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Clipping de 21/01/2019 – Caso Flávio Bolsonaro

O caso Flávio Bolsonaro não deve obscurecer o caso Queiroz-Jair Bolsonaro. O cheque na conta da atual primeira-dama é mais grave do que os rolos do filho campeão do mercado imobiliário. Se o Jair não emprestou a grana, por que a “devolução”? Se emprestou, tem de nos dizer como.

CINCO PERGUNTAS QUE JAIR BOLSONARO NÃO RESPONDE

Jair Bolsonaro disse que emprestou dinheiro ao Queiroz. Ele tem que nos dizer então:

1) Foi por DOC, TED, Depósito em Internet Banking, Depósito em Caixa Eletrônico, Depósito na agência bancária ou em dinheiro vivo numa sacola de supermercado?

2) Quando e em que lugar foi feita a operação?

3) Qual a origem do dinheiro?

4) Por que o empréstimo foi devolvido na conta da Michele?

5) Ele “explicou” que tem dificuldade de ir na agência e por isso deu a conta da sua mulher, mas quem precisa ir fisicamente na agência para receber depósito bancário?

Se ainda houver oposição decente e jornalismo independente no Brasil, essas cinco perguntas têm de ser feitas todos os dias, por todos os meios. A sociedade brasileira precisa das respostas.

CLIPPING DE 21/01/2019 – CASO FLÁVIO BOLSONARO 

Conta outra, Flávio!

Ricardo Noblat, Blog do Noblat, Veja (21/01/2019)

Os rolos do senador

E o título de “Corretor do Ano” vai para… Flávio Bolsonaro, deputado estadual até outubro do ano passado quando se elegeu senador pelo Rio de Janeiro no rastro da eleição do seu pai para presidente da República.

Nas entrevistas à TV Record e à Rede TV, ontem à noite, ele contou que o título de R$ 1 milhão que pagou à Caixa em 2017 se refere à compra de um imóvel na planta da construtora PDG no valor total de R$ 1.700 mil.

O imóvel então passou a ser financiado pelo banco, do qual ele se tornou credor. Mas como a entrega do imóvel atrasou, ele o vendeu pouco tempo depois pelo valor de R$ 2,4 milhões.

Quer dizer: no período de um ano se tanto, com o mercado imobiliário em baixa por conta da crise econômica que ainda se arrasta, Flávio lucrou no negócio cerca de 40%. É de deixar os demais corretores de queixo caído.

Quanto aos 48 depósitos de R$ 2 mil feitos em espécie em sua conta entre junho e julho de 2017 em um caixa eletrônico da Assembleia Legislativa do Rio, Flávio explicou que se tratava de dinheiro dele mesmo.

Justificou que além de político ele é também empresário, e pelo visto muito bem-sucedido. Assim como Fabrício Queiroz, seu ex-assessor, comprava e vendia carros usados, Flávio comprava, vendia e trocava imóveis.

Segundo a Folha de S. Paulo, Flavio comprou entre 2014 e 2017 pelo menos dois apartamentos em bairros nobres do Rio, ao custo informado de R$ 4,2 milhões. O período coincide com depósitos suspeitos em sua conta.

Em parte das transações, registra o jornal, o valor declarado pelos compradores e vendedores é menor do que aquele usado pela prefeitura para cobrança de impostos.

Posts de Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, Blog da RedeTV, 21/01/2019

1 – Cúpula do governo tenta afetar tranquilidade com “caso Flávio Bolsonaro”, mas ela é falsa; o filho deveria renunciar em benefício do pai

Hamilton Mourão, agora presidente em exercício, pelo tempo que Jair Bolsonaro permanecer na Suíça, deu a seguinte declaração à Reuters: “É preciso dizer que o caso Flávio Bolsonaro não tem nada a ver com o governo”. O general da reserva é homem experiente o bastante para saber que não lhe caberia dizer o contrário, mas também para saber que isso não é verdade. Para começo de conversa, fiquemos com as suas palavras: então existe um “caso Flávio Bolsonaro”. E como! E, por enquanto, as coisas só pioram. Sejamos claros: o melhor que Flávio teria a fazer em favor de seu pai seria renunciar ao mandato. Haveria um solavanco, é verdade; a decisão seria vista como uma espécie de confissão, mas uma coisa é certa: diminuiria a sombra sobre o governo. Como está, o troço, que parece até modesto perto dos casos de corrupção que conhecemos, tem potencial para tragar o governo, sim. A razão é óbvia: tudo está perto demais do presidente da República. E, de sexta-feira para cá, o rolo mudou de patamar em valores e no potencial politicamente explosivo.

