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Vamos parar de besteira: nem o Brasil vai virar uma Venezuela, nem vai voltar à ditadura militar

Nem o Brasil vai virar uma Venezuela, nem vai voltar à ditadura militar. Mas o processo de democratização da sociedade brasileira vai ser enfreado, caso vença o neopopulismo lulopetista ou o populismo-autoritário bolsonarista.

Não há escolha democrática entre esses dois populismos. O quadro abaixo sintetiza por que:

Mas nem Haddad, nem Bolsonaro, estão decididos a implementar o que seus seguidores propagam a ferro e fogo. Se houver resistência democrática, recuarão.

O PROBLEMA NÃO É HADDAD, MAS O LULOPETISMO

Não acho que Haddad vai acabar com a democracia e instaurar um regime venezuelano no Brasil. Vai apenas ajudar a esculhambá-la mais um pouco (ou muito).

Minha preocupação maior não é com Haddad e sim com o lulopetismo (que ele não controla).

Haddad é apenas uma expressão, mais educada, do lulopetismo, que é um projeto neopopulista (bolivariano, mas à brasileira) que tem como objetivo não dar um golpe de Estado em termos tradicionais e sim homeopaticamente: conquistando hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado aparelhado pelo partido para nunca mais sair do governo.

O lulopetismo quer alterar o DNA da nossa democracia, mas não de uma vez, por meio de um putsch de cervejaria, e sim progressivamente, vencendo eleições sucessivamente para ganhar tempo e captar os recursos suficientes para operar essa revolução “por dentro” das instituições.

O lulopetismo não vai arriscar ser vítima de um novo impeachment: ao menor de sinal de crise, recomendará que Haddad negocie e transija no que for preciso para se manter no cargo (aliás, ele até já começou).

O problema não é que Haddad seja um maluco bolivariano (pois ele não é mesmo) e sim o lulopetismo, que usa a democracia contra a democracia.

O PROBLEMA NÃO É BOLSONARO, MAS O BOLSONARISMO

Não acho que Bolsonaro vai acabar com a democracia e instaurar uma ditadura militar ou civil no Brasil. Vai apenas ajudar a esculhambá-la mais um pouco (ou muito).

Minha preocupação maior não é com Bolsonaro e sim com o bolsonarismo (que ele não controla).

Bolsonaro é um oportunista-eleitoreiro que descobriu que dava voto no Rio de Janeiro dizer que bandido bom é bandido morto. E aí fez carreira surfando nas ondas até então contidas da cultura patriarcal e aderindo ao populismo-autoritário que está em voga no mundo atual (de Erdogan a Orban).

Ele tem um projeto pessoal e familiar de viver da política e, para tanto, precisava de um eleitorado cativo, dito “de direita”, que estava mesmo sub-representado. Mas ele não quer acabar com a boquinha que arranjou para si e para seus filhos.

Ao menor de sinal de crise, negociará e transigirá no que for preciso para se manter no cargo (aliás, já começou).

O problema é o bolsonarismo (e o olavismo que lhe fornece a narrativa ideológica perversa), que talvez não aceite bem que seu mito seja metabolizado pelo regime democrático.

O MAL, PORÉM, JÁ ESTÁ FEITO

Mesmo que Haddad não vá transformar o Brasil numa Venezuela e que Bolsonaro não traga de volta a ditadura militar, o mal já está feito. A polarização entre esses dois projetos autocratizantes já deformou as redes (não estou falando apenas das mídias) e dilapidou grande parte de nosso capital social ao degenerar a política como uma espécie de continuação da guerra por outros meios. A democracia brasileira não acabou, por certo, mas ficou mais flawed do que já estava.


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