Daqui a pouco – depois do Carnaval e antes da Semana Santa – vamos orientar um programa sobre articulação e animação de redes humanas chamado NETWEAVING. É um programa prático, com sólida base teórica: resume nossas investigações do último quarto de século na nova ciência das redes. Talvez a parte prática mais impactante do programa seja como aplicar tecnologias de netweaving para configurar ambientes que ensejem a emergência de uma inteligência tipicamente humana. Não para brigar com a inteligência artificial e sim para nos aliarmos a ela (a IA) sem nos transformarmos em máquinas. Não para tornar as máquinas mais humanas e sim para permanecermos humanos (ou nos tornarmos cada vez mais humanos) ao usá-las. Não é fascinante?
Veja abaixo como será o curso. Mas, atenção: as inscrições vão se encerrar em 28/02/2026. E há uma promoção especial para quem se inscrever até 19/02/2026.
Netweaving
Como articular e animar de redes humanas
Curso sobre Netweaving com apoio do Agente de Inteligência Artificial REXOS e sessões pessoais de clínica.
Início: 5 de março de 2026 | Encerramento: 02 de abril de 2026
(Depois do Carnaval e antes da Semana Santa de 2026)
As inscrições ficarão abertas somente até 28/02. Mas há uma promoção especial para quem se inscrever até 19/02.
O QUE É O CURSO
O surgimento da nova ciência das redes, na passagem do século 20 para o século 21, permitiu um conhecimento, até então inédito, sobre a fenomenologia da interação que se manifesta em ambientes configurados segundo padrões de organização com topologia mais distribuída do que centralizada. Com base nesses novos conhecimentos foi possível desenvolver tecnologias sociais de netweaving (articulação e animação de redes humanas).
Usa-se aqui a expressão redes humanas porque o conceito de redes sociais foi deturpado, sobretudo no Brasil, pela confusão entre redes sociais (social networks) e mídias sociais (social media). Redes sociais são redes humanas e se configuram quando pessoas interagem, sobretudo enquanto estão interagindo, segundo padrões de organização mais distribuídos do que centralizados. Redes sociais não são, portanto, a mesma coisa que mídias sociais (como o X, o Facebook, o Instagram, o TikTok e outras). Não são ferramentas, plataformas, aplicativos. São pessoas interagindo por qualquer meio (inclusive por mídias sociais).
A aplicação de tecnologias de netweaving pode servir a qualquer propósito humano, nas mais diferentes áreas de atividades (seja para criar ou dinamizar uma comunidade, uma organização, um movimento ou um empreendimento). Pode ser útil para empresas que queiram desobstruir os fluxos interativos que transitam em seu interior, diminuindo os custos invisíveis, em geral não contabilizados nos balanços corporativos, que drenam os resultados econômicos (como os custos de transação, os custos de atrito de gestão e os custos de déficit de sinergia), evitando o risco sistêmico de perda simultânea de inovatividade e produtividade que levam à perda de sustentabilidade, mesmo quando há crescimento. Pode ser útil para configurar ambientes alterdidáticos de aprendizagem que ensejem a emergência de uma inteligência tipicamente humana que pode se acoplar à inteligência artificial impulsionando a colaboração e a criatividade. Pode ser útil para melhorar as condições de convivência social em localidades e organizações, aumentando a qualidade de vida de seus habitantes ou participantes, despertando e dinamizando seu empreendedorismo e sua capacidade endógena de superar seus problemas.
PROGRAMA
AULA 1 – 05/03/2026 às 20h00
1 – As diferenças entre mídias sociais e redes sociais (como redes humanas)
2 – Topologias de rede. A diferença entre descentralização e distribuição
3 – Dinâmicas de rede. As diferenças entre participação e interação
4 – A fenomenologia da interação: clustering, cloning, swarming, reverberação, múltiplos laços de retroalimentação de reforço, looping de recursão
AULA 2 – 12/03/2026 às 20h00
5 – As diferenças entre networking e netweaving
6 – Como fazer netweaving
AULA 3 – 19/03/2026 às 20h00
7 – Tecnologias de netweaving aplicadas à desobstrução de fluxos interativos em organizações
AULA 4 – 26/03/2026 às 20h00
8 – Tecnologias de netweaving aplicadas à configuração de ambientes que ensejem a emergência de uma inteligência tipicamente humana
9 – Redes humanas como “super-computadores”
AULA 5 – 02/04/2026 às 20h00
10 – Tecnologias de netweaving aplicadas à melhoria das condições de convivência social em localidades e organizações
OS INSCRITOS TERÃO ACESSO AOS SEGUINTES RECURSOS
→ 5 horas de aulas ao vivo (via Zoom), que ficarão disponíveis para ser acessadas a qualquer momento.