2 – Os R$ 7 milhões movimentados por Fabrício Queiroz entre 2015 e 2017 assombraram os militares do governo; e ainda não há explicação

Neste domingo, veio a público a informação, publicada em primeira mão pelo colunista Lauro Jardim, em “O Globo”, de que passaram pela conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, R$ 7 milhões entre 2015 e 2017 — inclui-se nesse total a soma de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, de potencial já explosivo. Em entrevista ao SBT, Queiroz afirmou há algum tempo que a grana derivava de rolos que ele fazia com carros usados… Bem, a ser assim, o homem deve ter, então, uma rede de concessionárias. Não faz tempo, o senador diplomado afirmou que seu ex-funcionário lhe havia dado uma explicação plausível para o caso. Ocorre que o suposto ex-motorista se negou a depor ao Ministério Público. Flávio também se recusou a prestar depoimento. Até agora, ninguém falou. O valor assombrou a ala militar do governo.

3 – Reportagem da Folha informa que senador eleito adquiriu imóveis ao custo de R$ 4,2 milhões em três anos; seu salário bruto é de R$ 25,3 mil

Reportagem da Folha desta segunda informa:

“Documentos obtidos em cartórios mostram que o então deputado estadual e hoje senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) registrou de 2014 a 2017 a aquisição de dois apartamentos em bairros nobres do Rio de Janeiro, ao custo informado de R$ 4,2 milhões. Em parte das transações, o valor declarado pelos compradores e vendedores é menor do que aquele usado pela prefeitura para cobrança de impostos”. Nota: o salário de um deputado estadual do Rio é de R$ 25,3 mil brutos.

4 – Queiroz, o homem que movimentou R$ 7 milhões, mora em casa modesta na Zona Oeste do Rio; há o temor de que a grana tenha origem ainda pior

Queiroz, o homem que movimentou R$ 7 milhões em três anos, mora numa casa simples, em um beco, na Taquara, na Zona Oeste do Rio. Nada por ali faz supor o correntista de valores milionário ou o paciente que se interna para tratar de câncer no hospital Albert Einstein, que figura entre os melhores e mais caros do país. Como eu escrevia aqui à época em que o petismo dava as cartas, há ocorrências e coincidências que só acontecem no universo da política. Os R$ 7 milhões levaram o pânico para o Planalto, ao contrário do discurso oficial, porque se considerou que é dinheiro demais para a hipótese viciosa se limitar a uma simples “rachadinha” envolvendo o salário dos servidores, o que já seria crime: além de lavagem de dinheiro, também peculato. Os valores movimentados, segundo o que se sabe até agora, despertaram o temor de coisa mais grave. Alguém lembrou que o candidato de Flávio à Presidência da Assembleia era o deputado André Corrêa (DEM), que está em prisão preventiva, no âmbito da operação “Furna da Onça”. Ele é acusado de ter recebido R$ 100 mil mensais para votar de acordo com os interesses do amplo grupo então liderado pelo governador Sérgio Cabral. Há tudo no generalato da reserva que serve a Bolsonaro, menos tranquilidade. E Flávio não está ajudando.

5 – Segundo Flávio, os 48 depósitos de R$ 2 mil e o pagamento de título de R$ 1 milhão estão ligados a imóveis; eis o “Ronaldinho” do “Mito”

Embora tenha se negado a falar sobre o caso para o Ministério Público Estadual e recorrido ao Supremo para suspender a investigação sobre Fabrício Queiroz, o senador eleito resolveu conceder entrevistas sobre o assunto. Segundo disse à TV Record, os 48 depósitos de R$ 2 mil que foram feitos na sua conta, em cinco datas, no prazo de um mês, entre junho e julho de 2017, e o pagamento de um título na CEF no valor de R$ 1.016.839 dizem respeito à transação de um imóvel. Por meio do título, ele estaria quitando o financiamento feito pela Caixa. Em seguida, teria resolvido vendê-lo por R$ 2,4 milhões. E o comprador teria pagado parte da aquisição em dinheiro. E Flávio fez o quê? Dividiu os R$ 96 mil em 48 envelopes de R$ 2 mil e resolveu depositar por meio do caixa eletrônico. Por que não fez o depósito de uma vez só na agência bancária que fica na Assembleia? Ele não disse. Demorou quase um mês para realizar todas as operações, a saber:

9 de junho de 2017: 10 depósitos no intervalo de 5 minutos, entre 11h02 e 11h07;

15 de junho de 2017: mais 5 depósitos, feitos em 2 minutos, das 16h58 às 17h;

27 de junho de 2017: outros 10 depósitos, em 3 minutos, das 12h21 às 12h24;

28 de junho de 2017: mais 8 depósitos, em 4 minutos, entre 10h52 e 10h56;

13 de julho de 2017: 15 depósitos, em 6 minutos.

