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Todo mundo sabe o que aconteceu no caso Queiroz

Sobre a repercussão na imprensa da entrevista arranjada do Queiroz

Anteontem (26/12/2018) tivemos o artigo de Elio Gaspari em O Globo, intitulado Cadê o Fabrício Queiroz? Depois da pergunta, o sujeito apareceu, não para depor ao Ministério Público e sim para dar uma entrevista arranjada ao SBT. Ele alegou questões de saúde como impedimento para depor ao MP, problemas que, entretanto, não o impediram de dar uma entrevista para a TV.

Já reproduzimos os posts desta madrugada (28/12/2018) de Reinaldo Azevedo sobre o assunto. Agora vamos reproduzir, além do mencionado artigo de Gaspari, as colunas de hoje de Bruno Boghossian (na Folha) e de Merval Pereira e Miriam Leitão (no Globo).

É claro que todo mundo que não é burro percebeu que a história de Fabrício Queiroz é furada. Que ele não vendeu carros para todo mundo (sempre os mesmos carros, pelos mesmos valores, para as mesmas pessoas?) no início de cada mês. Que ele não recebeu empréstimo do Bolsonaro pai coisa nenhuma. Que ele era um coletor de salários sequestrados dos funcionários para a família Bolsonaro. Não é nada disso? Então que se explique a coisa direitinho, com recibos, comprovantes de depósito ou registros de transferência bancária.

Aposto uma caixa de Taste of Diamonds que nunca vai aparecer qualquer prova consistente para corroborar as alegações improvisadas de Queiroz. Vão empurrar com a barriga para a coisa cair no esquecimento.

Ninguém quer falar diretamente, até com medo de processos judiciais ou futuras perseguições, mas todo mundo sabe o que aconteceu. Quem tem um mínimo de experiência nesses assuntos sabe que não há explicação possível para os depósitos regulares na conta de Queiroz, para os saques em dinheiro, para o suposto empréstimo sem registro (o dinheiro foi entregue em espécie, numa sacola de supermercado? Quem o entregou?), para a devolução do empréstimo ter sido feita na conta de Michele, a primeira-dama, sob o pretexto de que Bolsonaro tem dificuldade para ir ao banco (como se para receber depósitos alguém tivesse de ir pessoalmente à agência e como se não houvesse internet banking e cartão de débito), para tantos parentes num mesmo gabinete, para a promiscuidade ou o vai-e-vem entre funcionários de gabinetes de pai e filho (sendo que um fica em Brasília e outro no Rio de Janeiro), para os funcionários fantasmas (um, inclusive, morando em Portugal). Como não pensar, na melhor das hipóteses, que tudo isso foi usado como fonte de enriquecimento ilícito, privado, com dinheiro público?

Em qualquer país civilizado do mundo seria um escândalo. Sobretudo para alguém que se elegeu dizendo-se o único honesto.

Mas parece que o Ministério Público do Rio de Janeiro não quer investigar. E que as forças policiais – majoritariamente bolsonaristas – também farão corpo mole.

É um perigosíssimo precedente à indicar que as investigações, daqui para a frente, serão cada vez mais seletivas. Os crimes eventualmente cometidos pela família real e pelos bolsonaristas, jamais serão investigados. Sergio Moro também se faz – e se fará – de surdo (ao que tudo indica, pois se ouvir terá de tomar alguma atitude e, se tomá-la, terá de deixar o governo, abandonando seu sonho de ser o czar da limpeza da política brasileira).

Não adianta fechar os olhos. Todo moralismo, cedo ou tarde, se revela imoral. E os sinais podem indicar que já estamos no prelúdio de um Estado policial, em que a lei só valerá para os inimigos.

Leiam os artigos.

Cadê o Fabrício Queiroz?

Elio Gaspari, O Globo, 26/12/2018

O PM Fabrício Queiroz continua sumido. Quem conhece o mundo das malfeitorias garante: “É suicídio” . Ele não aparece em casa e não compareceu aos depoimentos combinados com o Ministério Público. Admita-se que esteja com os nervos em pandarecos, pois passou de amigo da Primeira Família para o centro de uma rede de movimentações financeiras pra lá de suspeitas. Seu ex-chefe, o senador eleito Flávio Bolsonaro diz que ouviu seu relato e achou-o “bastante plausível”. Só se poderá confiar nessa plausibilidade depois que o relato se tornar público.

Uma coisa é certa: a história segundo a qual Queiroz deixou a assessoria de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro para tratar de sua aposentadoria não fica em pé. Ele foi exonerado no dia seguinte ao aparecimento da notícia de suas movimentações bancárias “atípicas”. Além disso, no mesmo dia, foi exonerada sua filha Nathalia, que estava lotada no gabinete de Jair Bolsonaro, em Brasília. Quando os dois tornaram-se “ex-assessores”, faltavam treze dias para o segundo turno.

