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Listas úteis: bolsonaristas influentes, militares no governo, militantes lulopetistas e justiceiros lavajatistas

Tem gente que não gosta de listas. Eu gosto. Desde que não sejam feitas por alguma instância de poder com o objetivo de perseguir pessoas. Mas a deformação das mentes promovida pela ditadura foi tão grande que algumas pessoas continuam raciocinando como se fazer listas de bolsonaristas influentes ou até de militares no governo, de militantes lulopetistas ou de justiceiros lavajatistas, fosse algum tipo de caça às bruxas ou perseguição, ou delação. Em uma democracia não é. Claro que, se o regime mudar, isso não vale mais. E eu já entrei em listas, quando figurar nelas poderia significar a prisão, a tortura e a morte, o exílio ou a clandestinidade (o que de fato aconteceu).

Chega até a ser engraçado! São esses militantes que fazem listas para perseguir pessoas e nos acusam, a nós, que não perseguimos ninguém (nem temos poder para isso) de estarmos perseguindo-os, a eles, os perseguidores, só porque declamamos seus nomes.

LISTA SUCINTA DOS BOLSONARISTAS MAIS INFLUENTES

Sem uma parte dessas pessoas, listadas abaixo, é o óbvio, não haveria o que chamamos de bolsonarismo. Nem todos da lista apresentada a seguir são bolsonaristas-raiz. Mas todos apoiam Bolsonaro, alguns por antipetismo, outros por oportunismo e outros, ainda, por ignorância política ou analfabetismo democrático. Os bolsonaristas, de fato e de direito, são os olavistas.

Vejam que a lista não é grande. Se tivéssemos o mesmo número de democratas (liberais-políticos) fazendo o que eles fazem, diariamente, quem sabe não estivéssemos nesta situação tão deplorável.

01 – Alexandre Borges (sincero admirador do olavismo)

02 – Alexandre Garcia (levado pelo antipetismo e pelo conservadorismo genérico)

03 – Allan dos Santos

04 – Ana Paula

05 – Artur do Val (mais MBL do que qualquer outra coisa)

06 – Augusto Nunes (outra vítima do antipetismo)

07 – Bene Barbosa

08 – Bia Kicis

09 – Bruno Garschagen

10 – Carla Zambelli

11 – Carlos Bolsonaro (dispensa comentários)

12 – Damares Alves (trata-se de uma fundamentalista-evangélica levada ao bolsonarismo pelas circunstâncias)

13 – Danilo Gentili (não se sabe exatamente o que é, mas sabe-se que apoiou Bolsonaro)

14 – Diogo Mainardi (na verdade um jacobinista restauracionista, defensor da antipolítica da terra-arrasada, hoje, talvez, um dos principais instrumentalizadores políticos da Lava Jato)

15 – Edir Macedo (apenas um oportunista que aderiria a qualquer governo que o aceitasse visando alguma vantagem presente ou futura)

16 – Eduardo Bolsonaro (um dos chefes olavistas das hordas bolsonaristas)

17 – Ernesto Araújo

18 – Fabio Wajngarten (atenção para este nome)

19 – Felipe Moura Brasil (olavista e antagonista)

20 – Fernando Holiday (outro mblista)

21 – Flavio Gordon

22 – Flavio Morgenstern (Flávio Azambuja Martins)

23 – Flavio Rocha (um conservador dinheirista que escorregou para o reacionarismo)

24 – Filipe Martins

25 – Guilherme Fiuza (um bom jornalista afetado pelo antipetismo ou antidilmismo)

26 – Guilherme Macalossi

27 – Italo Lorenzon

28 – Jair Bolsonaro

29 – Joice Hasselmann

30 – José Roberto Guzzo (outro jornalista conservador que, por repulsa ao petismo, decaiu para o reacionarismo)

31 – Leandro Ruschel

32 – Kim Kataguiri (mais um mblista)

