A autocrítica do PT

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Erramos

A autocrítica que o PT já começou a fazer para continuar na senda antidemocrática

1 – Erramos quando não tomamos a decisão de impor o controle social da mídia. Agora não é mais possível segurar as notícias desfavoráveis a nós sobre o que fizemos no governo, nas estatais e nos fundos de pensão.

2 – Erramos quando não forçamos a barra para aprovar uma reforma política que estabelecesse a fidelidade partidária, o voto em lista fechada e predeterminada e o financiamento exclusivamente estatal de campanha.

3 – Erramos quando não conseguimos fazer um plebiscito para convocar uma constituinte de reforma política favorável aos nossos interesses.

4 – Erramos ao não fazer uma aliança mais profunda com as forças armadas, quando não conseguimos alterar o currículo dos cursos de formação de oficiais e quando não assumimos o controle do processo de promoções.

5 – Erramos quando vacilamos em dar o passo fundamental para transformar a Força Nacional de Segurança em uma guarda pretoriana sob o controle do governo (como era o projeto original de Thomaz Bastos).

6 – Erramos quando não aplicamos o Decreto 8243 que criou novas instâncias participativas dirigidas por nós para cercar a institucionalidade vigente e subordinar a dinâmica social à lógica do Estado aparelhado.

7 – Erramos ao indicar ministros, para o STF e para o STJ, mal-formados ideologicamente, vacilantes e acovardados, que – com medo de sujar suas biografias – acabaram não sendo obedientes às nossas diretivas.

8 – Erramos quando não matamos a operação Lava Jato no seu embrião, quando nomeamos o desfibrado Janot para a PGR, quando deixamos florescer uma geração de jovens procuradores intoxicados pela ideologia burguesa de combate à corrupção e quando não eliminamos tempestivamente ameaças como Sérgio Moro.

9 – Erramos quando não aprovamos uma emenda constitucional (como fizeram tranquilamente todos os países nossos aliados latino-americanos) para permitir um terceiro mandato de Lula.

10 – Erramos quando escolhemos Dilma Rousseff (que nem petista de raiz é) para suceder Lula e quando deixamos que ela acreditasse que era presidente de verdade e não apenas uma militante cumprindo uma missão partidária.

11 – Erramos quando escolhemos o golpista Michel Temer para vice. Melhor seria ter colocado na chapa um empresário aliado como André Esteves ou Marcelo Odebrecht (que não poderiam, então, ser presos).

12 – Erramos quando aceitamos o resultado da votação da Câmara dos Deputados que autorizou a abertura do processo de impeachment de Dilma. Deveríamos ter resistido, denunciando naquele momento o golpe, nos entrincheirando no Planalto e convocando a população para defender o governo eleito.

13 – Erramos, sobretudo, no timing. E como consequência de vários dos erros mencionados acima, não conseguimos estabelecer – em tempo hábil – uma hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado controlado por nós e por isso ficamos vulneráveis ao golpe das elites que nos apeou do poder.

NOTA

Reconstruí a autocrítica que o PT não teve coragem de fazer abertamente, de forma nua e crua. Mas é exatamente isto: basta ler as resoluções do Diretório e da Executiva Nacional do PT.


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