Ah, sim: na entrevista à Record, Flávio afirmou que o salário de deputado é a menor parte de seus rendimentos. O maior volume viria da atividade empresarial —não especificou, porém, qual seria o negócio. Pelo visto, Bolsonaro também tem seu “Ronaldinho”, que foi como Lula se referiu certa feita ao talento empresarial de um de seus filhos.

6 – Flávio tenta demonstrar que não recorreu ao STF em busca de foro especial; argumentação é capenga. Ou: sim, cabe ao MPF atuar no caso

Flávio afirmou ainda o seguinte, aí sobre a decisão de recorrer ao Supremo:

“Não pedi foro privilegiado ao STF. O que fiz foi uma Reclamação, que é o remédio jurídico correto para perguntar ao Supremo Tribunal Federal, obedecendo a uma decisão do próprio STF, que lá atrás decidiu sobre o foro, e tem uma vírgula que diz assim: caso a caso, o Supremo Tribunal Federal dirá qual é o foro competente. Se é o Rio de Janeiro, o MP do Rio, ou se é Brasília, o MP Federal. Então, a decisão que o Supremo vai tomar é para onde é que tenho que prestar os esclarecimentos. Não tenho nada para esconder de ninguém. Tem origem. Não tem origem ilícita”.

Pois é… Ocorre que, além da Reclamação — que parte, sim, do pressuposto de que ele pode ter foro naquele tribunal, o que o próprio STF já rechaçou, com o apoio do bolsonarismo, diga-se —, sua defesa também entrou com um pedido de liminar para suspender a investigação que diz respeito a Fabrício Queiroz. Luiz Fux atendeu ao pedido. Certamente seu advogado o advertiu de que a liminar poderia atrasar por algum tempo a investigação, mas ela voltaria fatalmente para o Ministério Público Estadual do Rio. A razão é simples: ainda que Flávio venha a ser investigado na esfera criminal, o caso aconteceu antes de seu mandato como senador e não se deu em razão desse mandato. É bem verdade que, se o Ministério Público Federal quiser, há motivos para entrar no caso, isto é, para chamar a investigação para si: uma das funcionárias que repassava dinheiro para a conta de Fabrício é Nathalia Queiroz, sua filha, que deixou o gabinete de Flávio e foi transferida para o de Jair, quando deputado federal, em Brasília. Ocorre que ela morava no Rio, onde atuava como personal trainer. E, como se sabe, Fabrício depositou dinheiro na conta de Michelle, mulher do agora presidente da República.

7 – Filho de Bolsonaro põe isenção política de promotores em dúvida no dia em que pai viaja com o homem que condenou Lula e virou ministro

Flávio Bolsonaro decidiu ainda, aí em entrevista à RedeTV!, pôr em dúvida a isenção do Ministério Público Estadual. Afirmou que o objetivo da investigação é atingir o governo de seu pai e disse ter visto na Internet fotos de promotores com camisetas de protesto contra o impeachment de Dilma. Disse: “Não sei se é verdade, mas são evidências. Não estou fugindo, mas por que não dar tratamento igual para todo mundo?” Bem, “todo mundo”, quem? Que eu me lembre, há uma penca de deputados estaduais presos, além de dois ex-governadores e um ex-presidente da República. Acusar suposta predileção política de pessoas envolvidas no combate ao crime não fica bem na boca de um bolsonarista. Na noite deste domingo, Sérgio Moro, aquele que condenou Lula, embarcou com Bolsonaro para a Suíça na condição de superministro da Justiça. Flávio precisa melhorar a qualidade das respostas.

8 – Moro vai falar em Davos sobre transparência e o combate à corrupção; caso Flávio hoje põe em risco reputação do “paladino anticorrupção”

Sérgio Moro vai participar de vários painéis em Davos que tratarão de transparência e combate à corrupção e a crimes financeiros. Em seu discurso, Bolsonaro deve apresentá-lo, vamos dizer assim, como o seu xerife. Tanto o chefe como o seu subordinado viajam, nesse particular, num momento ruim. É pouco provável que a imprensa internacional vá cotejar a fala do ministro com o que se passa no Brasil. Por aqui, no entanto, suas intervenções certamente serão acompanhadas com atenção. O ainda deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), senador diplomado e filho de Jair, está envolvido em uma enrascada que, a morrer no ralo das irresoluções, desmoraliza não apenas a intervenção do ex-juiz em Davos, mas a sua trajetória de paladino contra a corrupção.