33 – Luciano Hang

34 – Lobão (não se sabe exatamente, mas aderiu a narrativas reacionárias em razão do bullying petista)

35 – Luiz Philippe de Orleans e Bragança

36 – Marcelo Reis

37 – Meyer Nigri

38 – Nando Moura

39 – Olavo de Carvalho

40 – Renan Santos (o pensador do mblismo)

41 – Renato Tamaio

42 – Ricardo de Aquino Salles

43 – Ricardo Velez Rodriguez

44 – Rodrigo Constantino (embora tenha sido escorraçado pelo olavismo)

45 – Rodrigo Gurgel

46 – Roger Moreira (parecido com o Lobão, porém mais reacionário)

47 – Sebastião Bomfim

48 – Silas Malafaia (outro oportunista)

É apenas uma lista demonstrativa, não exaustiva. E nela não constam os milhares de militantes menos conhecidos ou anônimos, as dezenas de milhares de pessoas-bot e as centenas de milhares de eleitores normais de Jair Bolsonaro (a maior parte dos quais nem é bolsonarista, mas apenas simpática a Bolsonaro) que, inadvertidamente, replicam as mensagens emitidas pelos chefes (os hubs da rede descentralizada bolsonarista), sobretudo aproveitando a possibilidade de broadcasting privado e de fluxo descendente em árvore no WhatsApp (a grande falta de proteção das mídias sociais contra a manipulação hierárquica que está permitindo a escalada do ataque à democracia no Brasil e em vários países).

Por que isso é tão importante? Ora, porque se pessoas mencionadas na lista acima pararem de emitir diretivas, se alguns desses hubs forem desativados (pela pressão social pacífica ou por outro meio legal), o bolsonarismo propriamente dito se desfaz. Então, quem pode negar ser importante conhecer os nomes dessas pessoas? Ainda voltaremos ao tema, no final deste artigo.

LISTA DOS MILITARES NO GOVERNO

Eis uma segunda lista, que também pode ser muito útil aos defensores da democracia. Ela, como a anterior, é incompleta, mas dá uma boa mostra do estado do aparelhamento militar do governo. A maior parte dos nomes da lista, militares da ativa ou da reserva (pouco importa, desde que  mantenham vínculos culturais e políticos com as corporações armadas), é composta por pessoas de mentalidade i-liberal, defensores do golpe de 1964, que chamam de revolução redentora, ou contrarrevolução salvadora do Brasil (alguns, inclusive, defendem a tortura, chamam o assassino Brilhante Ustra de herói, defendem um auto-golpe e outras violações da Constituição).

Eleitos

01 – Presidente da República – Capitão Jair Bolsonaro,

02 – Vice-presidente da República – General Hamilton Mourão.

Nomeados

03 – Ministro da Secretaria Geral da Presidência – General Floriano Peixoto

04 – Secretário Executivo da Secretaria-geral – General Roberto Severo Ramos

05 – Secretário Especial de Assuntos Estratégicos da Secretaria-geral – General Maynard Marques de Santa Rosa,

06 – Secretário-Executivo Adjunto da Secretaria-geral – General de Divisão Lauro Luis Pires da Silva,

07 – Assessor Especial da Secretaria-geral – Coronel Walter Félix Cardoso Junior,

08 – Secretário de Administração – Coronel Gilberto Barbosa Moreira,

09 – Secretário de Imprensa da Secretaria de Comunicação da Presidência – Tenente-Coronel Alexandre de Lara,

10 – Ministro do GSI (antiga Casa Militar) – General Augusto Heleno,

11 – Secretário-Executivo do GSI – General de Divisão Valério Stumpf Trindade,

12 – Secretário de Coordenação de Sistemas do GSI – Contra-Almirante Antonio Capistrano de Freitas Filho,

13 – Secretário de Assuntos de Defesa e Segurança Nacional do GSI – Major Brigadeiro do Ar Dilton José Schuck,

