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Faço oposição ao governo Lula e farei oposição a um governo Flávio

Explicando, mais uma vez, a minha posição

Como democrata liberal faço oposição aos populismos quando estão no governo.

Fiz oposição aos quatro governos populistas de esquerda de Lula e Dilma (de 2003 a 2016).

Quando chegou ao governo o populista de direita Bolsonaro lhe fiz oposição cerrada (a partir de 2019), como mostram centenas de posts nas mídias sociais e várias dezenas de artigos analíticos no meu site Dagobah e na imprensa em geral.

Quando Lula voltou ao governo continuei fazendo oposição a ele (a partir de 2023). E continuo fazendo, pois oposição se faz ao governo realmente existente, não a um governo passado (que não existe mais), nem a um imaginado governo futuro (que ainda não existe).

Quando a atual campanha eleitoral contrapôs o populista de esquerda Lula ao populista de direita Flávio, declarei publicamente que não apoiaria nenhum dos dois. Fiz isso antes do primeiro turno, nas mídias sociais e em artigo amplamente divulgado no site Dagobah e na nova revista Inteligência Democrática (no dia 01/10/2026).

E continuo fazendo isso no segundo turno.

“Ah! Mas você bate mais em Lula do que em Flávio”. Claro, quem está no governo é Lula, não Flávio. Não vou deixar de criticar Lula só porque ele está concorrendo à reeleição.

“Ah! Mas há uma disputa entre os dois”. Sim, como disse no início, não escolho entre eles e não faço campanha.

Se Lula vencer, continuarei fazendo oposição ao seu governo. Se Flávio vencer, farei oposição desde o primeiro dia do seu governo (assim como fiz oposição ao governo do seu pai).

Há quem estranhe isso. A explicação é que o analfabetismo democrático é tão profundo e generalizado entre nós que muitas pessoas ainda não sabem que não há democracia sem oposição. E que as oposições políticas devem ser reconhecidas e valorizadas como players legítimos e fundamentais para o bom funcionamento do regime democrático.

Dito isso, continuo com a impressão de que Lula tem mais chances de vencer a eleição atual. Claro que ele pode perder.

Mas se Lula perder é sinal de que a alergia do eleitorado brasileiro ao “nós contra eles” (implantado pelo PT desde o início do século) é maior do que se imagina.

Por que?

Porque Lula tem o governo federal na mão, tem o comando da Câmara e do Senado. Tem uma facção que controla o STF. Tem a PGR. Tem a PF. Tem o Coaf. Tem as universidades. Tem os sindicatos, centrais e associações profissionais. Tem as ONGs e os movimentos sociais. Tem as associações de juristas, juízes e advogados pela democracia. Tem a maior parte dos jornalistas e analistas políticos dos grandes meios de comunicação. Tem os famosos de cinema e novelas de TV. Tem boa parte dos institutos de pesquisa de opinião e agências de checagem. E tem os partidos que apoiam ditaduras de esquerda. Pela “lógica”, portanto, seria quase impossível Lula não ganhar a eleição. Ainda que possa acontecer.

Se Lula ganhar, continuarei na oposição ao seu quarto governo e o sexto do PT neste século.

Se Lula perder, farei oposição ao governo Flávio, seja ele uma continuidade do governo do seu pai ou não.

A busca por uma democracia pós-iluminismo