→ Clínica. Atividade opcional. Conversa pessoal com Augusto de Franco sobre a aplicação de tecnologias de netweaving em casos particulares apresentados por cada inscrito. Cada inscrito terá direito a uma sessão de 1 hora de clínica em horário combinado.
→ Interação constante em um grupo de WhatsApp.
→ Acesso a todo material pedagógico.
→ Acesso permanente ao Agente de Inteligência Artificial REXOS.
Vagas limitadas.
INVESTIMENTO
R$ 680,00.
Promoção especial com 40% de desconto para quem fizer sua inscrição até 19 de fevereiro:
R$ 408,00.
Pagamento por PIX. Pode ser parcelado pelo banco. Os inscritos que pagaram o preço full (até 11/02/2026) serão ressarcidos.
INSCRIÇÕES
Os candidatos devem preencher a ficha de inscrição ao final deste post.
AGENTE DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL REXOS
Um Agente de Inteligência Artificial chamado REXOS ficará permanentemente disponível aos inscritos para acessar a bibliografia básica de referência (contendo os textos fundamentais da nova ciência das redes) e para responder questões sobre o conteúdo do programa cruzando as diferentes fontes adotadas.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA DE REFERÊNCIA
1961 Jane Jacobs: “Morte e vida das cidades americanas”
1964 Paul Baran: “On distributed communications”
1993 Humberto Maturana (com Gerda Verden-Zöller): “Amar e brincar: fundamentos esquecidos do humano”
1993 Robert Putnam: “Making democracy work”
1994 Pierre Lévy: “A inteligência coletiva”
1996 Manuel Castells: “The rise of network society”
1997 Robert Axelrod: “A complexidade da cooperação: modelos agent-based de competição e colaboração
1999 Deborah Gordon: “Ants at work”
2002 Albert Barabasi: “Linked”
2003 Duncan Watts: “Six degrees”
2003 Steven Strogatz: “Sync”
2006 Ori Brafman & Rod Beckstrom: “The starfish and the spider”
2006 Albert Barabasi, Mark Newman & Duncan Watts: “The structure and dynamics of networks”
2009 Nicholas Christakis: “Connected”
2010 Albert Barabasi: “Bursts”
2012 Augusto de Franco: “Cocriação: reinventando o conceito”
2013 Augusto de Franco: “Para configurar ambientes de cocriação interativa”
2015 Augusto de Franco: “Uma visão interativista da aprendizagem”
2017 Augusto de Franco: “O que não são redes sociais”
2017 Augusto de Franco: “Imperfexia: o desafio para a aprendizagem tipicamente humana”
2018 Deborah Gordon: “Local links run the world”
2023 Deborah Gordon: “The ecology of collective behavior”
2024 Paulina Szyzdek: “A ciência das redes: da teoria às novas realidades”
2024 Blaise Agüera y Arcas: “What is Inteligence?”
2024 Pascal Bornet: “Irreplaceable”
2025 Katherine Hayles: “Bacteria to AI”
QUEM É AUGUSTO DE FRANCO

Augusto de Franco investiga o assunto – redes (e a emergência de uma sociedade em rede) – há mais de 25 anos. Escreveu vários livros e dezenas de artigos sobre o assunto. No final de 2008, juntamente com alguns parceiros, fundou uma Escola-de-Redes que chegou a ter mais de 13 mil pessoas conectadas. Trabalhou com o tema em organizações da sociedade civil, grandes e pequenas empresas e governos de todos os níveis.
A história começa assim.
Surgiu no final do século passado uma chamada nova ciência das redes. Desse novo campo de investigação participaram vários cientistas, inicialmente físicos, em sua maioria, mas também matemáticos, sociólogos e pesquisadores de outras áreas do conhecimento. Pode-se citar alguns, meramente a título de exemplo: Albert-László Barabási, Steven Strogatz, Duncan Watts, Manuel Castells, Pierre Lèvy. E cada vez mais biólogos, epidemiologistas (e até médicos, como Nicholas Christakis).