14 – Secretário de Segurança e Coordenação Presidencial do GSI – General de Brigada Luiz Fernando Estorilho Baganha,

15 – Secretário-Executivo Adjunto do GSI – Brigadeiro do Ar Osmar Lootens Machado,

16 – Asssessor do GSI – General Eduardo Villas-Bôas,

17 – Ministro da Defesa – General Fernando Azevedo e Silva,

18 – Comandante do Exército – General Edson Leal Pujol,

19 – Comandante da Marinha – Almirante Ilques Barbosa Júnior,

20 – Comandante da Aeronáutica – Brigadeiro Antonio Carlos Moretti,

21 – Secretário-Geral da Defesa – Almirante de Esquadra Almir Garnier Santos,

22 – Chefe de Gabinete da Defesa – General Edson Diehl Ripoli,

23 – Secretaria de Produtos de Defesa – General de Divisão Decílio de Medeiros Sales,

24 – Secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto – Tenente Brigadeiro do Ar Ricardo Machado Vieira,

25 – Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) – Tenente-coronel da Força Aérea Brasileira Marcos Pontes,

26 – Secretário de Tecnologias Aplicadas do MCTIC – Oficial da Aeronáutica (patente não identificada) Maurício Pazini Brandão,

27 – Secretário de Planejamento do MCTIC – Antônio Franciscangelis Neto,

28 – Presidente da Finep – General Waldemar Barroso Magno Neto,

29 – Presidente da Telebras – Coronel Waldemar Gonçalves Ortunho Júnior,

30 – Chefe de Gabinete do MCTIC – Brigadeiro do Ar Celestino Todesco,

31 – Assessor Especial do Ministro – Tenente Brigadeiro do Ar Gerson Nogueira Machado de Oliveira,

32 – Secretário de Políticas Digitais – Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Franciscangelis Neto,

33 – Secretário de Radiodifusão – Coronel Elifas Chaves Gurgel do Amaral,

34 – Diretor do Departamento de Serviços de Telecomunicações – Coronel Aviador Rogério Troidl Bonato,

35 – Secretário-Executivo Adjunto – Coronel-Intendente Carlos Alberto Flora Baptistucci,

36 – Ministro de Minas e Energia – Almirante Bento Costa,

37 – Chefe de Gabinete de Minas e Energia – Contra-almirante José Roberto Bueno Junior,

38 – Coordenador Geral de Orçamento e Finanças do Ministério de Minas e Energia – Oficial (não identificada a patente e a arma) Claudio Xavier Pereira,

39 – Sub-Secretário de Planejamento, Orçamento e Administração – Vice-Almirante Helio Mourinho Garcia Júnior,

40 – Assessor do Ministro de Minas e Energia – Almirante Garcia,

41 – Assessor do Ministro de Minas e Energia – Capitão de Mar e Guerra Klein,

42 – Assessor do Ministro de Minas e Energia – Capitão de Mar e Guerra Litaiff,

43 – Assessor do Ministro de Minas e Energia – Coronel Alan,

44 – Assessor do Ministro de Minas e Energia – Oficial (do Exército, patente não identificada) Hugo Oliveira,

45 – Assessor do Ministro de Minas e Energia – Coronel Sérgio Lopes,

46 – Presidente da Nuclep – Almirante Carlos Henrique Silva Seixas,

47 – Presidente do INB (Indústrias Nucleares do Brasil) – Vice-Almirante Carlos Freire Moreira,

48 – Ministro da Infraestrutura – Capitão Tarcísio Gomes,

49 – Chefe de Gabinete da Secretaria Nacional de Transportes Terrestre e Aquaviário – Coronel Evandro da Silva Soares,

50 – Presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro – Almirante Francisco Antônio de Magalhães Laranjeira,

51 – Chefe de Operações da Companhia Docas Rio Grande do Norte – Almirante Elis Treidler Oberg,

52 – Secretário de Transportes Terrestre e Aquaviário – General Jamil Megid Júnior,

53 – Ministro da Secretaria de Governo – General Carlos Alberto dos Santos Cruz,

54 – Secretário Executivo Ajunto da Secretaria de Governo – Capitão José de Castro Barreto Junior.