9 – Em livro, o próprio Moro considera que conduta como a de Flávio costuma ser típica de lavagem de dinheiro. E a crise do picadeiro anticorrupção

Um trecho de um livro seu intitulado “Crime de Lavagem de Dinheiro” começou a circular nas redes na sexta. Lá o autor pormenoriza procedimentos de criminosos para tentar driblar os mecanismos de investigação. Escreve sobre um caso: “Todos os cheques tinham valores inferiores a R$ 10 mil e ainda sua soma era inferior a R$ 100 mil. Condutas dessa espécie visam a evitar que as comunicações sejam feitas ao COAF. A estruturação de transação com o fim de evitar uma comunicação ou sua identificação pelas autoridades é uma tipologia comum de lavagem de dinheiro”. Infelizmente para ele, para Flávio e para Jair Bolsonaro, a escrita parece ser um retrato dos 48 depósitos de R$ 2 mil, só que feitos em dinheiro, o que piora tudo, no intervalo de um mês, em cinco datas, na conta do senador diplomado. Investigar essa história é tarefa da Ministério Público, eventualmente da Polícia Federal. De fato, não cabe a Moro, o que não quer dizer que os fatos não possam desmoralizá-lo. Afinal, ele preparou o picadeiro da política para exibir a cabeça de corruptos, certo?

Em 3 anos, Flávio Bolsonaro comprou R$ 4,2 mil em imóveis

Filho de Bolsonaro comprou R$ 4,2 mi em imóveis em 3 anos. Período das aquisições coincide com o da movimentação atípica identificada pelo Coaf

Ranier Bragon , Camila Mattoso , Italo Nogueira e Ana Luiza Albuquerque, Folha de S. Paulo (21/01/2019)

BRASÍLIA E RIO DE JANEIRO – Documentos obtidos em cartórios mostram que o então deputado estadual e hoje senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) registrou de 2014 a 2017 a aquisição de dois apartamentos em bairros nobres do Rio de Janeiro, ao custo informado de R$ 4,2 milhões.

Em parte das transações, o valor declarado pelos compradores e vendedores é menor do que aquele usado pela prefeitura para cobrança de impostos.

O período da aquisição dos imóveis pelo filho de Jair Bolsonaro é o mesmo em que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) teria detectado movimentação de R$ 7 milhões nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, segundo reportagem do jornal O Globo publicada neste domingo (20).

O ex-motorista é investigado sob suspeita de ser o pivô de um esquema ilegal de arrecadação de parte dos salários de servidores do gabinete, prática conhecida como rachadinha.

Flávio começou na vida pública em 2002, tendo como único bem na época um Gol 1.0, segundo sua declaração de bens.

Em outro relatório, divulgado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, sobre movimentações atípicas na conta do filho do presidente, o Coaf identificou um pagamento de R$ 1.016.839 de um título bancário da Caixa —o órgão não teria conseguido identificar a data exata e o beneficiário.

De acordo com os documentos obtidos em cartórios, Flávio registrou em junho de 2017 a quitação de uma dívida com a Caixa no valor aproximado de R$ 1 milhão para aquisição de um dos apartamentos que comprou, no bairro das Laranjeiras. Segundo dados de uma das escrituras, o débito foi pago em 29 de junho daquele ano.

Segundo informações cartoriais, Flávio comprou o imóvel na planta, por valor declarado de R$ 1,753 milhão.

Ele se desfez do bem em 2017, quando fez uma permuta, recebendo em troca uma sala comercial na Barra da Tijuca e um apartamento em na Urca, além de R$ 600 mil em dinheiro —sendo R$ 50 mil em cheque e R$ 550 mil sem descrição da forma de pagamento— para completar o negócio. Na escritura, o imóvel dado por ele tinha passado a valer R$ 2,4 milhões.

O novo bem, na Urca, teve valor registrado de R$ 1,5 milhão –vendido depois, em maio de 2018.