O silêncio de Queiroz faz com que suas movimentações financeiras “atípicas” continuem apenas como algo suspeito. Um depósito de R$ 24 mil na conta da mulher de Jair Bolsonaro já foi explicado por ele como parte do pagamento de um empréstimo pessoal. O presidente eleito reconheceu que não informou a transação à Receita Federal, mas atire a primeira pedra quem já não fez isso com uma pessoa de suas relações.

Outros murmúrios, saídos de fontes anônimas, falam em venda de objetos eletrônicos a conhecidos. Coisa de R$ 600 mil ao longo de treze meses, caso se olhe só para o que entrava em sua conta. Mesmo assim, o feirão de Queiroz movimentava quantias muito superiores ao seu rendimento como suboficial da PM e assessor de um deputado estadual.

Queiroz não é um PM qualquer. Além da ligação com os Bolsonaro, sua folha é a de um militar premiado. Foi homenageado pela Assembleia Legislativa e ganhou a medalha Pedro Ernesto. Há anos, como soldado, recebeu o abono, hoje extinto, dado aos PMs por atos de bravura em confrontos com bandidos. Era a “gratificação faroeste” . (Quando esse benefício foi instituído, em seus confrontos a PM do Rio matava duas pessoas e feria uma. Dois anos depois, matava quatro para cada ferido.)

Está nas livrarias “O Infiltrado – um repórter dentro da PM que mais mata e mais morre no Brasil” , de Raphael Gomide. Em 2007 ele fez concurso para a PM do Rio, passou pelo treinamento e serviu por 22 dias como soldado. Lá, um ex-comandante da corporação admite que a “gratificação faroeste” foi um estímulo à “cultura da violência”.

O silêncio de Queiroz pode ser eficaz para quem olha para o tempo político. É suicídio porque esse tempo nada tem a ver com o do Ministério Público. Os procuradores não têm pressa, têm perguntas. Se ele movia tanto dinheiro porque transacionava com mercadorias, deverá dizer de quem as comprava e para quem as vendia.

A esperança de que Queiroz passe pelo Ministério Público administrando um silêncio seletivo é suicida. Peixes grandes como Marcelo Odebrecht e Antonio Palocci tiveram a mesma ilusão. Queiroz é um lambari, sua movimentação financeira não compraria um dos relógios com que as empreiteiras mimavam maganos. Contudo, sua trajetória e seu silêncio são ilustrativos do que vem junto com a “cultura da violência”. Ele foi da PM para um gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, empregou parentes e têm a confiança da Primeira Família da República, cujo chefe elegeu-se presidente com uma plataforma moralista e justiceira.

O amigo Queiroz

Bruno Boghossian, Folha de S. Paulo, 28/12/2018

Sem explicar depósitos de funcionários, ex-assessor dá pistas do que quer esconder

Para um amigo da família, Fabrício Queiroz já causou problemas demais para os Bolsonaros.

A entrevista em que o PM se recusou a explicar a movimentação de sua conta bancária é pior do que o silêncio que guardou por quase três semanas. Suas evasivas dão pistas do que ele quer esconder.

O ex-assessor de Flávio pretendia afastar o antigo chefe das suspeitas levantadas pelo relatório do Coaf que registrou transações de R$ 1,2 milhão em um único ano. “Eu sou o problema, não eles”, disse ao SBT.

Queiroz não fez muito mais do que isso. O PM decidiu manter segredo sobre os depósitos que recebeu dos servidores do gabinete de Flávio nos mesmos dias em que rodava a folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio. Disse que só falaria do assunto ao Ministério Público —embora tenha se esquivado de quatro intimações para depor.

Agora, o ex-assessor teria dois caminhos claros para encerrar o caso. O primeiro seria explicar os repasses que recebeu dos colegas: se eram parcelas de carros vendidos, pode listar os negócios e pedir que os funcionários confirmem a compra com os documentos dos veículos.

A outra opção é mais complicada. Caso Queiroz realmente tenha operado uma coleta de caixinha entre os assessores do deputado, a saída seria admitir a cobrança do mensalinho e responder se o parlamentar sabia ou não sabia do esquema.

O amigo dos Bolsonaros está longe dos pontos de partida dessas trilhas. Queiroz se vangloriou de suas atividades (“eu faço dinheiro”), mas não explicou por que, então, teve que pedir R$ 40 mil a Jair. Ele disse que deu dez cheques à mulher do presidente eleito para devolver o empréstimo.