55 – Chefe de Gabinete da Secretaria de Governo – Coronel Augusto César Barbosa Vareda,

56 – Chefe da Assessoria Especial da Secretaria de Governo – Almirante Alexandre Araújo Mota,

57 – Assessor Especial da Secretaria de Governo – Coronel Nilson Kazumi Nodiri,

58 – Assessor Especial da Secretaria de Governo – Capitão Denis Raimundo de Quadros Soares,

59 – Diretor de Relações Político-Sociais da Secretaria de Governo – General Marco Antonio de Freitas Coutinho,

60 – Secretário Nacional de Segurança Pública – General Guilherme Theophilo,

61 – Coordenador-Geral de Estratégia da Senasp – Coronel Freibergue do Nascimento,

62 – Coordenador-Geral de Políticas da Senasp – Coronel José Arnon dos Santos Guerra,

63 – Assessor técnico do Gabinete do Ministro da Justiça – Sub-Oficial da Aeronáutica Alexandre Oliveira Fernandes,

64 – Secretário de Esportes – General Marco Aurélio Vieira,

65 – Ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) – Capitão Wagner Rosário,

66 – Presidente da Funai – General Franklimberg de Freitas,

67 – Presidente do Incra – General Jesus Corrêa,

68 – Ouvidor do Incra – Coronel João Miguel Souza Aguiar,

69 – Presidente dos Correios – General Juarez Aparecido de Paula Cunha,

70 – Assessor Especial do Presidente dos Correios – Coronel André Luis Vieira

71 – Diretor da Anvisa – General Paulo Sérgio Sadauskas,

72 – Diretor de operações do Serpro – General Antonino Santos Guerra,

73 – Superintendente da Suframa – Coronel Alfredo Menezes,

74 – Secretário-Executivo do Ministério da Educação – Capitão de Corveta Eduardo Miranda Freire de Melo,

75 – Diretor de Programa do Ministério da Educação – Coronel Luiz Tadeu Vilela,

76 – Diretor de Tecnologia da Informação do Ministério da Educação – Coronel Eduardo Wallier Vianna,

77 – Diretor de Política Regulatória do Ministério da Educação – Coronel Marcos Heleno Guerson de Oliveira Júnior,

78 – Assessor Especial do Ministro da Educação – Coronel Robson Santos da Silva,

79 – Diretor de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Educação – Coronel Ricardo Roquetti,

80 – Chefe de Gabinete Adjunto do Ministério da Educação – Coronel Ayrton Pereira Rippel,

81 – Secretário-Executivo do Conselho Nacional de Educação – Coronel Paulo Roberto Costa e Silva,

82 – Presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – General Oswaldo de Jesus Ferreira,

83 – Diretor de Programas da Secretaria-Executiva do MEC – Coronel Aviador Ricardo Roquetti,

84 – Chefe de Gabinete do Inep – General Francisco Mamede Brito Filho,

85 – Presidente do Conselho de Administração da Petrobras – Almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Ferreira,

86 – Gerente Executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobrás – Capitão-Tenente da Marinha Carlos Victor Guerra Naguem,

87 – Diretor Administrativo-Financeiro da Telebras – General José Orlando Ribeiro Cardoso,

88 – Presidente da Itaipu – General Joaquim Silva e Luna,

89 – Diretor-Financeiro Executivo de Itaipu – Vice-almirante Anatalício Risden Júnior,

90 – Diretor Geral do Dinit – General Antônio Leite dos Santos Filho,

91 – Diretor Executivo do Dinit – Coronel André Kuhn,

92 – Gerente de Projetos do Dnit – Coronel Washington Gultenberg de Moura Luke,

93 – Porta-voz do governo – General Otávio Santana do Rêgo Barros,

94 – Coronel Flávio Peregrino – Assessor do Porta-Voz do governo,

95 – Assessor da Caixa Econômica Federal – Capitão de Mar e Guerra Marcos Perdigão Bernardes,