Em entrevista na noite de domingo ao programa Domingo Espetacular, da TV Record, Flávio afirmou que o pagamento do título bancário se refere à negociação imobiliária. Ele levou papéis, mas não quis mostrá-los, afirmando que a imprensa não é o foro adequado para esse tipo de esclarecimento.

Segundo ele, a parte recebida em dinheiro vivo explica os depósitos fracionados em sua conta bancária.

Na sexta (18), o Jornal Nacional revelou que o senador eleito recebeu R$ 96 mil em um período de cinco dias, entre junho e julho de 2017. Foram 48 depósitos no valor de R$ 2.000, realizados em espécie no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Segundo o senador eleito afirmou à Record, os depósitos foram fracionados em R$ 2.000 porque esse era o limite aceito no caixa eletrônico. No Itaú, único banco no qual o senador eleito tem conta declarada, o limite para depósito em espécie no caixa eletrônico é de fato R$ 2.000. Na Alerj, onde foram feitos os depósitos, há um autoatendimento do Itaú.

Outro apartamento adquirido pelo senador eleito entre 2014 e 2017 foi um na Barra da Tijuca, pelo valor de R$ 2,55 milhões. Para a compra, ele também pegou uma espécie de empréstimo, dessa vez com o Itaú, pelo valor de R$ 1,074 milhão.

O apartamento fica em uma das regiões mais nobres do bairro, na avenida Lúcio Costa, de frente para a praia, próximo do condomínio em que o pai tem casa.

No mesmo período, o senador eleito vendeu dois imóveis, um em Copacabana e outro também na Urca, pelo valor de, somados, R$ 2 milhões. Nos registros cartoriais também figura o nome da mulher de Flávio, Fernanda Antunes Figueira.

Atualmente, o salário de um deputado estadual do Rio é de R$ 25,3 mil brutos. Na entrevista à Record, Flávio afirmou que o salário de deputado é a menor parte de seus rendimentos. O maior volume viria da atividade empresarial —não especificou, porém, qual seria o negócio.

A Folha revelou em janeiro de 2018 que o presidente Jair Bolsonaro, à época deputado federal e pré-candidato, e seus três filhos que exercem mandato multiplicaram o patrimônio na política.

Com base em pesquisas cartoriais, a reportagem mostrou que até aquele mês eles eram donos de 13 imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 15 milhões, a maioria em pontos altamente valorizados do Rio, como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca.

A Folha também mostrou em janeiro do ano passado que Flávio havia negociado ao menos 19 imóveis nos últimos 13 anos.

A maior parte são 12 salas do Barra Prime, um prédio comercial. Todas foram vendidas para a MCA Participações, empresa que tem entre os sócios uma firma do Panamá. Ela adquiriu as salas de Flávio em novembro de 2010 —45 dias depois de o deputado ter comprado 7 das 12 salas.

O senador eleito passou a ser protagonista da dor de cabeça do governo Jair Bolsonaro após a revelação das movimentações de Queiroz, em dezembro.

Quase um mês depois, agora ele é também foco do Ministério Público e demais autoridades. Com o agravamento da crise, o Palácio do Planalto iniciou estratégia para evitar que o episódio gere danos maiores.

A orientação recebida por integrantes da equipe ministerial é de que, a partir de agora, evitem comentar o tema em público, tratando-o como uma questão particular do filho do presidente.

O levantamento de dados pelo Coaf motivou reclamação do senador eleito ao STF (Supremo Tribunal Federal). Na semana passada, a corte suspendeu a investigação que envolvia Queiroz e Flávio.

A Folha enviou perguntas ao advogado e à sua assessoria no final da tarde e início da noite deste domingo, mas não obteve resposta.

Revelações do caso Queiroz elevam tensão no Planalto

Auxiliares temem que não seja possível isolar o presidente das suspeitas sobre Flávio Bolsonaro, que diz que dinheiro era de negociação de imóvel

As revelações da coluna de Lauro Jardim e da TV Globo de que o Coaf registra movimentação financeira suspeita nas contas do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSLRJ) e de seu ex-assessor na Alerj Fabrício Queiroz elevaram a tensão no Palácio do Planalto. Auxiliares passaram a temer que não seja possível isolar o presidente das denúncias envolvendo seu filho mais velho. Em entrevista à TV Record ontem, Flávio alegou que os R$ 96 mil depositados em espécie em sua conta em 2017 eram parte do pagamento da venda de um apartamento. E disse que o título da Caixa no valor de R$ 1 milhão era referente à quitação da compra do mesmo imóvel. “Não tem sacanagem comigo”, afirmou. Ele se queixou de suposta quebra de sigilo bancário, mas o entendimento do STF é que o Coaf pode passar informações para o Ministério Público sem ordem judicial.

