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Sobre o trabalho presencial em organizações

Para entrar no século 21

Em princípio você não deve trabalhar para ninguém e sim, sempre, com alguém.

Tudo que for combinado com você, você deve fazer.

Alguém pode querer comprar os seus serviços ou produtos. Você pode vender, se quiser.

Ninguém pode, porém, comprar o seu tempo. Isso, você nunca deve vender. Tempo é alma. Vender seu tempo significa perder parte da sua alma, quer dizer, morrer mais um pouco enquanto está vivo.

Tempo é vida e vida não tem preço. Se tiver, o preço é a morte. Assista, quando puder, a distopia de Andrew Niccol (2011) In Time.

Ninguém pode, portanto, aprisionar o seu corpo, exigindo que você fique à disposição de algum chefe em um lugar determinado, para que ele possa lhe pedir, quando quiser, que você faça o que lhe der na telha.

Você pode ir a qualquer lugar para realizar uma atividade combinada que exija presença física. Se não houver atividade combinada que exija presença física, não pode ficar nesse lugar apenas para bater ponto, figurando como parte da mobília de escritório.

Com os meios de interação online, por imagem e som, já disponíveis, você pode realizar trabalhos individuais e coletivos em qualquer lugar (onde haja conexão). O importante é estar conectado, acessível e disponível à interação, não estar fisicamente presente em um escritório para fazer o que não requer presença física.

Não é razoável que, já na terceira década do século 21 e após uma pandemia que mostrou que o trabalho remoto é eficaz, ainda se exija presença física de pessoas em atividades que não exigem essa presença física.

Algumas atividades criativas são melhor realizadas com interação presencial: a cocriação interativa, o open space e várias outras. Nestes casos, não havendo restrições sanitárias, tudo bem. Mas reuniões – sobretudo ditas “de alinhamento” – não exigem presença física.

Essas reuniões – a partir de certa frequência, mesmo quando virtuais – são tóxicas.

Sim, as organizações gastam boa parte do seu tempo se intoxicando com reuniões de alinhamento para convencer as pessoas a fazer o que os chefes (eufemisticamente chamados de “líderes”) querem que elas façam. Nada de novo sairá daí.

Aliás, nunca devemos estar alinhados. Se vamos fazer qualquer coisa juntos, precisamos estar sintonizados. Mas cada um na sua linha. Por isso, é inútil forçar um consenso, esperando que todos pensem da mesma maneira. É preferível aprender a lidar com ecologias de diferenças coligadas.

O que buscamos é sinergia. Do contrário, o que haverá é entropia.

A gestão ou gerenciamento que quer alinhar as pessoas é uma coisa tola que é feita para desviar a energia inovadora para dentro de organizações centralizadas, degradando essa energia em calor em vez de luz. Entropia.

Para lidar com o trabalho coletivo, o mais desejável é que as organizações adotem comunidades de projeto. Cada comunidade de projeto organiza sua pauta, divide o trabalho entre seus membros, estabelece metas e prazos para suas entregas e para as entregas de cada um.

Pronto! Está resolvido. Celebre a vida. Não faça um pacto com a morte. Toda vez que você vende sua alma, sujeitando-se a alguém ou toda vez que você sente um ímpeto de controlar alguém, é sinal de que uma pulsão de morte está irrompendo na sua vida.

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