96 – Assessor da Caixa Econômica Federal – Capitão de Mar e Guerra Almir Alves Junior,

97 – Assessor da Caixa Econômica Federal – Brigadeiro Mozart de Oliveira Farias,

98 – Chefe da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) – Coronel Mauro Benedito de Santana Filho,

99 – Superintendente Estadual da SPU do Maranhão – Coronel José Ribamar Monteiro Segundo,

100 – Superintendente Estadual da SPU do Rio de Janeiro – Coronel Paulo da Silva Medeiros,

101 – Superintendente Estadual da SPU do Rio Grande do Sul – Coronel Gladstone Themóteo Menezes Brito da Silva,

102 – Superintendente Estadual da SPU da Bahia – Coronel Salomão José de Santana,

103 – Superintendente Estadual da SPU de São Paulo – Coronel Eduardo Santos Barroso,

104 – Superintendente Estadual da SPU de Pernambuco – Coronel Jorge Luis de Mello Araújo,

105 – Secretário de Orçamento, Finanças e Gestão do Ministério do Meio Ambiente – General Nader Motta,

106 – Secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente – Brigadeiro Camerini,

107 – Assessor do Ministro do Meio Ambiente – Coronel Mário,

108 – Assessor do Ministro do Meio Ambiente – Coronel Maniscalco,

109 – Assessor do Ministro do Meio Ambiente – Coronel Araújo,

110 – Corregedor do Ministério do Meio Ambiente – Coronel Sappi,

111 – Corregedor do ICMBIO – Coronel Mendes,

112 – Corregedor da Secretaria-Executiva Adjunta do Ministério do Turismo – Capitão de Mar e Guerra Nilton Carlos Jacintho Pereira,

113 – Diretor do Departamento de Política e Ações Integradas do Ministério do Turismo – Coronel Luciano Puchalski,

114 – Presidente da Infraero – Brigadeiro Helio Paes de Barros Junior,

115 – Diretor de Operações e Serviços Técnicos da Infraero – Brigadeiro André Luiz Fonseca e Silva,

116 – Diretor do Ibama no Rio de Janeiro – Almirante Dias,

117 – Corregedor do Ibama – General Eudes,

118 – Diretor do Departamento de Publicidade da Secretaria de Publicidade e Promoção da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) – Coronel Didio Pereira.

Qual a utilidade de saber os nomes, as patentes e os cargos dos militares que ocuparam (e continuam ocupando) o governo? É simples. Em primeiro lugar para alertar a sociedade que em nenhuma democracia do mundo, em qualquer lugar ou época da história, um governo teve tantos militares em cargos-chave de primeiro, segundo e terceiro escalões. E que a democracia é um regime civil (mesmo que o chefe de Estado tenha passado militar), onde os militares devem estar sob estrito controle civil. Em segundo lugar para tentar conter, por meios pacíficos e legais, o avanço da ocupação.

AS LISTAS QUE AINDA FALTAM

Faltam ainda duas listas. A primeira delas é:

1) a lista dos lulopetistas (tipo MAV) que fazem a mesma coisa que os bolsonaristas nas mídias sociais (e que, aliás, começaram a fazer tudo isso bem antes). Por exemplo, os que montaram a rede suja de blogs e sites a serviço do PT, como os retratados no quadro abaixo:

Claro que esta lista é mais difícil de ser elaborada, pois envolve – além de nomes do núcleo duro de dirigentes do Partido Interno que comanda de fato o PT – mais umas cinco centenas de dirigentes alocados, ostensiva ou ocultamente, em outras posições: no próprio partido, em centrais, sindicatos e associações, nos ditos movimentos sociais que atuam como correias de transmissão partidária, em algumas ONGs, escritórios de advocacia, instituições internacionais, governos, parlamentos, judiciário, ministério público, empresas estatais, grande imprensa, mídia alternativa (retratada, em parte, na imagem acima), universidades etc. A tarefa fica para uma continuação deste artigo.