Agravamento do caso Queiroz preocupa Planalto

Jussara Soares, Vinícius Sassine e Daniel Gullino, O Globo (21/01/2019)

BRASÍLIA – A informação de que Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), movimentou R$ 7 milhões entre 2014 e 2017, revelada neste domingo pelo colunista Lauro Jardim, ampliou o temor, no Palácio do Planalto, de que o governo não consiga se blindar da repercussão negativa do caso. Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro afirmaram ontem que foram pegos de surpresa e dizem que a extensão do problema ainda é desconhecida.

Oficialmente, todo o primeiro escalão mantém o discurso de que se trata de uma questão particular de Flávio. Entretanto, reservadamente, admitem que o caso abala os primeiros dias de governo. O presidente fazes ta semana sua primeira viagem internacional para participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, onde pretende fazer um discurso para se firmar como líder da América Latina. O receio, contudo, é que essa pauta fique em segundo plano diante das novas revelações envolvendo o ex-asses sordes eu filho. Diante da crise, não há previsão que Bolsonaro conceda entrevista coletiva durante a viagem. O presidente optou pela leitura de um comunicado à imprensa.

A movimentação financeira nas contas de Queiroz consta dos arquivos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras(Coaf ). Ele trabalhou no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) até 15 de outubro de 2018. Em dezembro passado, foi revelado que, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, ele movimentou R$ 1,2 milhão. O Coaf registrou que, nos dois anos anteriores, passaram por sua conta R$ 5,8 milhões, totalizando R$ 7 milhões em três anos. Até hoje Queiroz não apresentou explicação ao Ministério Público.

Entre os incomodados com o agravamento da crise está o núcleo militar mais próximo do presidente. A expectativa durante o dia de ontem era por uma explicação convincente por parte de Flávio.

O Planalto estabeleceu uma ordem de silêncio sobre o caso, que se estendeu ao Ministério da Justiça: Sergio Moro, a quem está subordinado o Coaf, submergiu e não comenta as suspeitas.

O general mais próximo a Bolsonaro, o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não quis comentar o caso:

– Isso não é um problema meu. Não vou me meter nesse negócio.

Moro também foi procurado pela reportagem:

— Sem comentários — limitou-se a dizer.

ERRO DE ESTRATÉGIA

O advogado Paulo Klein, que defende Queiroz , disse ontem desconhecer o volume de recursos que passou pela conta de seu cliente entre 2014 e 2017. Desde julho do ano passado, o ex-assessor de Flávio é alvo de um procedimento investigatório criminal instaurado pelo Ministério Público do Rio devido à movimentação financeira incompatível com sua renda. Chamado a dar explicações em quatro ocasiões, ele não compareceu, alegando impedimento por causa de um câncer.

A defesa de Queiroz afirma que, embora tenha pedido ao MP acesso às informações registradas pelo Coaf, não obteve tais documentos. Segundo Klein, o fato de Queiroz estar se recuperando de uma cirurgia para a retirada de um tumor impossibilitou que cliente e advogado se reunissem e, portanto, que a defesa obtivesse os extratos bancários.

Segundo o advogado, Queiroz está em São Paulo, onde se recupera do procedimento cirúrgico realizado no hospital Albert Einstein. O ex-assessor teve alta em 8 de janeiro.

Procurada, a assessoria de Flávio informou que o senador eleito não ia se pronunciar. Anteontem ele se disse “indignado” e prometeu “rebater os pontos um a um”.

Integrantes do governo avaliam que houve um erro na estratégia da defesa de Flávio, que recorreu ao Supremo Tribunal Federal para paralisar a investigação do Ministério Público do Rio. Ele argumentou que o foro do caso seria o STF, já que ele assumirá o mandato no Senado em 1º de fevereiro. O pedido foi atendido pelo ministro Luiz Fux, em caráter liminar, mas o relator do caso, Marco Aurélio, já indicou que manterá a investigação na primeira instância.

Um relatório do Coaf identificou depósitos de R$ 96 mil, em dinheiro, no intervalo de um mês, na conta de Flávio. Os repasses foram feitos entre junho e julho de 2017 e aconteceram de forma fracionada: 48 parcelas de R$ 2 mil.


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Uma sinopse do artigo de Larry Diamond: Enfrentando a recessão democrática

Clipping de 23/01/2019 – Caso Bolsonaros-Milícias