As principais descobertas da nova ciência das redes, que surgiram nos primeiros dez anos do século 21, são surpreendentes. Mas as aplicações desse conhecimento às sociedades e organizações logo foram descontinuadas pela reação do mundo hierárquico, sobretudo dos Estados-nações e de outras organizações centralizadas, por medo de deixarem de ser os fulcros dos sistemas de governança públicos e privados.
No Brasil, em particular, houve (e continua havendo) uma confusão entre redes sociais (pessoas interagindo por qualquer meio) e mídias sociais (sites, programas, tecnologias) que dificulta o entendimento das redes e desestimula o interesse pelo assunto.
A nova ciência das redes foi o resultado da confluência de três campos investigativos: a análise de redes sociais (SNA), que está na pré-história dessa nova ciência, tendo como patrono Leonhard Euler (1707-1783); redes como estruturas que se desenvolvem; e redes como sistemas dinâmicos complexos.
Suas descobertas principais indicam:
1) que o comportamento coletivo não pode ser derivado do comportamento dos indivíduos (ou que – como escreveu o físico Marc Buchanan (2009) em O Átomo Social – “diamantes não brilham porque os átomos que os constituem brilham, mas devido ao modo como esses átomos se agrupam em um determinado padrão: o mais importante é frequentemente o padrão e não as partes, e isso também acontece com as pessoas”),
2) que redes são múltiplos caminhos e que o padrão de organização (a topologia da rede) determina ou condiciona fortemente os comportamentos possíveis de qualquer coletivo,
3) que redes sociais são redes humanas e que redes sociais mais distribuídas do que centralizadas estão se espalhando nas sociedades (e que é isso que chamamos de emergência de uma sociedade em rede),
4) que descentralização não é a mesma coisa que distribuição,
5) que centralização é o que chamamos de hierarquia (topologias mais centralizadas do que distribuídas),
6) que a conectividade acompanha a distribuição,
7) que a interatividade acompanha a conectividade,
8) que adesão ou participação não são a mesma coisa que interação,
9) que tudo que interage tende a clusterizar (clustering),
10) que tudo que interage pode enxamear (swarming),
11) que o imitamento (cloning) é uma forma de interação,
12) que tudo que interage se aproxima (crunching) diminuindo o tamanho social dos mundos,
13) que assim como a interatividade cresce com a transição para rede, a inovatividade tende a crescer com a interatividade,
14) que o aumento da interatividade depende da desobstrução de fluxos (e que é isso que chamamos de processos de rede nas organizações),
15) que só redes podem aprender, que – como disse Humberto Maturana – “aprender não é apreender o mundo e sim mudar com o mundo” e que o que chamamos de inteligência é um atributo dessa capacidade de aprender.
Como consequências dessas descobertas – no que tange especificamente à inovação – é possível afirmar:
1) que não adianta querer mudar (a dinâmica de funcionamento) sem mudar (o padrão de organização) e que – como se pode derivar de tudo o que escreveu Marshall McLuhan – é o ambiente que muda as pessoas, não a tecnologia,
2) que uma mudança só é possível do conhecido para o desconhecido, não do conhecido para o conhecido,
3) que inovação é sempre um resultado inesperado e, assim, é inútil tentar controlar processos de inovação verificando se foram alcançados os resultados esperados,
4) que inovação copiada é reprodução, não inovação. A inovação é sempre inédita e, portanto, é inútil tentar reproduzir os processos particulares pelos quais uma organização inovou com sucesso,
5) que nunca se trata de substituição, de colocar uma coisa no lugar de outra e sim de deixar que os novos processos que se acrescentam aos antigos gerem novas configurações emergentes,
6) que uma boa dose de comportamento aleatório é necessária para a inovação e que não é possível ser criativo sem partir em novas direções sem um plano pré-definido,
7) que é estúpido tentar organizar a auto-organização.
É possível aplicar esses novos conhecimentos da nova ciência das redes às organizações atuais, desobstruindo fluxos para mudar o padrão de organização (de mais centralizado do que distribuído para mais distribuído do que centralizado) e a dinâmica de funcionamento (de mais baseada em interação do que em adesão e participação e tendo como referência mais a lógica da abundância do que a da escassez).
FICHA DE INSCRIÇÃO
Preencha e envie.
Se não estiver visualizando a ficha de inscrição (abaixo) clique no link:
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