E ainda falta também:

2) a lista dos instrumentalizadores políticos da operação Lava Jato (começando pela própria força-tarefa de Curitiba, mas envolvendo outros membros do Ministério Público Federal e também alguns juízes e até gente do MBL, do Vem Pra Rua e do jornalismo cafajeste de O Antagonista – alguns destes já mencionados acima como objetivamente bolsonaristas). A lista, quando for feita, se incluirmos policiais federais, vai alcançar milhares de pessoas (boa parte das quais com cargos públicos e com poder – o que é um problema para a democracia na medida em que atuam politicamente, como uma espécie de partido informal ou “Liga da Justiça”). Ou seja, não são só os membros formais da chamada força-tarefa (1):

1 – Deltan Martinazzo Dallagnol (Coordenador)

2 – Athayde Ribeiro Costa

3 – Carlos Fernando dos Santos Lima

4 – Diogo Castor de Mattos

5 – Isabel Cristina Groba Vieira

6 – Jerusa Burmann Viecili

7 – Júlio Carlos Motta Noronha

8 – Laura Tessler

9 – Orlando Martello Junior

10 – Paulo Roberto Galvão

11 – Roberson Henrique Pozzobon

12 – Antônio Carlos Welter

13 – Januário Paludo

Qual a utilidade de conhecer o nome dos instrumentalizadores políticos da operação Lava Jato? É simples também. Antes de qualquer coisa para alertar a sociedade para os perigos desse tipo de movimento. O combate à corrupção e aos crimes é fundamental e deve ser feito aperfeiçoando-se as instituições do Estado de direito para que elas possam incorporar essa prioridade ao seu metabolismo normal. Toda vez que se instauram procedimentos de exceção, como se fossem campanhas, com o fito de acabar com os corruptos e os bandidos, temos problema para a democracia. Acabam se formando proto-instituições, de inspiração policialesca, a partir de estamentos corporativos do Estado, que não estão previstas no arcabouço constitucional e que assumem como tarefa extraordinária resolver o problema através de operações que promovem verdadeiras cruzadas de limpeza ética. Ora, esses grupos acabam se comportando como milícias (ainda que legais) e, como precisam conquistar a opinião pública para não serem domesticados ou neutralizados pelo velho establishment (em boa parte envolvido com a corrupção endêmica), ficam altamente vulneráveis à instrumentalização política. Foi o que aconteceu no Brasil. Mais de 90% dos grupos formados para apoiar o combate à corrupção e a outros crimes (como as tais “Repúblicas de Curitiba”) acabaram virando comitês eleitorais de um candidato que encampou a bandeira da honestidade, da limpeza da política dos corruptos e de um enfrentamento guerreiro com os criminosos em nome de mais ordem e mais segurança.

E POR FALAR EM LISTAS…

Os que acham que fazer listas é odioso e não tem nenhum resultado prático positivo (só alimentando a polarização, a guerra e o ódio) deveriam assistir o filme Trumbo de Jay Roach (2015), com Bryan Cranston (o Walter White de Breaking Bad). O filme conta a história de Dalton Trumbo, roteirista de cinema de Hollywood perseguido pela cruzada anticomunista movida pelo Comitê de Atividades Anti-Americanas (depois “Comitê de Segurança Interna”), que durou de 1938 a 1975 e foi primo-irmão do Comitê de Operações do Governo e da Subcomissão Permanente de Investigações do Senado presidida pelo celerado Joseph McCarthy.