Ao falar dos graves problemas de saúde que o impediram de prestar depoimento, contou ter sido atendido por um famoso doutor Vladimir, mas não soube dizer o sobrenome do médico. Tampouco quis revelar em que hospital ficou internado. Não era memória fraca: Queiroz conseguiu lembrar que a oficial de Justiça que o intimou se chamava Rita.

Cadê o Queiroz?

Merval Pereira, O Globo, 28/12/2018

Tecnicamente, caso Queiroz não é questão de governo, no entanto, politicamente é que a porca torce o rabo

A pergunta, sonora e incômoda, vem atropelando a transição do governo Bolsonaro há mais de 20 dias, quando foi descoberta uma “movimentação atípica” do motorista Fabrício Queiroz, que trabalhava no gabinete do senador eleito Flavio Bolsonaro. É a maneira técnica que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encontra para definir movimentações financeiras incompatíveis com os ganhos oficiais de um cidadão.

Por ser motorista de um dos filhos do presidente eleito Jair Bolsonaro, de quem é amigo há 40 anos, e ter depositado dinheiro na conta da futura primeira-dama, o caso ganhou dimensões políticas naturalmente escandalosas.

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, futuro ministro-chefe da Secretaria de Governo, definiu ontem que o caso de Fabrício Queiroz “não é uma questão de governo”, protegendo assim a figura do presidente da República, delimitando o alcance do escândalo.

Tecnicamente, o General está certo. Se não é possível processar um presidente da República por fatos alheios ao seu mandato, muito menos um futuro presidente que nem mesmo assumiu o posto. Tecnicamente, no entanto, não quer dizer politicamente, e é aí que a porca torce o rabo.

Bolsonaro deu uma explicação plausível para os depósitos na conta de sua mulher. Seriam pagamentos de empréstimo particular que dera ao amigo. O filho 01 do futuro presidente, que gosta de numerá-los por ordem cronológica de antiguidade como acontece entre os militares (quem não se lembra de “pede pra sair 01”, famosa frase do Capitão Nascimento em “Tropa de Elite?”), disse desde o início do caso que a explicação deveria ser dada por Queiroz, deixando claro que não temia ser apontado como político que usava o motorista como laranja para ficar com parte do salário dos funcionários de seu gabinete, como parece ser comum na atividade parlamentar.

Jogando a bola para Queiroz, Bolsonaro e família passaram a imagem de que nada temiam da investigação. Aceitando que Queiroz desaparecesse por quase um mês, desgastaram-se, permitindo que os opositores incutissem em parte da opinião pública pelo menos a suspeita de que alguma coisa errada a família Bolsonaro fizera.

De tanto perguntarem, Queiroz afinal apareceu, para dar uma explicação marota sobre o dinheiro que circulou em sua conta. “Sou um homem de negócios, vendo carros usados”, disse ele singelamente, sem, no entanto, indicar para quem vendeu os carros, de quem os comprou e, sobretudo, porque os funcionários do gabinete de Flavio Bolsonaro depositavam todo início de mês dinheiro em sua conta. Será preciso provar que todos eles compraram carros de Queiroz.

Há um precedente famoso de explicações bizarras como essa. Durante a ditadura militar, um chefe de gabinete de um dos generais presidentes foi acusado de enriquecimento ilícito. Perguntado como explicava a súbita fortuna, o major explicou ao presidente que vendia cavalos de raça, e ainda recebeu elogios pelo “empreendedorismo”.

Acontece que os pangarés que o major vendia eram comprados a preço de puros-sangues por empresários interessados em se aproximar do gabinete presidencial. Como era tempo de ditadura, não houve investigação e a criação de pangarés continuou prosperando.

Dessa vez, Queiroz, mesmo sendo ex-militar, não terá proteção além do que a lei lhe confere. O próprio General Santos Cruz, que relativizou o caso tirando-o da alçada do governo, admitiu que merece ser investigado, a imprensa naturalmente se interessa por ele, e por ter sido funcionário da família Bolsonaro, juntamente com vários parentes, precisa ser esclarecido.

Vários presidentes tiveram a seu lado subordinados que assumiam o “lado sujo” da política, com ou sem o conhecimento do chefe, mas certamente embalados pela certeza da impunidade.

O mais famoso foi Gregório Fortunato, chefe da segurança de Getulio Vargas que acabou criando uma milícia paralela responsável pela tentativa de assassinar Carlos Lacerda, o líder da oposição. Quem morreu foi o Major Rubem Vaz, que fazia a segurança de Lacerda. Foi o começo do fim de Getúlio.

Também Lula teve seu Gregório, sem graves consequências políticas, o segurança Freud Godoy por 20 anos, que acabou ocupando cargos de assessor especial do presidente da República e se envolveu em pelo menos dois grandes escândalos: o mensalão e o Dossiê dos Aloprados.

