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As várias consequências nefastas do Fora Temer

Nem que eu ficasse falando sozinho (e não ficaria), me calaria

1) O resultado eleitoral é uma consequência direta do Fora Temer: lançado pelo PT, turbinado pelos instrumentalizadores políticos da Lava Jato e usado vergonhosamente pelos bolsonaristas com propósitos eleitoreiros. Em decorrência, o PT ressuscitou, Bolsonaro cresceu e os candidatos do campo democrático ficaram na defensiva por terem apoiado o impeachment e participado do governo constitucional do vice-presidente.

2) O PT conseguiu esconder que Temer foi indicação sua (e por duas vezes), até hoje não se sabe que grande crime, afinal, Temer – vítima de uma armação escandalosa de Janot com Fachin e Joesley – cometeu (e, com certeza, contra a democracia não foi), esqueceu-se tudo de bom que foi feito no seu mandato (como as reformas), a política e os populistas não-autoritários (os demagogos que constituem o centro político na maioria dos regimes democráticos) foram criminalizados e demonizados (e também ficaram na defensiva, vários deles tendo sido derrotados nas eleições em razão de denúncias antigas ou novas movidas na boca de urna pelo Ministério Público) e Bolsonaro, por não ter sido acusado de nada pela Lava Jato, se afirmou como o único político honesto (como se isso não fosse obrigação de qualquer cidadão), posando ainda de anti-establishment (como se não tivesse passado trinta anos vivendo exclusivamente da velha política, aboletado confortavelmente no baixo clero da Câmara e fazendo parte, inclusive, da base parlamentar do PT).

3) O PT emplacou sua falsa versão de que só fez o que todo mundo faz (escondendo sua corrupção com motivos de poder dentro da corrupção endêmica na política tradicional), os instrumentalizadores políticos da Lava Jato, que não se conformaram em ser apenas funcionários do Estado de direito e cumprir seu papel institucional, moveram uma cruzada de limpeza da política, arvorando-se a novos jacobinos de uma revolução francesa sem povo (e com duzentos anos de atraso) e investiram, numa vibe antagonista, na política de terra arrasada. Mais de 90% dos grupos que se formaram para combater a corrupção e apoiar a Lava Jato viraram comitês eleitorais de Bolsonaro.

4) O PT fez a maior bancada na Câmara dos Deputados e se prepara para se vender ao Brasil e ao mundo, num segundo turno contra Bolsonaro, como o grande defensor da democracia contra o que chama (incorretamente) de fascismo. Mesmo se perder a disputa eleitoral, será promovido à liderança da oposição. Ou seja, para todos os efeitos, apesar de tudo o que fez, o PT conseguiu lavar sua biografia e dará continuidade à estratégia do neopopulismo lulopetista (com grandes chances de voltar ao governo em 2022). Bolsonaro, um populista-autoritário, está a um passo de assumir a presidência.

Convenhamos. Nunca um slogan rendeu tanto. Viva o Fora Temer!


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