Como democrata liberal faço oposição aos populismos quando estão no governo.
Fiz oposição aos quatro governos populistas de esquerda de Lula e Dilma (de 2003 a 2016).
Quando Lula voltou ao governo continuei fazendo oposição a ele (a partir de 2023). E continuo fazendo, pois oposição se faz ao governo realmente existente, não a um governo passado (que não existe mais), nem a um imaginado governo futuro (que ainda não existe).
Quando a atual campanha eleitoral contrapôs o populista de esquerda Lula ao populista de direita Flávio, declarei publicamente que não apoiaria nenhum dos dois. Fiz isso antes do primeiro turno, nas mídias sociais e em artigo amplamente divulgado no site Dagobah e na nova revista Inteligência Democrática (no dia 01/10/2026).
E continuo fazendo isso no segundo turno.
“Ah! Mas você bate mais em Lula do que em Flávio”. Claro, quem está no governo é Lula, não Flávio. Não vou deixar de criticar Lula só porque ele está concorrendo à reeleição.
“Ah! Mas há uma disputa entre os dois”. Sim, como disse no início, não escolho entre eles e não faço campanha.
Se Lula vencer, continuarei fazendo oposição ao seu governo. Se Flávio vencer, farei oposição desde o primeiro dia do seu governo (assim como fiz oposição ao governo do seu pai).
Há quem estranhe isso. A explicação é que o analfabetismo democrático é tão profundo e generalizado entre nós que muitas pessoas ainda não sabem que não há democracia sem oposição. E que as oposições políticas devem ser reconhecidas e valorizadas como players legítimos e fundamentais para o bom funcionamento do regime democrático.
Dito isso, continuo com a impressão de que Lula tem mais chances de vencer a eleição atual. Claro que ele pode perder.
Mas se Lula perder é sinal de que a alergia do eleitorado brasileiro ao “nós contra eles” (implantado pelo PT desde o início do século) é maior do que se imagina.
Por que?
Porque Lula tem o governo federal na mão, tem o comando da Câmara e do Senado. Tem uma facção que controla o STF. Tem a PGR. Tem a PF. Tem o Coaf. Tem as universidades. Tem os sindicatos, centrais e associações profissionais. Tem as ONGs e os movimentos sociais. Tem as associações de juristas, juízes e advogados pela democracia. Tem a maior parte dos jornalistas e analistas políticos dos grandes meios de comunicação. Tem os famosos de cinema e novelas de TV. Tem boa parte dos institutos de pesquisa de opinião e agências de checagem. E tem os partidos que apoiam ditaduras de esquerda. Pela “lógica”, portanto, seria quase impossível Lula não ganhar a eleição. Ainda que possa acontecer.
Se Lula ganhar, continuarei na oposição ao seu quarto governo e o sexto do PT neste século.
Se Lula perder, farei oposição ao governo Flávio, seja ele uma continuidade do governo do seu pai ou não.

