michel Temer