É incrível como, numa democracia, essas deformações possam ter existido. O ponto alto é o discurso de Dalton Trumbo ao receber um prêmio no sindicato dos roteiristas, em 1970. Falando sobre o período da caça às bruxas (que durou pouco mais de 10 anos, de 1947 ao final dos anos 50), ele declarou:

“Cada pessoa reagiu conforme a própria natureza, as necessidades, convicções e circunstâncias a forçaram a reagir. Houve má-fé e boa-fé, honestidade e desonestidade, coragem e covardia, egoísmo e oportunismo, sabedoria e estupidez, o bem e o mal, dos dois lados. E quase todo indivíduo envolvido, não importa qual fosse sua situação, combinou algumas ou quase todas essas características antitéticas em sua própria pessoa, em seus próprios atos… Quando você olha para trás, com curiosidade em relação àquele período sombrio, não é bom procurar vilões, heróis, santos ou demônios, porque não há; há apenas vítimas”.

Havia uma “lista negra” (com dez roteiristas de Hollywood, inclusive Trumbo): era a lista, indigna, da caça às bruxas. Mas a lista dos perseguidores, incluindo Hedda Hopper e John Wayne (de Hollywood) e os congressistas (abaixo), esta sim deve ser divulgada pelos democratas (para que coisas assim jamais se repitam):

1 – Martin Dies Jr.

2 – Edward J. Hart

3 – J. Parnell Thomas

4 – John Stephens Wood

5 – Harold H. Velde

6 – Francis E. Walter

7 – Edwin E. Willis

8 – Richard Howard Ichord Jr.

9 – Felix Edward Hébert

10 – Donald L. Jackson

11 – Noah M. Mason

12 – Karl E. Mundt

13 – Richard Nixon

14 – John E. Rankin

15 – Gordon H. Scherer

16 – Richard B. Vail

17 – Jerry Voorhis (2)

UM EXEMPLO DE PARA QUE SERVEM AS LISTAS 

Alguém pode perguntar para quê tudo isso. Bem, em primeiro lugar, para a resistência democrática. Por exemplo, no caso dos bolsonaristas e lulopetistas, para bloquear pessoas que tentam colonizar nossas mídias sociais.

Quem entende um pouco de rede social não se impressiona com a atuação das milícias bolsonaristas e petistas nas mídias sociais, que criam falsas reverberações. Uma maneira de se proteger desses meliantes é bloquear sumariamente todos eles e no exato momento em que forem identificados.

Isso não significa, é claro, bloquear os eleitores normais de Bolsonaro ou de Lula. Mas as turmas que impulsionam artificialmente hashtags bolsonaristas ou petistas ou replicam “argumentos” de Jair, de Eduardo e de Carlos Bolsonaro ou do MAV lulista – estas sim devem ter cortadas sua possibilidade de usar as nossas timelines ou perfis, páginas, grupos e eventos para fazer proselitismo ideológico com o fito de colonizar as consciências dos nossos amigos e dos que nos seguem. Essa é uma medida profilática necessária. Bloquear imediatamente os milicianos virtuais, os militantes animados de cultura adversarial, os fomentadores da guerra civil fria em que querem perverter a política democrática (digam-se de direita ou de esquerda). Isso é vital neste momento. E para isso é necessário saber quem são.

Este é o exemplo mais óbvio. Essas listas, é claro, têm e terão muitas outras utilidades. É um material importante para a resistência democrática.

Notas

(1) Por exemplo, mais de 200 procuradores (224 no total) assinaram a Nota Técnica em apoio ao projeto Escola Sem Partido. É de se supor que boa parte deles tenha também apoiado Bolsonaro. Nada ilegal ou imoral. Mas é bom a gente conhecer os nomes. Mesmo que uma parte desses nomes (omitidos aqui em razão da extensão da lista) não tenha apoiado e nem mesmo votado no capitão, o resultado objetivo da cruzada de “limpeza ética” promovida pela corporação do Ministério Público ajudou a levar Bolsonaro ao governo (e isto é, honestamente, impossível negar).

(2) Para ver a lista toda: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_members_of_the_House_Un-American_Activities_Committee


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