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Um pequeno recado aos jornalistas e analistas políticos: cuidado com o “crédito maldito”

Boa parte do jornalismo quer que o governo Bolsonaro dê certo. Jornalistas, articulistas e analistas políticos argumentam que, se o governo se der errado, quem sofre somos todos nós, os brasileiros. Isso não está errado.

Mas os jornalistas também sabem que, para o governo dar certo, a economia tem que deslanchar, as reformas têm de ser feitas etc. No entanto, quase ninguém pensa que a economia pode dar certo mantendo-se a política errada.

Recomendo aos jornalistas que leiam com atenção o parágrafo abaixo e cliquem nos links:

Para entender a situação em que estamos no final desta segunda década do século 21 é necessário acompanhar as análises sobre a recessão (https://bit.ly/2KttPJH) e a desconsolidação (https://bit.ly/2P9fbWL) democráticas em curso no mundo e no Brasil. É necessário entender também que já estamos sob a influência de uma terceira onda de autocratização (https://bit.ly/2VJ21SU) E, por último, é preciso perceber que a democracia não é mais o único caminho para a prosperidade (https://bit.ly/2P9Dbt6), como se acreditava (e propagava a ideologia neoliberal). Modernização e autoritarismo (https://bit.ly/2UjfiQM) passaram a andar juntos. Países autocráticos estão se aproveitando dos mecanismos e processos econômicos liberais, próprios do capitalismo, sem adotarem, entretanto, instituições e procedimentos políticos liberais, ou seja, sem percorrerem a transição para a democracia. E países democráticos estão começando a tentar fazer uma transição inversa (https://bit.ly/2v0xzYH), capitaneada por alianças entre economistas-liberais e populistas-autoritários.

Agora imaginem a seguinte situação. A economia dá certo fornecendo a Bolsonaro um “crédito maldito” para que ele avance na sua investida autoritária. Imaginaram o horror?

Tudo isso nasce a partir de uma premissa errada. As pessoas acham que a democracia existe para dar casa, comida e roupa lavada para o povo (mas isso o sultão de Brunei, o ditador Hassanal Bolkiah, também dá: em contrapartida, mata opositores, gays ou qualquer um que recuse a sharia). Bolkiah era um exemplo (para alguns que acham que a obrigação de um governo é dar coisas de graça para o povo). De fato, ele dá à toda população casa e comida subsidiadas, escola e sistema de saúde – tudo de graça. Lá não existem imposto de renda e contribuições sociais. O PIB per capita é de quase 32 mil dólares, na faixa da Itália e da Espanha. A dívida pública é zero. Em compensação… agora aprovou o domínio tenebroso da sharia. Instituiu amputação de mão para roubo; amputações adicionais para roubo a mão armada; adultério, atos homossexuais e estupro, são punidos com morte por apedrejamento (solteiros em conjunção carnal pegam chibatadas e um ano de cadeia); chibatadas também para punir o consumo de bebidas alcoólicas; pena de morte para a apostasia. Você ganha casa, comida e roupa lavada, mas não pode nem pensar diferente do seu senhor. Que tal? Quem topa mudar para lá?

Ocorre que a democracia não existe para melhorar as condições de vida da população (como está fazendo o governo chinês, por exemplo, que é uma ditadura). Ela existe para melhorar as condições de convivência social, para que as pessoas possam, com liberdade, se associar entre si para abrir seus próprios caminhos, superar seus carecimentos e se afirmar como construtores do seu futuro.

Se você não entendeu, provavelmente é porque não clicou nos links.

Aquele abraço!


Democracy Unschool é um ambiente de livre investigação-aprendizagem sobre democracia, composto por vários itinerários. O primeiro itinerário é um programa de introdução à democracia chamado SEM DOUTRINA. Para saber mais clique aqui

Urgente! A sociedade civil brasileira precisa defender a democracia

Um exemplo de manipulação bolsonarista das mídias sociais