O muito que falta no caso Queiroz

Míriam Leitão, O Globo, 28/12/2018

A exigência sobre a autoridade é maior no quesito usado como bandeira eleitoral. A família Bolsonaro deve requerer de Queiroz explicação mais convincente

A versão de Fabrício Queiroz é evidentemente insatisfatória. Mesmo com toda a boa vontade do mundo é difícil considerar o caso encerrado. É preciso mostrar os registros de carros vendidos e comprados, explicar os depósitos dos funcionários do gabinete, justificar a presença dos seus familiares empoleirados na equipe de Flávio Bolsonaro, e ainda ter a comprovação bancária do empréstimo do presidente eleito Jair Bolsonaro em sua conta.

Há falhas demais nessa história. O Brasil foi muito bem treinado nos últimos anos pelos procuradores e juízes da Lava-Jato a não aceitar versões com peças faltantes. Até seu semblante na entrevista concedida ao “SBT” parecia saudável demais para justificar o seu não comparecimento à convocação do Ministério Público Estadual. Ele pode mesmo ter as enfermidades que disse ter, mas não parecia estar em estágio agudo ao conceder a entrevista. No final da noite de ontem, a defesa apresentou atestados sobre a “grave enfermidade” de Queiroz e disse que ele passará por “cirurgia urgente”.

O que temos visto no país nos últimos anos é o desvio de milhões e bilhões, e alguém pode argumentar que é pequeno o movimento atípico na conta do ex-assessor do senador eleito e amigo da família Bolsonaro. O problema é que não há malfeito pequeno ou grande. Há malfeito. E foi contra eles que a família que assumirá o poder dentro de alguns dias fez a cruzada que a levou à vitória.

Uma velha lei da política é que a exigência sobre uma autoridade é maior exatamente no quesito que foi usado como bandeira para a eleição.

O ex-presidente Fernando Collor foi eleito dizendo que combateria os marajás. Ele caiu não por ter provocado uma grave recessão com seu plano desastrado, mas porque fantasmas de PC Farias movimentavam dinheiro que davam a ele um luxo de marajá, como as cascatas da Casa da Dinda. A ex-presidente Dilma negou a crise econômica e prometeu crescimento no seu segundo mandato. A recessão e o desemprego explodiram na cara dos eleitores.

O ponto mais vulnerável do futuro governo será o do combate à corrupção, até porque o presidente eleito dobrou a aposta quando convocou o ícone da Lava-Jato, Sérgio Moro, para o cargo de ministro da Justiça. A versão de Queiroz é muito fraca. As movimentações atípicas podem ser mesmo o resultado da sua habilidade em “fazer dinheiro”, mas documentos, registros bancários, e testemunhos precisam acompanhar as palavras.

Sobre o dinheiro na conta de Michele Bolsonaro, a explicação do presidente eleito pode ser suficiente. É normal empréstimos entre amigos. Contudo, o financiamento foi dado de maneira informal, deve ter transitado através de um cheque, ou de depósito em conta, de Bolsonaro a Queiroz, porque R$ 40 mil em espécie, na mão, não é comum. As frequentes idas do presidente eleito ao caixa do banco mostram o saudável hábito de saques de valor pequeno suficientes para as despesas do dia a dia.

O Brasil viu casos escabrosos nos últimos anos, e as entradas e saídas de dinheiro na conta de Fabrício Queiroz não têm a mesma dimensão. Mas carecem de explicações que respeitem o grau de sofisticação que o país aprendeu a ter diante do comportamento de autoridades e seus assessores. O ex-presidente que saiu do governo com a mais alta popularidade já vista no Brasil está preso porque na sentença de Moro, confirmada em tribunal de segunda instância, receberia a vantagem de um apartamento da OAS com benfeitorias feitas sob medida. Lula jamais habitou o apartamento, mas o Brasil aprendeu a ler o artigo 317 do Código Penal. Ele diz que nem precisa receber algo. Corrupção é também “aceitar a promessa de vantagem”.

O problema não desaparecerá se não for bem explicado. Não vai adiantar alegar que em outros gabinetes da mesma Assembleia houve movimentações atípicas até maiores. Inútil culpar a imprensa. O que funciona é a explicação boa, sólida, documentada. Se ao senador eleito Flávio Bolsonaro a justificativa dada por Queiroz pareceu plausível e sem ilegalidade, como ele disse, o seu ex-assessor precisa ser instado a apresentá-la diante das autoridades que querem ouvir seu depoimento. O assunto pode, então, deixar de incomodar. E em quaisquer futuras dúvidas da mesma natureza será importante dar explicações sempre sólidas. Este é o ônus do poder, e o resultado de ter sido eleito com um discurso de combate à corrupção.


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A farsa do Queiroz no Sistema Bolsonaro de Televisão: pizza bolsonarista

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